Crítica - The Maze Runner (2014)

Realizado por Wes Ball 
Com Dylan O’Brien, Kaya Scodelario, Will Poulter 

A recente onda de péssimos blockbusters juvenis que têm inundado as salas de cinema um pouco por todo o mundo nos últimos dez anos não tem ajudado a dar uma imagem positiva a este género e, por isso, quando um novo blockbuster do género chega às salas de cinemas qualquer um fica cético em relação à sua qualidade.  Só as populares sagas “Harry Potter” e “The Hunger Games” é que, nos últimos anos, conseguiram escapar à razia de mediocridade que tem assolado este género, mas convém realçar que dentro dos produtos que foram sendo lançados existem alguns mais interessantes que outros, aliás basta relembrar que alguns franchises fracassaram simplesmente por serem maus de origem, mas outros falharam porque não foram habilmente adaptados ao cinema. O que é certo é que as esperanças em redor de “The Maze Runner” não eram as mais positivas mas, dentro das possibilidades existentes e do que se esperava, este blockbuster jovem acaba por se enquadrar num patamar de razoabilidade que, mesmo estando longe de qualquer tipo de espetacularidade ou grandiosidade, consegue entreter e cumprir todos os parâmetros a que se propõem.
A sua intriga desenrola-se num imaginativo cenário pós-apocalítico, mais especificamente numa comunidade formada apenas por rapazes que descobrem, para surpresa de muitos, que estão presos num labirinto misterioso sem qualquer saída visível. Os rapazes terão então que se juntar para resolverem o enigma e revelarem assim o arrepiante segredo acerca de quem os colocou ali e por que razão, mas pelo meio passarão por várias dificuldades e encontrarão muitas surpresas que incluem, por exemplo, a presença de uma figura que destoa no meio do grupo.



Uma das principais vantagens de “The Maze Runner” prende-se com o suspense que rodeia a sua intriga, cujo desenvolvimento criativo acaba por propiciar a criação de um ambiente de dúvida e incerteza que vive muito para além do final do filme, até porque estamos perante o primeiro filme de um novo franchise juvenil baseado na ligeiramente desconhecida trilogia literária criada por James Dashner. O seu jovial argumento vive por isso, quase em exclusivo, do suspense que se cria em redor de todas as aparentes perguntas e possíveis respostas que rodeiam todos os grandes mistérios da trama, mistérios esses que são criados e alimentados sem previsibilidade e com muita expectativa em relação à sua desejada resolução. É óbvio que os dramas juvenis que vão surgindo em cena estão longe de serem apelativos e, apesar de todo o suspense que se cria ao seu redor, não existe na génese do filme nenhuma grande questão filosófica ou humanista, mas tudo o que rodeia o ambiente do filme e da sua história apela ao entretenimento do público e é precisamente isso que se pede a um filme desta categoria.
É claro que “The Maze Runner” poderia ter sido puxado para caminhos mais perigosos e complexos, mas tendo em conta o teor juvenil deste produto e da sua génese literária, este rumo é perfeitamente compreensível e seria difícil esperar outra coisa separada daquilo que nos é entregue. O que importa é que este rumo juvenil é bem enquadrado no seio de um guião que é habilmente desenvolvido, porque apesar das óbvias e já esperadas lacunas que existem um pouco por toda a história, o cômputo geral de “The Maze Runner” acaba por funcionar muito bem, entregando assim um produto razoavelmente criativo e interessante a um espectador que está habituado a produtos juvenis de fraca qualidade.

Classificação – 3 Estrelas em 5

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