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Crítica - Final Fantasy - Advent Children (2005)

Realizado por Tetsuya Nomura e Takeshi Nozue
Com Takahiro Sakurai, Ayumi Ito e Shotaro Morikubo

No ano de 1997 o mundo dos videojogos sofreu uma reviravolta. “Final Fantasy VII” foi lançado como o primeiro RPG (role-playing game) totalmente a 3 dimensões. Nesse ano o mundo enlouqueceu. Todos os “gamers” andavam de cabeça nas nuvens com este jogo. Não demorou muito até “Final Fantasy VII” ser considerado um dos melhores jogos de todos os tempos e hoje é relembrado como um dos grandes clássicos dos videojogos. Com personagens apaixonantes e um enredo complexo, sério, trágico, épico e intemporal, o sétimo tomo da saga “Final Fantasy” tornou-se inesquecível. Em 2005, passados vários anos de saudade e nostalgia, a Square Enix (companhia produtora do jogo e do filme) decide ressuscitar as personagens e a história de “Final Fantasy VII” e fazer um filme que dá continuação à trama do jogo. Assim nasceu “Final Fantasy VII – Advent Children”.
Poderia pensar-se que quem não jogou o jogo não iria perceber nada do filme. Mas isso não acontece, pois o filme começa com uma breve apresentação resumida dos eventos do jogo, deixando o espectador perfeitamente capaz de perceber o que vê nas 2 horas seguintes. Eu sou um dos “infelizes” que nunca jogou o jogo e mesmo assim acompanhei a história do filme sem problemas. Claro que sendo um fã da saga “Final Fantasy”, já estava a par de certos pormenores mesmo sem ter jogado o jogo, mas qualquer desconhecedor do mundo de “Final Fantasy” é capaz de compreender a história do filme. E essa história é simples (ou não...). O filme roda essencialmente à volta de Cloud Strife, um ex-mercenário que vive atormentado com o facto de não ter conseguido salvar a vida a dois amigos que morreram na batalha contra Sephiroth – o seu arqui-inimigo que morre no final do jogo. Cloud culpabiliza-se pela morte deles e perde a sua chama interior, perdendo a vontade de lutar e até mesmo de viver. Com esta dor interior sempre presente, Cloud isola-se e afasta-se dos seus amigos, até ao dia em que 3 homens misteriosos surgem na cidade e ameaçam a paz local raptando várias crianças e trazendo consigo a mensagem de que Sephiroth – o terrivel deus das trevas irá regressar.
“Final Fantasy – Advent Children” apresenta uma mensagem bastante clara: por mais trágica que a vida possa parecer, nunca devemos desistir dela e acima de tudo, nunca devemos desistir dos nossos amigos e familiares. Cloud Strife é o espelho da dor humana e nos seus olhos conseguimos ler o seu sofrimento interior. Imediatamente sentimos dó e afecto por esta personagem tão rica. Cloud representa o herói abatido pela tragédia que é a vida e facilmente nos identificamos com a sua luta interior. Qual o sentido da vida? Para quê continuar a lutar? Será que tudo isto vale a pena? São estas as questões existenciais da personagem. Já uma vez ouvi alguém dizer que as melhores personagens (que trazem uma riqueza e profundidade enorme a qualquer história) são aquelas que se encontram numa luta interior, uma luta com eles próprios. É exactamente o caso de Cloud e o filme só tem, de facto, a ganhar com isso. Numa primeira fase pensamos que Cloud só regressa à batalha e à sua identidade para salvar as crianças raptadas (ele próprio diz isso). Mas a pouco e pouco nos apercebemos que o seu regresso se deve a muito mais que isso. O seu regresso à batalha reflecte uma tentativa de resolver o seu conflito interno. Como se pode perceber, “Final Fantasy – Advent Children” é muito mais que um simples filme de animação. “Advent Children” é um filme complexo, trágico, dirigido para qualquer tipo de audiência. Os mais novos adorarão a acção frenética do filme; os adultos compreenderão a subtileza destas questões e serão capazes de o ver de uma forma diferente.
O filme reflecte a qualidade da animação japonesa (mesmo que não seja a tradicional animação japonesa, a complexidade da história e das emoções das personagens são ponto assente na animação oriental). Com uma história envolvente, uma animação belíssima, personagens credíveis, um senso de humor perceptível e uma componente trágica da luta do bem contra o mal (bem como a luta pela própria alma e bem-estar da personagem principal), “Final Fantasy – Advent Children” é um grande filme a não perder. Para os fãs do universo “Final Fantasy”, o filme será perfeito (tem montes de detalhes e referências a esse universo mágico que deliciará os fãs). Contudo, para quem não é fã da saga nem está a par do seu universo, não tenho a certeza se o filme será capaz de os encantar ou chamar a atenção. E é apenas por isso que não lhe dou a pontuação total na minha classificação.

Classificação - 4 Estrelas Em 5

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4 Comentários

  1. adorei adorei essa critica muitas pessoas puxam saco do zack dizend o qu ele é o verdadeiro heroi e tal...acho sim adimiro DEMAIS adimiro demais o zack e o adoro muito
    Mas tb acho que os verdadeiros herois nao sao aqueles que se sacrificam ..isso a gente ve em todo filme..acho que o Cloud eh um heroi diferente por ele estar na busca de seu aperfeiçoamento.Muito mais que um heroi ele é um ser humano com seus erros defeitos..assim como todos nós e por isso que eu Amo esse filme o jogo e o personagem
    Parabens pela critica por ter visto o dilme pelos olhos amadurecidos.

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  2. Já alguém fez alguma crítica ao filme Final fantasy de 2001?

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  3. "para quem não é fã da saga nem está a par do seu universo, não tenho a certeza se o filme será capaz de os encantar ou chamar a atenção. E é apenas por isso que não lhe dou a pontuação total na minha classificação."

    Bem, você pode sim dar a pontuação máxima. Não acompanho a saga, mas me encantei com o filme e ele também chamou a atenção da minha família. Adoraria se fizessem outras animações de Final Fantasy seguindo esse mesmo estilo.

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