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Crítica – Amazing Grace (2006)

Realizado por Michael Apted
Com Ioan Gruffudd, Romola Garai, Benedict Cumberbatch

Neste filme somos transportados para os inícios do sec. XIX para acompanhar da história verídica de William Wilberforce (Ioan Gruffudd), um membro da Câmara dos Comuns que dedicou toda a sua vida à luta pela abolição de escravatura contra os lobbies económicos que dominavam os seus adversários políticos e principais opositores. O filme, que se podia tornar fastidioso se elevasse Wilberforce a uma categoria sobre-humana, convence pala humanidade da personagem, nas suas contradições, inseguranças, na dependência de láudano e também pelo retrato fiel da ebulição política que se vivia tanto na Europa como na América, mobilizando pessoas de diferentes quadrantes e mesmo mulheres que se tornaram com maior ou menor discrição fervorosas activistas políticas e defensoras dos Direitos Humanos. Tudo isto ao som de Amazing Grace, as graças a Deus pela sua salvação de um antigo traficante de escravos.
Como vemos, ainda que centrado na biografia de William Wilberforce, encontramos aqui um retrato fiel e muito próximo do centro dos acontecimentos de um momento decisivo da história da Europa Ocidental e da América. O guarda-roupa e o decors recriam a época com fidelidade bem como as intromissões no mais luxuoso ambiente de marcas muito pouco sofisticadas. A título de curiosidade tenho apenas que acrescentar que, durante o visionamento da primeira meia hora deste filme, tive a experiência bizarra de desfrutar de um enquadramento que permitia ver os microfones por cima dos actores o que tornou a viagem temporal proposta pelo filme algo anacrónica. Romola Garai consegue, como sempre, dar uma marca muito pessoal à sua personagem que apesar de secundária tem um papel decisivo no desenrolar dos acontecimentos. O Primeiro Ministro William Pitt (Benedict Cumberbatch) é uma das mais interessantes construções psicológicas do filme na sua luta interna entre o líder político e o homem fiel aos seus sentimentos.
Opta-se deliberadamente por evitar explorar abertamente a violência que marcava a exploração dos escravos negros, optando-se pela sugestão constante da mesma através da descrição dos processos usados então o que talvez provoque um efeito superior pois dá maior liberdade às emoções do espectador. Ainda assim não há no filme realmente nenhum momento que realmente forte que quebre o ritmo lento da narrativa.

Classificação - 4 Estrelas Em 5

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1 Comentários

  1. Eu não compreendo as decisões dos cinemas em colocarem filmes de 2006 nas salas em 2009. A menos que sejam clássicos não vejo lógica, tanto filme actual que passa ao lado...deviam centrar-se nesses para evitar casos futuros como este.

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