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Críticas

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World War Z - Os Grandes Erros e as Maiores Parvoíces

World War Z - Os Grandes Erros e as Maiores Parvoíces

No passado dia 20 de Junho, estreou em Portugal o filme de ação “WWZ - Guerra Mundial”/ “World War Z”, que desde então já foi visto por cerca de 143 mil espetadores. Os portugueses, tal como os espectadores internacionais, têm reagido de forma amena a esta mega-produção que custou cerca de 200 milhões de dólares à Paramount Pictures, mas que já conseguiu arrecadar 375 milhões de dólares em receitas em todo o mundo. Baseado no homómimo livro de Max Brooks, “WWZ – Guerra Mundial” tem sido atacado por não ser fiel ao livro e por ser um filme com erros a mais. Eu até me diverti a vê-lo, mas é claro que reparei em muitas coisas que não fazem sentido e que, pelos vistos, chatearam muitas pessoas que o viram. Este pequeno texto serve para enumerar as principais falhas deste filme de Marc Forster, que conta com Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz e James Badge Dale no seu elenco. Se ainda não viu o filme, então não deve ler este texto. 

1º - A Propagação do Vírus
O vírus não apareceu do nada, nem apareceu de um dia para o outro. É nos dado a entender que a Organização Mundial de Saúde já sabia, há vários meses, que um perigoso e misterioso vírus estava a semear o pânico em vários países do Terceiro Mundo. Os israelitas também já sabiam de antemão que este vírus existia, já que construíram, em apenas alguns meses, um muro gigantesco à volta do seu país, para assim proteger o seu povo de uma ameaça zombie que já tinha começado a causar estragos no território indiano. O filme revela-nos que o vírus espalhou-se por causa da proliferação das viagens aéreas e do constante vai-e-vem de pessoas entre países, mas porque é que Israel, a Índia ou a OMS não avisaram o mundo que o vírus que os andava a preocupar não era uma simples derivação da cólera, mas sim um perigoso vírus com potencial para transformar todos os infetados em mortos vivos? O cenário de secretismo que é retratado pelo filme é portanto bastante implausível, até porque a OMS é conhecida por avisar a imprensa e todos os governos, sempre que aprece um novo vírus com um vasto potencial de destruição e mortalidade. O que também torna esta propagação bastante implausível é a sua súbita rapidez. Eu não compreendo como é que um vírus, que durante meses passou despercebido à maioria dos governos e à imprensa em geral, conseguiu dizimar, em apenas vinte e quatro horas, a maior parte da população mundial. Se o vírus é assim tão célere e eficaz, então deveria ter dizimado toda a população num ápice durante a primeira semana, e não passado meses desde a primeira infeção. Será que ninguém reparou que, um pouco por todo o mundo, as pessoas estava, a começar a atacar-se umas às outras? Será que também é plausível o facto de uma grande cidade como Filadélfia ter sido dizimada em apenas umas horas?

2º - Os Doze Segundos
Numa das cenas iniciais de “WWZ – Guerra Mundial”, Gerry (Brad Pitt) vê uma pessoa ser atacada e mordida por um zombie e a transformar-se numa dessas criaturas em apenas doze segundos. A partir desse momento, Gerry assume que uma pessoa infetada demora sempre doze segundos a transformar-se em zombie. Esta teoria cai por terra quando alguém lhe diz que há casos de pessoas infetadas que só se transformaram em zombies passado horas ou até dias, mas Gerry nunca larga os doze segundos e assume sempre que a sua teoria é que está correta, mesmo que isso o coloque em perigo. 

3º - Os Zombies
Os zombies deste filme são estranhos e, acima de tudo, não são assustadores, porque não fazem nada de assustador. Se repararem bem, os zombies de “WWZ – Guerra Mundial” até são muito bonzinhos, porque não comem ninguém, ao contrário dos zombies tradicionais. É impossível encontrar, em todo o filme, um zombie que esteja a comer uma vítima humana, sendo também bastante difícil encontrar cadáveres brutalmente desmembrados. Há muitos cadáveres espalhados pelo chão, mas todos estão inteiros. Estes zombies só se preocupam em infetar os que ainda não estão infetados, mas se é assim, então porque é que só os vemos a atacar humanos? Se os zombies não comem, então como é que conseguem manter toda a sua energia? É fácil chegar à conclusão que estes zombies são muito parecidos com os energéticos zombies de “28 Days Later”, mas estas criaturas inglesas são um pouco mais credíveis, porque têm de se alimentar para manter a sua enorme vivacidade. Já os zombies de “WWZ – Guerra Mundial” estão sempre em jejum e, segundo parece, não são propriamente mortos-vivos mas, apesar de tudo, não se decompõem e conseguem manter um nível de adrenalina impressionante. Estes zombies também são mais poderosos e espertos que os de “28 Days Later”, porque conseguem formar uma gigante onda zombie que os ajuda a subir muros, derrubar barreiras e arrasar ruas inteiras. Este afunilamento de zombies em forma de manada é ridículo e tem, acima de tudo, um aspeto hediondo e falso que só prejudica o filme. 

4º - A Família do Gerry
Eu tenho que dar o devido crédito ao Gerry, porque uma pessoa normal não teria sobrevivido a um apocalipse zombie com aquela mulher e com aqueles filhos. A filha mais nova de Gerry é uma peste irritante que está sempre a gritar e a pedir coisas parvas ao pai, mesmo quando este está visivelmente ocupado. Já a filha mais velha sofre de asma (cliché máximo de filme de terror), mas é claro que o seu maior problema é a sua personalidade mal-agradecida e carrancuda. Já a sua mulher deve ser, muito provavelmente, uma das esposas mais carentes que já apareceu num filme zombie. O Gerry está sempre a salvar toda a família, mas ela arranja sempre alguma coisa para se queixar e para o deixar em baixo por abandonar a sua família para ir salvar o mundo. A sua atitude mais incompreensível aconteceu quando, de um momento para o outro, decide ligar ao seu marido, quando este lhe tinha dito EXPRESSAMENTE que lhe ligava quando não estivesse ocupado a fugir de zombies. Ela ignorou-o e ligou-lhe na pior altura possível. Esta sua irresponsável atitude acabou por custar a vida a vários soldados americanos.

5º - O Muro de Israel
Como é que um país que está sempre a ser vigiado por todo o mundo, em particular pelos seus vários inimigos, conseguiu construir em algumas semanas um muro gigante à volta de uma parcela do seu território, sem que ninguém desse conta ou questionasse os motivos? Pelos vistos, não há no mundo de “WWZ – Guerra Mundial” jornalistas bisbilhoteiros ou políticos interessados em atividades suspeitas.

6º - O Piloto do Avião Livra-se da Arma
Quando Gerry sobe abordo de um avião comercial, o piloto tira-lhe a arma e deita-a fora. Eu compreendo as questões de segurança inerentes a esta decisão, mas será que o piloto não se lembrou que o mundo estava a lidar com um apocalipse de zombies e que, se calhar, seria uma boa ideia guardar uma arma para o caso de terem que se livrar de algum zombie? Eu aposto que o piloto arrependeu-se desta sua decisão durante a parte final do voo. 

7º - Apetece-lhe Um Refrigerante?
Se algum dia estiver perante um momento tenso e aterrador, então deve parar para relaxar e para beber um refrigerante. Foi precisamente isto que Gerry decidiu fazer antes de passar calmamente ao lado de um grupo de zombies que, a qualquer momento, o poderiam ter morto. O facto de Gerry ter feito isto quando estava infetado com uma doença possivelmente mortal só torna este momento ainda mais idiota. 

8º - A Escolha do Vírus
Para testar a sua teoria, Gerry decidiu que tinha de atravessar um pequeno corredor cheio de zombies para chegar ao laboratório da OMS, onde estão guardados alguns dos vírus mais letais do planeta. O problema é que uns vírus são mais letais que os outros, mas este facto só lhe ocorreu quando chegou ao laboratório e ficou rodeado por zombies. O Gerry teve então que escolher à sorte um grupo de vírus quando, antes de partir na sua pequena missão, tinha tido todas as oportunidades do mundo para perguntar a vários cientistas de renome que vírus é que devia trazer e, em caso extremos, que vírus é que podia injetar nele próprio para testar a sua teoria. Os cientistas também não se lembraram de lhe dizer que nem todos os vírus serviam, e que muitos dos que estavam armazenados não tinham cura. 

9º - Má Pontaria ou Idiotice?
A melhor maneira de matar um zombie é dar-lhe um tiro na cabeça. Os humanos de “WWZ: Guerra Mundial” têm essa informação, mas parece que nenhum soldado tenta acertar nas cabeças dos zombies, mas sim nos seus torsos. Será que não se apercebem que é mais eficaz disparar uma bala contra a cabeça, do que vinte contra o corpo?


 10º – Gerry: O Herói e o Cabelo Imaculado
O longo cabelo de Gerry só pode fazer inveja à sua mulher, já que o cabelo da Karin nunca está tão bem penteado como o do seu marido, que parece guardar um tempinho extra para se arranjar e para tratar da sua imagem de marca. O que mais me chateia nesta personagem não é, no entanto, este seu aparente cuidado excessivo com sua imagem, mas sim o facto de ser um ex-funcionário quinquagenário de uma organização mundial que parece estar em melhor forma que os altamente treinados soldados israelitas e americanos que, à sua beira, parecem meninos com fracas capacidades de sobrevivência.

11º - A Cura
Não há nenhuma cura em "WWZ- Guerra Mundial". A única coisa que é descoberta é uma forma de camuflar os humanos que, para não serem detetados pelos zombies, têm de ser infetados por uma doença debilitante que, tal como o nome indica, debilita gravemente a saúde e pode inclusivamente levar à morte. A solução passa então por estar sempre a infetar os humanos com uma doença curável, até que os zombies sejam todos mortos, mas será que não seria mais seguro partir um braço ou uma perna, já que esse método também parece afastar os zombies, como prova o caso do soldado americano? 

12º - Prioridades
As prioridades do Governo Americano durante a evacuação não passam por salvar o maior número possível de pessoas, pela recolha de alimentos ou pela evacuação de políticos de importância (Presidente dos EUA), mas sim pela recolha de importantes peças culturais que nunca seriam destruídas pelos zombies, que não estão minimamente interessados em Declarações de Independência.  

13º - O Desastre de Avião
Só duas pessoas é que sobreviveram ao desastre de avião: o protagonista e a sua nova amiga israelita. Os restantes passageiros foram mortos por zombies, ou então morreram quando o avião caiu. As probabilidades disto acontecer são praticamente nulas, até porque o desastre foi muito violento e nunca teria permitido aos sobreviventes saírem praticamente ilesos do desastre. O facto de Gerry e Segen terem conseguido andar vários quilómetros após este grande desastre também é surpreendente, ainda para mais se tivermos em conta que não encontraram pelo caminho um único zombie que, supostamente, deveriam ter sido atraídos pelo enorme barulho que foi provocado pela queda do avião.

14º - A Sorte de Gerry
As armas abundam nos EUA, mas ainda assim, Gerry teve a sorte de roubar um veículo recreativo que tinha uma caçadeira num dos seus armários. Que sorte!

15º - A Teoria das Gengivas
A dada altura, Gerry conhece um prisioneiro, numa Base Militar na Coreia, que lhe diz que na Coreia do Norte não há zombies, porque o vírus não se conseguiu propagar por causa das políticas isolacionistas do país. O prisioneiro também lhe revela que, para evitar uma possível contaminação, o governo norte-coreano mandou tirar todos os dentes à população, porque o vírus só se transmite quando um zombie morde uma pessoa. Se os novos zombies não tiverem dentes para morder, então o vírus não se propaga. E se aparece um zombie com dentes? O que é que a população desdentada pode fazer? E se os zombies começam a dar beijos aos humanos? Será que nesse caso a saliva infetada não afeta os humanos?

16º - Os Soldados Maus do Refeitório
Eu bem sei que a família do Gerry é irritante, mas é preciso ser muito cruel para dar a entender a três crianças que estão a mais naquele navio e que mais valia estarem mortos, porque não servem para nada. É precisamente isto que alguns soldados fazem quando uma das filhas do protagonista se queixa que a água sabe mal.

17º - As Revistas do Gerry
Para tentar não ser mordido, Gerry amarra algumas revistas aos seus braços antes de combater alguns zombies. Esta brilhante estratégia resulta na perfeição, mas porque raio é que ele não manteve as revistas nos braços até ao final do filme? Se resultou tão bem, porque é que parou de as usar? É impossível ter segurança a mais num apocalipse zombie.

18º - As Bicicletas Barulhentas
Para fugir em silêncio aos zombies, Gerry e alguns soldados decidem usar algumas bicicletas para chegarem a um avião. O problema é que estas bicicletas precisavam de óleo mas, pelos vistos, os zombies não são atraídos por enormes chiadeiras, mas sim por toques genéricos de telemóvel que, pelos vistos, não vêm equipados com um modo silencioso. 

19º - O Assalto ao Muro de Israel
Os israelitas já sabiam que o mundo ia ser dizimado por zombies, mas pelos vistos não sabiam que estas criaturas são atraídas por barulhos fortes, porque não impediram cânticos com microfones junto à muralha que construíram com tanta dedicação. Se calhar pensaram que ninguém seria tão estúpido ao ponto de pegar em microfones e começar a entoar cânticos junto ao muro, ou então pensaram que os zombies nunca conseguiriam formar uma pirâmide zombie que superasse a altura do muro. O que importa é que foram descuidados, mas também foram muito parvos porque, para além de não terem mandado calar a multidão, também não tentaram derrubar a pirâmide de zombies. Será que era muito difícil pegar em várias bazucas e começar a disparar repetidamente contra a pirâmide?

20º - O Nerd Que Nunca Jogou Jogos de Computador
As grandes esperanças do planeta foram depositadas num jovem virologista, que parecia ser o único homem com capacidade para desenvolver uma cura, mas apesar de ser muito inteligente, este jovem não foi feito para durar muito tempo num mundo violento onde a destreza física é absolutamente necessária. Pelos vistos, o Dr. Fassbach nunca jogou um jogo de computador, nem nunca saiu do seu laboratório. Só assim se explica a sua morte ridícula, que é claramente um dos momentos mais parvos e engraçados do filme. 

3 comentários:

  1. "11º - A Cura

    Não há nenhuma cura em "WWZ- Guerra Mundial". A única coisa que é descoberta é uma forma de camuflar os humanos que, para não serem detetados pelos zombies, têm de ser infetados por uma doença debilitante que, tal como o nome indica, debilita gravemente a saúde e pode inclusivamente levar à morte. A solução passa então por estar sempre a infetar os humanos com uma doença curável, até que os zombies sejam todos mortos, mas será que não seria mais seguro partir um braço ou uma perna, já que esse método também parece afastar os zombies, como prova o caso do soldado americano?"


    Já não me lembro bem, mas chegamos a saber o que é que ele tem? Só me lembro de ele dizer que a perna já o incomodava à umas semanas. Assumi que fosse uma coisa mais grave, tipo cancro já bem avançado.

    Eu fiquei a pensar que era um vírus um pouco exclusivo lol não infecta pessoas que já estão a morrer mas o vírus em si mata e dá "super-poderes" a quem o tem.

    Também não assumi que precisassem de comer. Simplesmente de contaminar o maior numero possível de pessoas, se as comessem elas não podiam infectar outras. Para alem de que já estão mortas, não precisam de energia, tecnicamente nem se deviam de mexer por isso assumir que comer os outros lhe daria energia é um pouco redundante.

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  2. Muito boa review, com pontos muito relevantes acerca deste filme.

    O filme propriamente dito nada tem a ver com o livro, alias a única coisa que talvez tenha de semelhante é o titulo e de existirem "zombies".

    A história do livro passasse já depois de o planeta inteiro estar sob a praga zombie e dos "refugiados" viverem em barcos em alto mar. Não existe nelhuma personagem principal a salvar o planeta.

    Em relação ao filme propriamente dito, alguns dos erros devem-se ao facto de durante a execução e filmagens dos mesmos a equipa de realizadores e\ou produtores mudaram a meio do filmes e o mesmo foi reescrito algumas vezes (tendo mesmo Brad Pitt ponderado a sua saida do filme). Não se compreende como é que uma personagem interpretada por Matthew Fox (piloto do helicóptero que os salva no telhado) tenha apenas alguns segundos de filme.

    Em relação ao tipo de zombies, a meu ver existem dois tipos: os americanos que regressam dos mortos porque sim, praga do apocalipse e do fim do mundo, tal como está descrito na biblia, e os zombies ingleses, que existem\aparecem devido a uma doença altamente contagiosa do tipo da raiva ou seja não estão mortos, apenas doentes e super-agressivos. Nem vou falar dos zombies do resident evil que esses são de outro tipo...

    Em relação ao tempo de contagio, "Gerry" teve a prova que os 12 segundos nao se aplicava quando um soldado ja tinha sido mordido na perna á varias semanas e ainda não se tinha "zombificado".

    Não existe corpos decompostos ou desmembrados, nem "gore" comum neste tipo de filmes, porque o mesmo está classificado de PG-13. O seja sangue em quantidades baixa, palavões contados e tripas e gore nulos.

    Perderam uma boa oportunidade de efectuar um excelente filme mesmo que fugisse um pouco ao livro. Nem se percebe como obtém uma pontuação de 7,3 no imdb para um filme da pipoca.

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  3. Falta ainda o erro de darem um taco de basebol a nova amiga de Gerry, que por acaso só tem uma mão!

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