Pérolas Indie - Take This Waltz (2012)

Realizado por Sarah Polley
Com Michelle Williams, Seth Rogen, Sarah Silverman, Luke Kirby
Género - Comédia Dramática

Sinopse - Quando Margot (Michelle Williams) conhece Daniel (Luke Kirby) surge de imediato entre eles uma química intensa. Mas Margot reprime esta atração repentina, já que tem um casamento aparentemente feliz com Lou (Seth Rogen), um escritor de livros de culinária. Quando Margot descobre que Daniel vive do outro lado da rua, começa a pôr em causa as certezas que tinha sobre a sua vida. Ela e Daniel vão estando juntos durante todo esse quente Verão de Toronto, mantendo uma amizade cujo erotismo é exacerbado pela contenção que ambos mantêm. 

Crítica – É melhor começar por avisar que “Take This Waltz” não é um filme muito mexido. O seu grande defeito reside precisamente no fato de ser exageradamente longo, mas se conseguir aguentar o seu ritmo pachorrento e os seus múltiplos planos estáticos, então vai encontrar uma dramédia muito interessante com uma trama romântica cheia de altos e sobressaltos. A sua trama foca-se única e exclusivamente no dilema romântico que dilacera a interveniente central (Margot), uma mulher indecisa que se torna cada vez mais detestável com o passar dos minutos, porque arrasta penosamente o processo de escolha entre o seu criativo amante (Daniel) e o seu afetuoso marido (Lou), dando assim origem a um atribulado relacionamento tridimensional repleto de emoções repressivas e sentimentos de culpa. É claro que culpamos Margot por não se conseguir decidir e por eventualmente magoar uma personagem que vai subindo na nossa consideração, mas a verdade é que o arrastar deste seu dilema amoroso propicia uma série de questões interessantíssimas que, por sua vez, geram várias sequências recheadas de significado. As suas dolorosas e incómodas dúvidas são compreensíveis e, de certa forma, é preciso louvar a forma ponderada como enfrenta as várias questões que assolam a sua mente, mas nunca conseguimos compreender as razões que a levaram a sentir-se atraída por Daniel ou a para de se sentir feliz com o seu casamento com Lou. O argumento parece remeter a resposta a estas perguntas para outras questões relacionadas com o amor à primeira vista, a compatibilidade de personalidades ou até a pressão social e familiar para contrair matrimónio, mas todas as possíveis respostas são meras presunções. As dúvidas de Margot persistem quase até ao final do filme, mas cessam finalmente quando ela toma uma decisão. Se esta decisão foi a mais acertada ou não, cabe a nós decidir. As sequências subsequentes parecem indicar uma resposta clara, mas mesmo antes do final voltamos a ter que pensar um pouco mais sobre a validade moral e romântica da sua decisão, graças a um par de cenas que nos fazem sentir pena do homem que foi abandonado e duvidar da felicidade de Margot. A direção da atriz, guionista e realizadora Sarah Polley (Nomeada ao Óscar de Melhor Argumento Adaptado por “Away From Her”) é um bocado estática mas, em última análise, efetiva e razoável. O seu controlo da relação entre os três intervenientes centrais é sublime, mas o que realmente é de louvar neste seu trabalho de realização é a criação de duas ou três sequências absolutamente memoráveis, como aquela em que Margot e Daniel fazem uma viagem num carrossel som de “Video Killed the Radio Star”, dos Buggle, ou aquela onde estas duas personagens encontram-se na piscina municipal e partilham um mergulho bastante íntimo. A única coisa que me deixou um pouco desiludido neste filme foi o seu elenco. As performances de Seth Rogen e Luke Kirby até são agradáveis, mas esperava muito mais de Michelle Williams. A sua personagem é muito boa, mas parece que Williams não deu tudo o que lhe podia dar, notando-se um certo relaxe excessivo em certas situações que exigiam uma maior emoção e um menor controlo. Eu aproveito para referir que também não gostei muito Sarah Silverman e da sua Karen, mais por causa da sua personagem que incute um esquisito e exagerado toque melodramático ao filme, toque esse que é tão dispensável que nem consegue ser compensado pelos seus breves mas sábios pontos de vista sobre a vida e o amor. É precisamente sobre as voltas da vida e do amor que “Take This Waltz” mais se debruça com o seu curioso triângulo romântico, que até podia ter ido mais além, mas que acaba por originar uma trama muito interessante que certamente apelará à curiosidade dos mais românticos. 

 Classificação – 3,5 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. Toca em assuntos tabus da sociedade,sem pudores e grandes enredos mostra sem vergonhas o mundo das traições.Daria um 4,5 á vontade.

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