Crítica - Night Train To Lisbon (2013)

Realizado por Bille August 
Com Jack Huston, Jeremy Irons, Mélanie Laurent 

Eu gostava de poder dizer que “Night Train to Lisbon” ou “Comboio Noturno Para Lisboa” não é um mau filme. Eu adoraria poder dizer isto, mas infelizmente não o posso fazer porque tal afirmação positiva não corresponde à realidade. A verdade amarga é que este melodrama barato não passa de um produto anticlimático, desinteressante e entediante que causa embaraço a todos os envolvidos, não sendo portanto nada que valha a pena ser visto nas salas de cinema. Baseado no homónimo best-seller de Pascal Mercier, “Night Train To Lisbon” conta-nos a história de Raimund Gregorius (Jeremy Irons), um discreto docente suíço que, certo dia, entra em contacto com um estranho livro/ diário que foi escrito por um rebelde aristocrata que se envolveu com as forças da resistência antifascista nacional que, por sua vez, estiveram diretamente envolvidas na nossa revolução dos cravos. O professor fica intrigado com este produto literário e decide, por isso, viajar até Lisboa para tentar saber mais sobre o autor e descobrir o que é que lhe aconteceu.



O seu enredo, que em nenhuma parte do mundo pode ser considerado produtivo ou impressionante, divide a nossa atenção entre duas histórias distintas com um tema existencial em comum. A primeira desenrola-se nos nossos dias e centra-se no extenuante professor suíço que, com a preciosa ajuda de outras personagens, tenta reconstruir a vida do autor do livro e encontrar, em simultâneo, as respostas para as perguntas que não o param de atormentar. A outra história desenrola-se nas vésperas da Revolução de Abril e acompanha a atribulada existência de um médico aristocrata com fortes ideais antifascistas que, nas vésperas da grande revolução nacional, vê-se envolvido num triângulo romântico sem um pingo de emoção ou credibilidade. Este lado romântico de “Night Train to Lisbon” acaba por infetar todo o filme com um resistente vírus de mundanidade que atira, sem qualquer hesitação, para segundo plano qualquer outro tema potencialmente relevante, como por exemplo, a análise ao repressivo ambiente sociopolítico e ao estado de espirito dos portugueses durante aquela conturbada época. Todas estas questões sociais e históricas são ignoradas, numa primeira fase, em prol de uma história romântica sem valor que, a certa altura, também cede a sua posição central a uma extenuante visão filosófica sobre a banalidade da rotina e da existência humana que, como se pode calcular, está igualmente desprovida de qualquer interesse dramático. A estas péssimas opções narrativas que, em conjunto, formam um argumento deplorável, temos ainda que juntar as dúbias opções criativas do seu realizador, Bille August, que, no auge do seu bom-senso, preferiu brindar o público com um retrato visual quase turístico dos locais que vão aparecendo em cena, em vez de aproveitar a sua força natural e histórica para credibilizar a narrativa e aumentar a sua dimensão social. Para além disto, August também conseguiu a proeza de conferir a esta longa-metragem um inconcebível estilo televisivo quase amador. O seu aproveitamento do elenco também me parece insuficiente, mas neste caso os atores também têm que acarretar com uma quota parte da responsabilidade, nomeadamente o veterano Jeremy Irons, que apesar de não ter um papel à sua altura, pouco faz para tornar esta sua personagem um pouco mais cativante. Irons está portanto muito distante de um bom trabalho, mas infelizmente não é o único, porque a talentosa Mélanie Laurent também não está nos seus dias. O grupo de atores portugueses tem uma participação tão diminuta e secundária que quase nem merece uma alusão mas, ainda assim, convém referir que atores bem conhecidos da nossa praça como Beatriz Batarda, Marco d'Almeida, Nicolau Breyner e Adriano Luz têm uma pequena participação nesta fraca produção europeia que merece ser alvo de todas as piadas secas sobre comboios e seus atrasos, porque “Night Train To Lisbon” é já de si uma piada seca sem qualquer emoção.

 Classificação - 1,5 Estrelas em 5

6 comentários:

  1. Este tipo de comentários de críticos pseudo-entendidos que claramente não passam de tecnocratas/frustrados ja irritam....xiça...que ressabiadas. Vêm para aqui com a seus discursos intelectualóides a querer transparecer todo o esplendor da sua sofisticação mas não fazem mais do que revelar a pobreza de espirito com que olham para o mundo à sua volta. Como se o maldizer fosse uma qualquer prova do refinamento dos seus gostos e competências. Patético. Classificação para o trabalho deste senhor: 1 estrela, pela participação.

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  2. Ricardo Parente:1
    João Pinto: 0

    As criticas referidas pelo João apenas reflectem escolhas do realizador em relação à abordagem do filme, que são irrelevantes para qualquer tipo de critica. Se o caro João Pinto pretende ver uma abordagem mais histórica, ligue a televisão no canal Odisseia.

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  3. Gostei muito do filme e do trilho seguido. Contar uma história adicionando romance, acho de muito bom tom (lembro que, filmar em Lisboa não é fácil). Dizer que Irons e outros seus iguais, foram banais é no mínimo, lamentável. Estive algum tempo sem aqui vir por esse mau tom, má critica, parece-me que vou de férias.
    Jorge Lopes

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  4. Não se percebe uma critica tão feroz e tão pouco especifica quanto ao que realmente podia o filme ter de melhor.

    Talvez tenha sido mesmo o conteúdo do próprio filme, que tenha irritado tanto o estimado critico.

    Afinal de contas, o fascismo em Portugal, está hoje mais forte que nunca no meio desta crise. Qual serão as "origens" do nosso estimado critico?

    O filme é bom, é claro que não tão bom como a "casa dos espíritos", mas com um ambiente semelhante.

    Irracional uma critica desta amplitude em relação a um filme bom, acima da média.

    O conteúdo deve ter irritado o nosso critico.

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  5. O crítico deve ter algum problema... O filme não é notai dez, mas longe da desgraça apontada aqui. Somente um pouco de vida inteligente no cinema atual, cheio de 3Ds ridículos.

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  6. Rídicula a crítica... vi o filme com atenção e achei bastante bom, um retrato engraçado daquela época e do choque de valores também, pecou sim pelo discurso ser 98% em inglês, passando-se 85% do filme em Portugal, foi bom pela boa poesia lusa que cativou os Europeus que fizeram do livro um Best-Seller. Se fosse filmado em Londres ou Paris já era um bruto filme, como envolve portugueses é ridículo...

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