Crítica - Oblivion (2013)

Realizado por Joseph Kosinski
Com Tom Cruise, Olga Kurylenko, Morgan Freeman, Andrea Riseborough
Joseph Kosinski era praticamente um desconhecido antes de assumir as rédeas da realização em “TRON: Legacy”, a sequela do clássico de 1982 com Jeff Bridges no papel principal. Essa sequela, porém, granjeou-lhe um certo respeito no seio de Hollywood. Pois, muito embora “TRON: Legacy” tenha ficado longe de convencer tudo e todos, a verdade é que se afirmou como uma experiência cinematográfica de encher o olho, onde a narrativa fluía com naturalidade por entre efeitos visuais verdadeiramente avassaladores e uma banda-sonora bastante cativante. Ora, tendo isto em conta, tornou-se apenas natural que Kosinski assumisse as rédeas de “Oblivion”, um projeto futurista que se insere no mesmo género cinematográfico de “TRON: Legacy” e que é adaptado de uma banda-desenhada criada por Arvid Nelson e pelo próprio Kosinski. Pode dizer-se que “Oblivion” possui todos os condimentos para agradar ao grande público, já que é uma obra repleta de efeitos visuais espantosos, um design futurista bem engendrado e um enredo que mantém o mistério até ao cair do pano. É, portanto, um filme de ficção-científica minimamente original e atraente, suportado por um elenco de estrelas que ajuda a validar todo o projeto. Todavia, deve realçar-se que “Oblivion” fica longe de deslumbrar inteiramente, sendo notória alguma falta de química entre protagonistas, alguma falta de profundidade em personagens-chave e uma montagem por vezes atabalhoada que depressa lança a confusão na cabeça do espectador mais desatento.  
A narrativa centra-se essencialmente em Jack (Tom Cruise), um técnico de reparações que viaja diariamente pela Terra pós-apocalíptica para consertar aparelhos eletrónicos de alta tecnologia. Na companhia da sua nave flexível e sob as orientações de Vika (Andrea Riseborough), Jack passa os dias a reparar drones maltratados pelos Scavangers, uma raça alienígena que despoletou uma guerra nuclear na Terra e que forçou a raça humana a fugir para Titã, a maior lua de Saturno. A quinze dias de também ele ser enviado para Titã, Jack trata dos seus afazeres com a maior naturalidade do mundo, apesar de estar sempre em risco de ser atacado pelos Scavangers. Mas estranhos sonhos e visões que contam com a presença de uma rapariga desconhecida (Olga Kurylenko) atormentam-lhe o dia-a-dia. E, apesar de não partilhar estes desassossegos com Vika, Jack vive com o sentimento de que algo lhe está a ser escondido por alguém. Um sentimento que tem a oportunidade de explorar a fundo quando a rapariga dos seus sonhos lhe cai dos céus e quando os Scavangers o levam para as suas grutas…
A componente visual é, sem sombra de dúvida, o ponto forte de “Oblivion”. A conceção dos cenários futuristas está muito bem conseguida, fazendo com que em nenhum momento este mundo pós-apocalíptico pareça falso ou oco. Tal como em “TRON: Legacy”, o design de produção é um triunfo e os efeitos especiais pouco ou nada deixam a desejar. Ao contrário do que cada vez mais acontece, a narrativa também se mantém minimamente consistente e interessante do início ao fim, embora padeça de alguns defeitos em determinados momentos. Por exemplo, o twist que sucede sensivelmente a meio da película torna-se excessivamente previsível com o passar dos minutos, retirando impacto a um golpe narrativo que poderia ir mais além. Existe também uma falta de química entre Tom Cruise e Olga Kurylenko, e todo o lado romântico do filme perde pontos com essa falha. A personagem de Kurylenko chega mesmo a ser muito fraquinha, caindo do céu aos trambolhões e nunca reclamando espaço para se aprofundar e desenvolver devidamente. A certa altura fica a ideia de que todas as personagens necessitariam de mais tempo para se afirmarem como personagens genuínas, mas a ação acaba por se sobrepor às próprias personagens, o que fragiliza todo o enredo. Salva-se, contudo, uma mensagem ecológica cada vez mais presente neste tipo de películas, e também um ato final empolgante e misterioso quanto baste para nos manter acordados e colados à cadeira. “Oblivion” não deixará grandes marcas na História do cinema, isso é garantido. Mas é uma obra que garante entretenimento para toda a família e que conta com Tom Cruise em grande forma. Não se pode dizer que Cruise deslumbre ou surpreenda, mas é certamente ele que carrega o filme às costas e o torna mais apetecível.
Classificação – 3 Estrelas em 5

2 comentários:

  1. Concordo com quase tudo.

    http://cronicasdavida.blogspot.pt/2013/06/oblivion.html

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  2. Oblivion valeu a pena, na minha opinião. Revelou-se uma muito boa surpresa.

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