Crítica - The Delivery Man (2013)

Realizado por Ken Scott 
Com Cobie Smulders, Vince Vaughn, Chris Pratt

Baseado no hit canadiano “Starbuck”, ”The Delivery Man” é uma comédia aceitável com uma boa onda de humor e uma certa teatralidade familiar, mas embora seja um filme aceitável dentro do universo das comédias norte-americanas, tenho uma certa dificuldade em recomendá-lo ou classificá-lo como um filme decente. No fundo, ”The Delivery Man” é um projeto mediano que pode até fazer rir em certas alturas, mas que no fundo não tem qualquer substância narrativa, já que quer a sua parte dramática, quer a sua parte cómica, não têm qualquer profundidade ou competência. Não quero com isto dizer que este projeto de Ken Scott, o mesmo realizador de "Starbuck", é uma péssima escolha para um serão de cinema leve e descontraído, mas se procura um filme que seja realmente divertido do início ao fim, ou então um pouco mais interessante e coeso do ponto de vista moral, então esta comédia não parece ser realmente a escolha ideal.

 

A única coisa que não falha neste filme é Vince Vaughn, que em todas as sequências em que participa está sempre em cima do acontecimento com um grande à-vontade e com uma forte presença, sendo por isso o único elemento de relevo do elenco e até de toda a comédia, onde interpreta o papel de David Wozniak, um homem pouco determinado e completamente imaturo que, ainda assim, conseguiu levar, até agora, uma vida tranquila e quase perfeita ao lado da sua namorada, mas este seu mundo perfeito desaba quando recebe a bombástica notícia de que é o pai biológico de mais de quinhentos filhos, e que cerca de um terço deles intentaram um processo judicial com o objetivo de o conhecerem pessoalmente. Esta surpreendente notícia começa por chocar David, mas acaba por motivá-lo a tornar-se numa pessoa melhor e a responsabilizar-se, de uma vez por todas, por todos os seus atos e atitudes, mesmo que isso implique ter que sacrificar tudo o que tem para fazer feliz os seus quinhentos filhos e a sua namorada que, por coincidência do destino, também está grávida de um filho dele. 

   

O guião de “The Delivery Man” até aposta numa ideia potencialmente interessante, mas esta sua génese nunca é devidamente aprofundada ou transfigurada, já que o filme faz por esquecer rapidamente a parte mais criativa e curiosa do filme, acabando mesmo por substituí-la por uma componente melodramática e familiar com pouco ritmo e já muito corroída, que coloca o protagonista no centro de uma jornada de autodescoberta onde entra em contacto com as suas mais profundas emoções e decide, por fim, mudar de vida para agradar aos seus entes queridos e corresponder às suas expetativas. É claro que, pelo meio, este projeto passa várias mensagens familiares comoventes, mas toda a parte melodramática do enredo é pouco convincente, sendo que a parte cómica também não é de luxo, apesar de ainda assim propiciar ao espetador certos momentos de relativo entretenimento que, mesmo assim, são manifestamente escassos para tornar este projeto em algo mais que uma comédia básica e mediana que, infelizmente, pouco tem a ver com a versão canadiana que influenciou a sua criação e que, curiosamente, até foi realizada pelo mesmo cineasta.

Classificação - 2 Estrelas em 5

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