Pérolas Indie - The Zero Theorem (2013)

Realizado por Terry Gilliam
Com Christoph Waltz, David Thewlis, Mélanie Thierry
Género - Drama

Sinopse - Qohen vive isolado numa antiga igreja incendiada, à espera de um telefonema, convencido que este lhe dará as respostas que ele tanto procura. Ele trabalha num projeto misterioso, instruído por "Management", com o objetivo de resolver o teorema zero e descobrir a razão da existência - ou a falta dela - de uma vez por todas. Mas a sua solitária existência é interrompida pelas visitas da sensual Bainsley e de Bob, o filho prodígio do "Management". Entretanto, quando ele experimenta o poder do amor e do desejo é capaz de entender sua própria razão de ser.

Crítica - Tal como o próprio Terry Gilliam, "The Zero Theorem" é extravagante, complexo e por vezes imperceptível. É certo que está longe de ser um dos melhores projetos deste consagrado e imaginativo cineasta, mas qualquer um consegue ver o seu toque bem particular nesta obra futurista e satírica, onde o humor negro e o drama psicológico unem-se numa espécie de paródia ao futuro da nossa sociedade tecnológica. É um filme estranho, sem dúvida, com muitas coisas sem sentido e uma excentricidade sem rival, mas para quem aprecie o estilo próprio de Gilliam e/ou para quem vibre com projetos exagerados e completamente fora do espectro comum, "The Zero Theorem" promete ser uma viagem cinematográfica bem passada e repleta de surpresas. Já para quem não se enquadra em nenhuma destas categorias específicas, então receio bem que esta longa metragem bem específica não passará de uma grande perda de tempo sem qualquer sentido. É portanto um filme muito próprio com um público alvo muito particular, sendo por isso o exemplo perfeito de um filme que se ama ou que se odeia, porque é impossível ficar com uma opinião neura em relação a um projeto tão singular e peculiar como este. Sendo por isso perfeitamente compreensível que exista quem o considera uma obra prima ou então um pedaço de lixo sem relevo. 
Tal como o perplexo e extravagante "Brazil", "The Zero Theorem" transporta o espectador para uma espécie de sátira poética e até bastante constrangedora do possível futuro da nossa sociedade, sendo certo que esta complexa sátira não é nada fácil de dissecar porque é bastante agressiva na forma como oculta as mensagens metafisicas e cerebrais que pretende passar para o público. Cabe a este a difícil tarefa de decifrar todos os pontos nevrálgico que Gilliam pretende transmitir com a jornada de Qohen, uma personagem estranha que tenta compreender um mundo impessoal mas repleto de noções de religião, amizade, amor ou tecnologia que reforçam a Humanidade no seio de um Universo frio e distante. É impossível encontrar no seu guião uma resposta básica e fácil para explicar o seu sentido, porque não estamos perante um filme fácil de ver ou contextualizar, mas sim perante um conjunto de pontos psicológicos, filosóficos e proféticos que separadamente são estranhos, mas que em conjunto com tudo o resto que vemos acabam por montar um puzzle credível e interessante que reforça um espectro de excentricidade e loucura futurista. Há que dar mérito a Terry Gilliam por, mais uma vez, ter conseguido jogar com o humor e a seriedade para criar um quadro profundo mas exagerado que tem no seu epicentro um estranho paralelismo com o possível futuro da Humanidade e as questões de um Universo técnico. O poder desta mensagem sem esperança e de consequências trágicas é ainda reforçado por um conjunto de cenários claustrofóbicos e frios, que reforçam a dimensão negativa e impessoal da realidade futurista. Tais cenários ajudam também a aproximar as personagens e a agigantar as suas tão importantes interacções que, no fundo, dão um grande calor humano e emocional a este projeto.
Um dos principais alicerces de "The Zero Theorem" reside na enigmática performance de Christoph Waltz que mostra, aqui, que também consegue ser um grande ator longe da violência dos projetos de Quentin Tarantino. A sua performance é poderosa e suficientemente pessoal para dar uma dimensão credível à sua enigmática personagem, sobre a qual gira toda a história do filme e todas as suas mensagens de amor, poder e crença. Os astros Mélanie Thierry, David Thewlis, Lucas Hedges e, claro, Tilda Swinton ajudam também, com as suas respetivas personagens, a darem algum sentido e força a este drama futuristico que, mais uma vez, reforça a imaginação de Terry Gilliam, bem como a sua capacidade para criar um filme perplexo e singular que apresenta ao mundo algumas personagens intrigantes. Entre estes exemplos contam-se o socialmente complexo Qohen ou o universalmente poderoso Management (Voz de Matt Damon), que pode muito bem ser descrito como uma versão pseudo humana e menos aguerrida do vilanesco Matrix. 

Crítica - 3,5 Estrelas em 5

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