Pérolas Indie - Night Moves (2013)

Realizado por Kelly Reichardt 
Com Dakota Fanning, Jesse Eisenberg, Peter Sarsgaard 
Género - Thriller 

Sinopse - A história de três ambientalistas radicais que se juntam para executar a maior acção das suas vidas: a explosão de uma barragem hidroeléctrica – fonte e símbolo da cultura industrial que eles desprezam.

Crítica - A 22ª Edição do Curtas de Vila do Conde foi o palco da estreia nacional do thriller independente "Night Moves", que chegou ao Curtas e a Portugal com o rótulo de sensação indie, isto após ter passado em 2013 com grande sucesso por vários festivais de renome internacional, como Veneza e Toronto. Esse rótulo tem uma certa razão de ser, mas confesso que "Night Moves" não é tão deslumbrante ou intenso como esperava. O filme aposta, como é óbvio, em várias mensagens ecológicas que dão força e contexto à sua intriga, mas estas são de longe o menos importante do filme porque, no fundo, as questões da preocupação ecológica e do terrorismo ecológico apenas são utilizadas como uma espécie de cenário contextual para uma história criminal que se desenvolve em duas partes bem distintas. A primeira explora o planeamento e posterior execução do plano terrorista levado a cabo pelos três ecologistas fanáticos. É nesta parte que são exploradas as ténues relações pessoais entre os três terroristas, que vão cumprindo de forma algo atabalhoada o plano que delinearam de forma tão superficialista. É neste ponto que se torna evidente que algo mais vai acontecer no filme após a concretização do plano, já que a tríade de terroristas rapidamente se transforma numa espécie de triângulo amoroso repleto de tensão emocional e sexual que, como é óbvio, acaba por dar para o torto de uma forma já esperada quando o plano terrorista tão perfeito acaba por correr mal e dois dos três terroristas começam a evidenciar um claro desnorte emocional que resulta, diretamente, da sua culpa interior e da sua aparente imaturidade. Este contexto problemático transporta o espectador para uma segunda parte mais carregada por suspense, que nos mostra um dos terroristas a tentar lidar com as consequências do seu ato e silenciar/ resolver todos os problemas que apareceram de forma inesperada na sua vida, problemas esses que ganham vida graças aos medos da sua colega terrorista e antigo interesse romântico. 
Esta segunda parte é mais curta que a primeira mas, pelo menos, é um pouco mais mexida e está recheada de mais emoção. Esta energia e suspense acabam por culminar numa parte final algo esperada mas que, ainda assim, completa de forma adequada um filme competente que consegue explorar de uma forma algo distanciada a desconstrução moral e emocional dos dois terroristas interpretados por Elle Fanning e Jesse Eisenberg. Estes dois jovens astros assumem os seus difíceis papéis com grande destreza, tal como Peter Sarsgaard no papel do terrorista mais experiente, mas cabe a Eisenberg o grande destaque deste projeto, até porque a sua personagem assume um papel mais preponderante, especialmente na segunda parte onde a componente mais psicótica da sua personagem vem ao de cima. Esta psicose final é bastante importante para o filme porque dá-lhe a tão desejada força vital que até então não se tinha evidenciado, mas importa referir que a origem dessa psicose é bem contextualizada pela essencial primeira parte desta pérola indie que, embora não seja tão forte ou intensa como se esperava, acaba por evidenciar a sua competência na forma como explora uma intriga bem montada e apoiada por uma fotografia belíssima que evidencia a grande beleza natural do estado do Oregon, nos Estados Unidos. 

Classificação - 3,5 Estrelas em 5

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