Crítica - Magic in the Moonlight (2014)


Realizado por Woody Allen
Com Colin Firth, Emma Stone, Marcia Gay Harden

“Magic in the Moonlight” não será dos filmes mais memoráveis de Woody Allen, um dos cineastas mais icónicos da 7ª Arte contemporânea, mas é um filme bastante agradável e que em nada desprestigia a já longa carreira do neurótico realizador nova-iorquino. Desta feita, somos convidados a acompanhar as desventuras de um talentoso mágico de renome que dá pelo nome de Wei Ling Soo (Colin Firth). No final de um dos seus fabulosos espetáculos de magia, Wei Ling Soo (ou Stanley, fora dos palcos) é visitado por um amigo de longa data – o também mágico Howard (Simon McBurney) – e ambos decidem tomar um copo. É aí que Howard fala a Stanley de uma jovem rapariga chamada Sophie (Emma Stone) que parece possuir poderes extrassensoriais genuínos. Sendo um dos maiores detratores de médiuns e charlatães de que há memória, Stanley prontifica-se então de imediato a conhecer a jovem para averiguar se ela é tão talentosa como todos dizem ou se não passa de mais uma intrujona que vive à custa da ingenuidade do povo. 


Há certos elementos com os quais podemos sempre contar em qualquer filme de Woody Allen. Regra geral, há sempre uma personagem terrivelmente neurótica e/ou hipocondríaca que é o absoluto espelho do realizador; há sempre uma aura de humor mordaz a pairar sobre a película, onde o cineasta aproveita para exteriorizar tudo o que lhe vai na alma, criticando tudo e todos a seu bel-prazer; há sempre cenários magníficos, filmados como ninguém; há sempre música jazz requintadamente escolhida para cada ocasião; há sempre um argumento minimamente complexo e interessante; há sempre uma reviravolta nesse mesmo argumento, apanhando os mais distraídos de surpresa; e há sempre uma bela história por detrás de tudo isto, histórias como só mesmo Allen sabe contar. “Magic in the Moonlight” não foge à regra e contém todos estes elementos tipicamente “Allenianos”. Colin Firth está brilhante na pele do mágico mais cínico e inconveniente de todos os tempos, mais desbocado que um vira-lata e mais arrogante que um Rei medieval. Sempre que abre a boca, entendemos que é Allen que está a falar, que é o cineasta que está a exteriorizar os seus demónios interiores, desta feita criticando o mundo dos médiuns e do oculto. Mas apesar de a sua personagem ser uma espécie de caricatura do velho Woody, ninguém retira o mérito a uma prestação carismática de Firth, ainda para mais num registo diferente do que lhe é habitual. De realçar as cenas em que Firth vai lentamente desconstruindo o seu próprio modo de pensar, sequências tão irónicas como hilariantes. Emma Stone está igualmente competente (como é seu apanágio) e os seus olhos enormes só enaltecem a estranheza da sua personagem, levando-nos a acreditar nela mais facilmente. Claro que os cenários são belíssimos e filmados por Allen com a destreza e genialidade do costume, e claro que a elegância típica do cineasta está de volta, já que “Magic in the Moonlight” expira cinema clássico de Hollywood por todos os poros. Este é mais um daqueles filmes que nos deixa com o coração bem quente, à semelhança do que sucede sempre que vemos “Midnight in Paris”, uma das maiores pérolas que Allen nos ofereceu nos últimos anos. Porém, “Magic in the Moonlight” não possui a mesma consistência nem a mesma relevância de “Midnight in Paris”, tornando-se um pouco previsível ao fim de alguns minutos e não conseguindo ir muito para além do simpático. Fica a imagem de uma obra agradável e bonita, mas pouco mais. 

Classificação – 3 Estrelas em 5

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