Crítica - The Hobbit: The Battle of the Five Armies (2014)

Realizado por Peter Jackson
Com Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Orlando Bloom

Em 2001, o mundo inteiro ficou a conhecer o fantástico universo da Terra Média graças ao génio criativo de Peter Jackson, que não desistiu do seu sonho de sempre e adaptou com sucesso ao cinema uma história que muitos julgavam impossível de transpor para uma linguagem cinematográfica. 2014 assinala o fim da longa viagem que os cinéfilos foram convidados a percorrer e é difícil escapar a um forte sentimento nostálgico. É o fim de um ciclo, o culminar de uma aventura inesquecível na companhia de personagens tão carismáticas quanto fascinantes. A Terra Média de Peter Jackson alterou para sempre a face do género Fantástico, trazendo-lhe prestígio e uma muito bem-vinda dose de credibilidade. Claro que muitos épicos de fantasia tentaram seguir a mesma fórmula desde então e não conseguiram sequer chegar aos calcanhares desta autêntica epopeia “Tolkieniana”. Mas há que reconhecer que as aventuras na Terra Média abriram as portas a uma nova era do cinema contemporâneo, afirmando-se como o gourmet do Fantástico, a Bíblia do género. “The Hobbit: The Battle of the Five Armies” é a conclusão bombástica que esta epopeia merecia, um filme bélico e repleto de sequências vistosas que faz a ligação perfeita com a trilogia “The Lord of the Rings”. Não é o mais consistente dos filmes da Terra Média, é verdade. Raios, nem sequer é o mais equilibrado da trilogia “The Hobbit” (esse prémio vai para o primeiro capítulo, “An Unexpected Journey”). Porém, é divertido, é belo, é espetacular e, a espaços, consegue ser comovente, muito embora alguns lugares-comuns nos façam torcer o nariz ao longo da película. 


Os anões conquistaram finalmente a sua montanha e o reino de Erebor. Todavia, nem tudo são rosas porque o dragão Smaug continua vivo e os habitantes da Cidade do Lago estão prestes a pagar o preço do atrevimento da companhia de Thorin (Richard Armitage). Para além disso, as forças de Sauron comandadas por Azog continuam a crescer em segredo e preparam um ataque-surpresa à Montanha Solitária. Só uma inesperada união de forças por parte das várias raças da Terra Média poderá evitar uma calamidade… É neste ponto que a narrativa se encontra no início deste “The Hobbit: The Battle of the Five Armies” e facilmente se compreende que estamos perante uma obra cheia de ação e adrenalina. Tal como o título indica, este derradeiro capítulo da trilogia “The Hobbit” foca-se quase por inteiro na grande batalha final dos cinco exércitos (anões, elfos, homens, orcs e águias), tornando-o o capítulo mais espetacular da trilogia, pelo menos em termos visuais. Exércitos enormes deslocam-se e chocam em 3D ante os nossos olhos de forma verdadeiramente estrondosa, criando sequências vistosas que valem bem o preço do bilhete de cinema. Como não podia deixar de ser, a batalha foi bem preparada para que houvesse uma noção de ritmo e escalada. Contudo, a certa altura torna-se um pouco confusa devido às várias frentes em que se desenrola e a montagem por vezes descuidada não ajuda o espectador a organizar as ideias. O cuidado com o detalhe continua presente e a banda-sonora de Howard Shore ajuda a enaltecer o sentimento épico dos acontecimentos. Mas algumas opções criativas deixam algo a desejar e são muitas as vezes em que damos por nós a pensar em clichés e déjà-vu. Bard torna-se o herói das hostes de forma algo conveniente e a relação de amor entre Kili e Tauriel continua a ser sobejamente forçada. Isto faz com que este capítulo final seja bom, mas não a bomba cinematográfica por que todos esperávamos. Não é uma despedida triste da Terra Média, bem pelo contrário. Mas fica mesmo a ideia de que não seria necessária uma trilogia. Um segundo filme com maior duração e uma montagem cuidada talvez tivesse dado azo a um tomo final mais completo e consistente a todos os níveis. Ainda assim, foi bom visitar a Terra Média por uma última vez, ainda por cima com tamanho espetáculo de fogo-de-artifício. Quem sabe se voltaremos a visitá-la daqui a uns anos, quando tiverem a coragem de adaptar “O Silmarillion”…

Classificação – 4 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. bem, eu costumo gostar muito das vossas criticas e reconheço que estão quase sempre acertadas mas esta aqui, bem, nem sei como classificar. este filme é sem dúvida o pior de todos os filmes na terra média e é um tiro no coração de quem, como eu, é fã dos livros.

    nem me vou meter muito pela história demasiado inventada que o filme tem (três filmes para um livro só?) mas o filme foi feito claramente por alguém que não é fã dos livros, tem erros parvos de faltas de contas (aquela fala no fim a dizer para o Legolas ir ter com o Aragorn é parva demais).

    Depois tem demasiado CGI, falhas atrás de falhas, exemplos:
    Os anões destroem a ponte que dá passagem para a entrada da montanha e barricam-se lá, quando se lembram de sair, sabe-se lá como aquilo está cheio de água e as pedras que usaram para fechar a entrada formam uma nova ponte.. wat?!
    e aquela do Legolas usar o gigante para destruir uma torre que também vai formar uma ponte (que nunca ficaria estável se aquilo realmente acontecesse) e depois quando é destruída o Legolas vai saltando de pedra em pedra que vão caindo sequencialmente.. wat?!?!

    Nah, este é dos piores filmes que já vi, demasiado forçado e sem qualquer lógica, um filme feito simplesmente para encher os bolsos.

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