Crítica - The Second Best Exotic Marigold Hotel (2015)

Realizado por John Madden 
Com Judi Dench, Maggie Smith, Bill Nighy

Em 2012, "The Best Exotic Marigold Hotel" surgiu no panorama cinematográfico internacional como uma surpreendente lufada de ar fresco que tocou os corações de inúmeros espetadores em todo o mundo graças, sobretudo, a um argumento simples que apela de uma forma natural e ternurenta à simpatia pessoal do público e ao seu desejo de se perder numa história descomplicada mas surpreendentemente empolgante. Este filme foi, por esta e outras razões, um sucesso geral a nível global e, como é óbvio, a Fox Searchlight sentiu-se motivada a avançar com uma sequela intitulada "The Second Best Exotic Marigold Hotel". É certo que este título não é muito original, no entanto, o que importa salientar é que esta segunda entrega mantém o agradável espírito descontraído e divertido do primeiro filme, apesar de não apresentar um argumento tão completo, natural ou especial. O primeiro filme, recorde-se, segue a jornada de adaptação e autodescoberta pessoal de um pequeno grupo de reformados britânicos que decidem trocar o convencional ambiente do Reino Unido pelo ritmo barulhento da India, para assim disfrutarem do seu merecido período de reforma a um preço razoável. Esta sequela já nos mostra todos os reformados britânicos que transitaram do primeiro filme perfeitamente ambientados à realidade indiana e já com novas vidas recheadas, mas tais experiências novas trazem com elas novos desafios, quer para estes simpáticos idosos, quer para o jovem dono do hotel que os acolhe. 


Embora também seja uma dramédia positiva com um espírito igualmente descomplexo e despretensioso, "The Second Best Exotic Marigold Hotel" acaba por não ser tão profundo ou empolgante como o filme original. O problema é que esta sequela foca-se mais no jovem empresário Sonny (Dev Patel), que perante a sua crescente ambição tem que lidar, em simultâneo, com a expansão do seu negócio e as complicações do seu noivado. Esta aposta numa direção narrativa mais jovem retira muito impacto e poder às jornadas pessoais dos idosos, os verdadeiros protagonistas do primeiro filme, mas que nesta segunda entrega são maioritariamente atirados para subtramas românticas que, embora curiosas, acabam por não puxar tanto pelo espectador como os dramas, dilemas e aventuras que enfrentaram no primeiro filme. O ambiente leve e descontraído do primeiro filme mantém-se bem presente, como também se mantém o seu humor refinado tão característico, mas aquele toque de emoção natural do primeiro filme já não está tão presente e, apesar desta sequela ser também ela muito divertida e fácil de ver, não apresenta aqueles elementos de originalidade, surpresa ou aproximação humana e afetiva que fazem parte da essência do primeiro filme mas que nesta continuação já não estão tão vincados. O que também se nota é que “"The Second Best Exotic Marigold Hotel" também esqueceu um pouco a aposta na presença da cultura indiana em detrimento de outros apontamentos mais comerciais porque, excetuando as cerimónias matrimoniais que são bem visíveis, pouco ou nada existe no filme que evidencie exemplos óbvios da cultura indiana e de toda a sua bela especificidade. O mesmo já não acontece no primeiro filme, onde a cada esquina aparece um exemplo da vasta riqueza da cultura indiana e de todas as suas vertentes. 


Ainda assim, "The Second Best Exotic Marigold Hotel" não deixa de ser um projeto agradável e engraçado, apesar de não estabelecer junto do espetador um vínculo emocional ou humano tão forte ou dedicada como o primeiro filme, no entanto, representa mesmo assim uma experiência divertida e bastante leve que promove uma certa dose de boa disposição a quem o vê. Para este resultado final positivo muito contribuiu o seu experiente elenco liderado por estrelas como Judi Dench, Maggie Smith ou Bill Nighy que, tal como aconteceu no filme anterior, apresentam uma excelente performance, tal como os igualmente experientes e repetentes Celia Imrie e Ronald Pickup. Os jovens protagonistas interpretados por Dev Patel e Tinai Desai também têm uma performance razoável, mas o problema é que a história das suas personagens não tem o poder dramático, natural ou emotivo que as histórias das personagens que são interpretadas pelos seus colegas mais experientes e isso, como já referi, acaba por ser a grande falha deste segundo filme.

Classificação - 3 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. Ver e ouvir, novamente, duas das grandes divas do cinema britânico, Maggie Smith and Judi Dench, intercalar um diálogo com frases tão divinalmente bem escritas, de arrepiar a mais sensível parte de mim, foi o suficiente para dizer que eu: ADOREI o filme. :)

    Bill Nighy tão naturalmente ele, como sempre. O charme em pessoa.


    ***

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