Crítica - Woman in Gold (2015)

Realizado por Simon Curtis
Com Helen Mirren, Katie Holmes, Ryan Reynolds 

Após ter arrancado elogios pelo seu grande trabalho em "My Week with Marilyn" (2011), Simon Curtis não conseguiu repetir tal façanha como este seu novo projeto intitulado "Woman in Gold", uma espécie de cruzamento entre uma cinebiografia e um drama jurídico que nos aparece muito apagado ao nível das emoções e do resultado dramático, não conseguindo por isso fazer justiça a uma história real que tinha capacidade para originar um retrato humano muito mais vigoroso e consagrado do que aquele que nos é apresentado.
Tal resultado menos positivo e impactante contrasta com a ilustre performance de Helen Mirren que, sem surpresas, está praticamente perfeita na pele da protagonista Maria Altmann, uma mulher judia refugiada em Los Angeles desde a 2º Guerra Mundial que, em 1998, começa a sua jornada para recuperar os vens da família apreendidos pelos nazis, entre os quais o famoso quadro “Retrato de Adele Bloch-Bauer I”, de Gustav Klimt. Ao lado do seu jovem e inexperiente advogado Randy Schoenberg (Ryan Reynolds), Maria Altmann embarca numa grande batalha jurídica que os leva a enfrentar o Estado Austríaco e o Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos e que a obriga, ao longo deste processo, a confrontar verdades complicadas sobre o passado. A performance de Mirren é deveras vigorosa e a principal estrela desta produção, não só porque consegue incutir uma certa alma à trama pobremente aproveitada pelos responsáveis por esta obra, como também faz justiça ao carisma e à força de vontade de Maria Altmann, uma mulher real, já falecida, que certamente teria tido muito orgulho no retrato elaborado por Mirren. 


O filme, propriamente dito, tem como já se percebeu na sua base uma história verídica que poderia ter sido melhor aproveitada, quer na sua parte mais direcionada para os problemas jurídicos do caso real que aqui se fala, quer na parte em que recupera as memórias da protagonista sobre a ocupação Nazi da Áustria que, como se sabe, não foi propriamente uma ocupação forçada e, verdade seja dita, tal facto é vincado pelo filme. O que importa é que, num plano geral, estes dois elementos são pobremente explorados, não contendo aquele vigor dramático e tenso que se esperava. No fundo, “Woman in Gold” não passa para o espectador aquele drama tão característico das melhores produções que evocam os horrores e emoções da 2º Guerra Mundial, nem sequer incute aquela dose de suspense dramático ou enquadramento intelectual que supostamente deveria marcar presença em toda a questão jurídica que opôs Maria Altmann ao Governo Austríaco. À margem da notória pobreza narrativa da contenda jurídica e do pobre aproveitamento dos flashbacks que nos transportam até à 2ª Guerra Mundial, “Woman in Gold” apresenta ainda, num ponto narrativo mais secundário, uma fraquinha novela dramática que envolve as problemáticas familiares que rodeiam a rotina dispensável do advogado da protagonista que, já agora, é interpretado com um certo toque de qualidade por Ryan Reynolds que, ainda assim, aparece muito longe do nível exibido pela ilustre Helen Mirren que, mesmo perante as debilidade de um guião mal aproveitado, conseguiu ainda assim incutir à sua personagem uma dimensão pessoal riquíssima que enaltece os seus monólogos ou sequências mais separadas, sendo que estes breves momentos de emoção e humanidade representam também um dos melhores apontamentos destes drama. O que se conclui é que, com um pouco mais de qualidade e com um tratamento humano e dramático mais impactante, “Woman in Gold” poderia ter ambicionado voos mais altos e, quem sabe, chegar até à época de prémios, mas o resultado que nos é apresentado é demasiado mediado para tal objetivo, ainda assim, só pode ser considerado um filme curioso pata se ver nesta época do ano que é, como se sabe, quase dominada por completo pelos blockbusters de Hollywood.

Classificação - 2,5 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. "Mulher de Ouro": 5*

    Eu não tinha grandes esperanças para o filme "Mulher de Ouro" e surpreendeu-me positivamente.
    É um filme obrigatório este "Woman in Gold".

    Cumprimentos cinéfilos, Frederico Daniel!

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