Crítica - Mr. Holmes (2015)

Realizado por Bill Condon
Com Ian McKellen, Milo Parker, Laura Linney

Se aprecia as adaptações televisivas, cinematográficas ou até teatrais que exploram os misteriosos casos investigados pelo Detetive Sherlock Holmes e o seu fiel aliado Dr. Watson, sejam elas clássicas, alternativas ou recentes, então prepare-se porque "Mr. Holmes" nada tem a ver com essas obras de cariz policial e repletas de mistérios imaginados por Sir Artur Conan Doyle entre os finais do Século XIX e inícios do Século XX, mas é ainda assim um produto cinematográfico que agradará a qualquer fã desta icónica personagem e não só, porque é um drama deliciosamente competente, emocionante e completo que explora como nenhum outro projeto até à presente data o lado mais Humano e Mortal do icónico Sherlock Holmes, preferindo assim dar enfase a um retrato inesperado sobre as fragilidades do protagonista e não apenas à ação, tensão e mistério dos seus inquietantes casos, algo que acaba por conferir a "Mr.Holmes" uma profundidade dramática surpreendente mas muito imponente e quase realista que combina muito bem com uma doçura semi-familiar que deriva da interação de um envelhecido Sherlock Holmes com o seu novo ajudante que mais não é que um menino muito astuto e humilde que espera torna-se no próximo grande detetive do Reino Unido e que, para esse efeito, espera ajudar o quase senil detetive a lembrar-se do seu último caso e, assim, morrer com a consciência tranquila.


Há um pequeno mistério no centro de "Mr. Holmes" que, quando aliado a pequenos traços, maneirismos e familiaridades que estão diretamente relacionados com as clássicas investigações de Sherlock Holmes, aproximam este filme às restantes produções protagonizadas por esta personagem, mas no fundo esta obra é muito diferente e tais mistérios e maneirismos tornam-se mesmo irrelevantes, porque o que verdadeiramente sobressai como mais emocionante e interessante nesta produção é o retrato íntimo, frágil e até familiar que é feito de um senil Sherlock Holmes que procura, por vezes sem a lógica que todos nós lhe reconhecemos, respostas muito pessoais para várias perguntas que assombram o seu passado e que lhe criaram uma mágoa enorme que, no final, é aproveitada para rentabilizar e dramatizar uma conclusão muito forte e intensa que se revela essencial para conseguirmos alcançar uma visão inesperada mas espantosa de uma personagem muitas vezes retratada com demasiada estoicidade e distanciamento emocional.
Esta virtude narrativa de "Mr. Holmes" é exponenciada por uma direção muito cuidada de Bill Condon, mas especialmente por uma performance brilhante do experiente Ian McKellen que, simplesmente, está sublime na pele de Sherlock Holmes, conferindo a esta icónica personagem uma humanidade mais experiente, expressiva e em alguns momentos até ternurenta que reforça com maior vigor as emoções, fragilidades e dramas internos do famoso detetive fictício que nesta obra, já no final da sua vida, aparece-nos como um homem quebrado e completamente sozinho mas com um coração de manteiga capaz de derreter qualquer um, sendo certo que muita desta força emocional que é provocada junto do espectador comum deve-se à prestação do brilhante Ian McKellen, um verdadeiro Senhor da Arte da Representação que eleva a personagem de Sherlock Holmes a uma nova dimensão.

Classificação - 4 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. muito interesante, mas, faça favór quebre o seu frases em partes menores. Lerá mais facil com menos confusão. obrigado

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