Crítica - Star Wars: The Force Awakens (2015)

Realizado por J.J. Abrams 
Com Harrison Ford, Carrie Fisher, Mark Hamill 

A espera terminou. O novo capítulo da Guerra das Estrelas já estreou, mas após este evento há boas e más notícias. A boa notícia é que "Star Wars: The Force Awakens" é superior em praticamente tudo às prequelas (Capítulo I, II e III) que, de certa forma, mancharam um pouco a brilhante história iniciada por George Lucas em 1977. A má notícia é que, embora seja relativamente superior e não introduza nenhuma personagem tão detestável como Jar Jar Binks, "Star Wars: The Force Awakens" é um filme bastante repetitivo, incompetente e inconsequente.



Vamos, no entanto, começar pelo melhor que "Star Wars: The Force Awakens" tem para nos oferecer. Um dos principais medos dos fãs de "Star Wars" era que este primeiro produto sob a alçada da Walt Disney se tornasse, por iniciativa do seu novo estúdio, um filme mais infantil ou familiar. Estes medos são infundados, já que a base de "Star Wars: The Force Awakens" resistiu às tentações infantis que podem ser associadas à Walt Disney e manteve, assim, bem vivo o tradicional espírito sci-fi deste popular franchise. O ambiente quase mágico da Guerra das Estrelas prevalece assim com o mesmo tom que nos foi apresentado nos Anos 70, sendo aqui adequadamente acompanhado por uma componente técnica de elevada qualidade. Não há portanto quase nada de negativo a apontar aos efeitos especiais de elevado calibre computorizado ou às caracterizações especiais de enorme detalhe espacial que contribuem para a construção visual e sonora deste Universo. Isto representa uma melhoria significativa relativamente aos três filmes anteriores que, recorde-se, apresentam muitas falhas neste importante capítulo.
O outro elemento destacadamente positivo desta obra é o seu elenco que mistura a experiência com a juventude. No plano da juventude destacam-se os jovens desconhecidos John Boyega e Daisy Ridley. Estes novatos profissionais interpretam, respetivamente, Finn e Rey, os dois protagonistas desta entrega e, porventura, dos próximos dois capítulos. As suas personagens cruzam caminhos por mero acaso no principio do filme e, a partir daí, vivem em conjunto uma aventura especial que fortalece o seu improvável laço de amizade e, quem sabe, um futuro um pouco mais próximo ao romance. As suas prestações são convincentes e jogam de forma equilibrada com o padrão mais simplista desta entrega. Não se poderia pedir muito mais a qualquer um dos dois, já que ambos têm uma performance sólida que, embora não seja memorável, cumpre o que seria de esperar perante os tímidos desafios que lhes são propostos. Adam Driver, o outro jovem do elenco, já não está tão bem. A sua performance no papel do vilão Kylo Ren tinha tudo para ser memorável, nem que fosse pelo inerente peso e passado da sua personagem, mas Driver acaba por não brilhar tanto como deveria. É certo que a própria construção de Kylo Ren não o ajuda, mas devia pedir-se muito mais a um interprete demasiado estático para uma personagem tão forte e relevante. 
Já no campo dos atores experientes, Harrison Ford acaba por ser o único membro do elenco original de "Star Wars" que consegue sobressair pela positiva. É verdade que o seu Han Solo é a única personagem da velha guarda que tem um importante destaque no filme, mas ainda assim é justo referenciá-lo pela sua performance positiva que, por arrasto, ajuda a promover uma das sequências mais importantes. Os mediáticos mas novatos do franchise Oscar Isaac, Gwendoline Christie e Domhall Gleeson têm papeis secundários importantes mas pouco interessantes no conjunto deste filme. As suas performances sofrem por isso bastante com esta falta de imponência. Os também conhecidos Andy Serkis e Lupita Nyong'o, que assumem personagens criadas por animação computorizada, também não favorecem muito o filme devido à sua limitada capacidade física, mas pelo menos as suas respetivas personagens têm muito mais interesse que as de Isaac, Christie ou Gleeson.


Estes são os pontos positivos. Tudo o resto que esta obra tem para nos oferecer oscila entre o banal, o repetitivo e o mediano. A começar pela sua história. No final de "Star Wars: The Force Awakens" fica no ar uma irritante sensação de repetição e reciclagem de ideias. Não falo da recuperação da velha máxima Lado da Luz Vs Lado Negro da Força. Já se esperava que, à semelhança dos seis filmes anteriores, esta sétima obra recuperasse este tema que, no fundo, faz parte da base central de todo este universo. O grande problema deste capítulo é que a sequência de eventos do confronto entre o Mal e o Bem é praticamente idêntico ao dos três primeiros filmes (Capítulos IV, V e VI). Senão vejamos. ATENÇÃO SPOILERS - Existe o aparecimento no Universo de uma Força Maléfica com um aparato Fascista que apoia a sua Liderança num Líder Misterioso que treina um Cavaleiro do Lado Negro da Força. Há uma Resistência a essa Força Maléfica, sendo notório que essa Resistência não tem capacidade bélica para vencer em confronto direto essa Força Maléfica, tendo que recorrer por isso a tácticas de guerrilha para a combater. Essa Resistência começa por não ter nenhum Cavaleiro da Luz do seu lado, no entanto, por força de eventos inesperados e quase proféticos, acaba por encontrar nos confins do Universo um novo Cavaleiro do Lado da Luz  que vem ter com a Resistência e irá lutar a seu lado. Esse Cavaleiro da Luz vem de um planeta árido onde prolifera o mercado negro. Esse Cavaleiro da Luz também percebe imenso de robótica e mecânica, tendo também uma clara aptidão para as artes marciais. O Cavaleiro da Luz encontra a Resistência por intermédio de um pedido de ajuda de uma entidade próxima à Resistência que ele tem também que salvar, mas também a encontra com a ajuda de um Caçador de Prémios que aparece do nada no seu caminho. A meio da sua jornada para ajudar a Resistência, esse Cavaleiro da Luz descobre o sentido da sua vida num bar intergalático muito manhoso. Para tentar derrotar ou amedrontar a Resistência, a Força Maléfica utiliza uma super arma que destrói planetas para cometer uma terrível atrocidade. Essa super arma tem uma óbvia falha que a torna vulnerável e que nunca existiria uma super arma tão cara e construída com tanto cuidado e secretismo. O Cavaleiro Negro dessa Força Maléfica tem um poderoso segredo familiar, não estando também ainda completamente preso ao Lado Negro. O Cavaleiro da Luz procura treino junto de um Mestre Jedi num planeta remoto, mas sem antes confrontar o Cavaleiro do Lado Negro. Há uma emocionante morte. Há uma intensa luta de sabres de luz, cujo final deixa antever mais lutas semelhantes no futuro. Tudo isto é lhe familiar?
Estes e outros importantes pormenores dos Capítulos Base de "Star Wars" foram descaradamente replicados por este sétimo capítulo que não traz absolutamente nada de novo ao franchise. Há uma completa ausência de criatividade e inovação nesta obra que deve ser muito criticada. É porque os seus responsáveis não se limitaram a dar uma nova cara a estereótipos narrativos. O que fizeram foi muito mais grave, já que copiaram literalmente e sem qualquer vergonha na cara todos os eventos centrais dos primeiros três filmes e deram-lhes uma aparência mais moderna. Isto não os melhorou em nada. Estes eventos surpreenderam nos primeiros filmes e criaram as suas respetivas doses de ação e tensão porque eram inesperados, mas neste capítulo são simplesmente embaraçosos por tudo aquilo que representam. As suas origens são mais que óbvias e fortemente repreensiveis.   É caso até para dizer que a única coisa nova neste novo "Star Wars" é mesmo a forma do sabre de luz do seu vilão. E isto diz muito....
Já todos vimos a história deste filme ser contada de uma forma bem melhor nos Anos 70/80. Já todos sabemos o que irá acontecer e por onde esta história vai caminhar nos próximos capítulos. Salvo uma possível melhoria drástica no próximo filme parece-me que a previsibilidade desta nova trilogia será irritante. Todos pensavam que "Star Wars: The Force Awakens" tinha espaço e potencial para conferir um caminho refrescante e revolucionário a esta saga. A julgar pelo caminho trilhado por esta obra, "Star Wars: The Force Awakens" deu um passo atrás na inovação e na criatividade. A sua história, para além de reciclada, apresenta défices de emoção, drama e aventura a todos os níveis. As surpresas que nos oferece são importantes, mas derivam de surpresas já exploradas em filmes anteriores que superam em muito a destas obras. Tudo no seu enredo é desesperadamente incompetente e sem qualquer pingo de novidade.
Um espectador que conheça bem "Star Wars" terá que ficar desiludido com a história que lhe é apresentada. Havia mil e um caminhos por onde este franchise poderia caminhar e, no final, acabou por seguir um caminho já trilhado no passado por filmes do próprio franchise. É triste. Isto parece uma piada mas não é, "Star Wars: The Force Awakens" tem mesmo um enredo assim tão ridículo que cometeu este erro parvo. E só isto é suficiente para arruinar esta obra. Tudo o resto poderia até estar acima da média, mas a história de "Star Wars: The Force Awakens" é mesmo tão má que arruína por completo esta obra que, infelizmente, não augura nada de bom para o futuro da saga. Há portanto motivos para perguntar: Tanta expectativa para isto?

Classificação - 2 Estrelas em 5

14 comentários:

  1. Verdade ... completamente de acordo.
    :(

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  2. Tanta espera, tanta espectativa, e o filme foi uma decepção de todo o tamanho.

    Nem sei qual é pior, a Ameaça Fantasma ou este.

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    1. Ameaça Fantasma é mil vezes pior, podes crer!

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  3. Da primeira vez que vi o filme achei o mesmo. No entanto, já o revi e não é bem assim. Lembremos-nos da importância cultural desta saga. O facto desta entrada estar muito ciente do seu passado é muitíssimo pertinente. As prequelas passaram-se numa outra época, muito diferente da trilogia original. Note-se que vimos neste filme não foi só repetição. SPOILERS DAQUI EM DIANTE Os planetas que a Starkiller Base destruiu foram os mesmos que celebraram a vitória dos rebeldes no Return of the Jedi. Um imitador do Darth Vader passou para o lado negro matando o pai (enquanto o Vader se redimiu salvando o filho). Vemos stormtroopers, mas agora eles são pessoas, sendo que um deles até foge. É verdade que a Rey espelha a história do Luke, mas há pistas neste filme sobre a sua genealogia (mais não digo). Parece-me que isto vai além da mera "imitação". Melhorou muitos aspectos em relação ao original e apresentou-nos uma história trágica do mesmo mal a erguer-se da campa do Império. Acho que o próprio tema do filme é a repetição da História. Além disso, teve detalhes subtis que fizeram toda a diferença. A arma do Kylo Ren ser tão instável como ele é importante, e é por isso que Adam Driver o interpreta como um "miúdo" normal que idolatra um Sith extraordinário. O tema musical "Snoke" ser quase idêntico ao que toca durante as prequelas quando Palpatine fala de Darth Plagueis também não é acidente nenhum. O design da Cpt. Phasma fazer lembrar o Boba Fett é intencional. É o mesmo mal usando outra pele. As prequelas falharam porque se esqueceram do que esta saga era. Tentaram ser demasiado épicas mas perderam de vista a trilogia original. Este filme expande a mitologia ao mesmo tempo que mostra que nada ficou resolvido. Isto parece-me algo bem mais inteligente e relevante do que contar uma história totalmente nova e proporcionar uma "aventurazita" engraçada de 2 horas aos fãs. Este filme tem, a meu ver, muito menos defeitos do que o Episódio IV. A força está connosco.

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    1. É uma abordagem interessante, sem dúvida, mas continuo a achar que há uma falta de imaginação latente no seio do filme. Compreendo a ideia de homenagem e de uma manutenção do espírito, mas fica aqui um sentimento de oportunidade perdida em relação ao que "Star Wars" se poderia tornar.

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    2. Obrigado pela sua resposta. Compreendo perfeitamente a sua posição, senti o mesmo inicialmente. Mas penso que depois do massacre insosso que foram as prequelas, Star Wars precisava mesmo de reafirmar a sua identidade (e como disse, julgo que introduziu novidades suficientes para que outras duas sequelas possam ser mais inovadoras). Chamemos a este filme uma "ponte" entre a trilogia original e a nova. Não foi ao calhas que escolheram o J.J. Abrams para o realizar (depois do seu reboot do Star Trek). Espero que encontre mais satisfação cinematográfica nas sequelas vindouras. Eu estou mais do que feliz com o Episódio VII : )

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  4. You must be probably the worst critic in the world! Todas as críticas que vi aqui, são péssimas. Esta então é muito pobre, parece mais uma crítica de um "hater" ou seja não percebes um pito de star wars. Eu nem me vou dar ao trabalho de lhe responder. Não vale a pena, veja o filme outra vez! 2/5? WTF? Rotten tomatoes gave the movie a 95% "fresh".

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    1. Os ratings dos Rotten Tomatoes são sempre relativos....Se realmente perder um pouco de tempo a ler os artigos de opinião dos críticos presentes no site, sejam eles top ou não, verá que é quase unanime a opinião que o argumento não acompanha a qualidade dos restantes elementos do filme. Se formos pela opinião do Rotten Tomatoes vemos que as prequelas tiveram todas notas positivas e todos sabemos os seus defeitos....
      Não se ataca "Star Wars" pelo belo prazer de se atacar "Star Wars"....Será que mesmo no seio cultural de "Star Wars", este sétimo capítulo entrega algo de importante à saga? Tal como tudo, o futuro dirá....
      Para mim é fraco, mas quem sou eu... Está apenas aqui uma opinião que por acaso é compartilhada por milhares de pessoas também. Basta ver o que se diz pela internet....A minha opinião não é melhor que a sua nem pior, apenas é a minha opinião e pelo menos está contextualizada.....

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    2. Ainda assim acho que o filme deixou pontas soltas e bons personagens para que o próximo filme seja talvez o melhor da saga! E você fez críticas de outros filmes de Star Wars? Quais são suas notas para todos os outros filmes da saga?

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    3. Vi os outros filmes, mas não os critiquei aqui no Portal Cinema. Sou um fã da trilogia original, não só por tudo o que representou para a época, mas sobretudo por terem uma história nova e diferente sem muitas pontas soltas ou problemas de maior. Já às prequelas são um desastre, quer a nível gráfico, quer a nível narrativo, principalmente o primeiro de todos que é um autêntico sacrilégio para uma saga clássica.

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  5. Desculpe, Sr. Anónimo, estar a meter-me onde não sou chamado, mas não é assim que se discute cinema. Concordo plenamente que o filme é muito bom, mas não apresentou um único contra-argumento articulado contra a crítica exposta neste site. Empregou a falácia ad hominem ao atacar o crítico e não os seus argumentos. Mais ainda: empregou também a falácia do apelo à autoridade ("95% no Rotten Tomatoes") e a no true scotsman, ao afirmar que o critico é um hater que não percebe nada de Star Wars (estando implícito que nenhum VERDADEIRO! fã da saga daria uma nota negativa a este filme). De resto, não apresentou um único argumento válido em defesa da qualidade deste filme.

    Um bom crítico de cinema não é aquele com quem concordamos mais. O valor de uma crítica não está no veredicto final (que é subjectivo) mas na exposição articulada de argumentos que demonstram conhecimento técnico e histórico da arte do cinema.

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  6. Concordo com a crítica excepto os pontos positivos....os efeitos especiais são pobres para um filme sci-fy em 2015.as caracterizações parecem mesmo as máscaras usadas no anos 70..fraco...os cenários pouco detalhados,quase nunca fica a ideia de "outro" planeta...nestes pontos as prequelas estão bem melhores...em termos de história é o q se vê,cópia...só o facto do filme começar com um droide(evolução de r2)q contém informações importantes para os rebeldes,vai parar nas mãos do personagem principal,num planeta árido e deserto.e é perseguido por um vilao mascarado...e mais não é preciso dizer

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    1. Obrigado Market. As prequelas para mim não convenceram a nível técnico, especialmente o primeiro filme, então os cenários subaquáticos de Naboo ainda me assombram os sonhos hoje em dia :)

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    2. Qual a sua nota para cada filme da trilogia clássica? E acho que esse novo Star Wars, mesmo que repetitivo, tem personagens com potencial e uma premissa que, se for bem desenvolvida nos filmes seguintes, pode resultar em trabalhos espetaculares! Torço para isso!

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