Festival de Cannes 2016 - Vencedores e Análise Final

Já chegou ao fim a 69ª Edição do Festival de Cannes. A Palma de Ouro de Melhor Filme da Competição Oficial foi entregue ao drama "I, Daniel Blake", do realizador britânico Ken Loach, que assim conquistou a segunda Palma de Puro da sua carreira, isto após já ter vencido este mesmo prémio em 2006 por "The Wind That Shakes the Barley" (2006). A história deste drama apresente uma forte componente social, já que segue a história de um homem de meia idade que, após sofrer um ataque cardíaco e ser desaconselhado pelos médicos a regressar ao trabalho, tenta receber do Estado os benefícios de invalidez concedidos para o seu caso, mas acaba por esbarrar numa enorme muralha burocrática. Esta obra foi muito elogiada durante o festival e foi desde cedo apontada, pela imprensa europeia, como um dos principais candidatos à Palma de Ouro, assim não se estranha a justa vitória de "I, Daniel Blake" que já tem estreia assegurada em Portugal por intermédio da Midas Filmes. 
O maior derrotado da Competição Oficial do Festival de Cannes foi o drama brasileiro "Aquarius", de Kleber Mendonça Filho. Embora tenha arrancado muitos elogios da imprensa, "Aquarius" saiu de Cannes sem qualquer prémio principal. Neste drama também ele muito social, Sonia Braga interpreta Clara (Sonia Braga), uma jornalista reformada, viúva e mãe de três adultos, que começa a ser assediada para vender a sua casa. "Aquarius" será distribuído em Portugal pela Midas Filmes, tal como "Elle", de Paul Verhoven, outro dos filmes mais elogiados da Competição Oficial, mas que saiu sem nenhum prémio de Cannes. Protagonizado por Isabelle Huppert, "Elle" segue a história de uma empresária que, após ser atacada na sua própria casa, enfrenta um quotidiano de medo e tensão. O muito aguardado "Loving", de Jeff Nichols, também teve boas reações em Cannes, mas este drama sobre um polémico amor interracial acabou também por não conquistar qualquer prémio que justifique, pelo menos para já, o facto de ser considerado um dos favoritos antecipados aos Óscares. Também "La Fille Inconnue", de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne passou um pouco despercebido em Cannes, apesar do histórico dos seus criadores.
Os prémios de representação da Competição Oficial foram entregues a Jaclyn Jose por "Ma'Rosa" (Melhor Atriz) e Shahab Hosseini por "The Salesman" (Melhor Ator). A elogiada performance de Hosseini em "The Salesman" acompanhou os elogios ao novo filme de Asghar Farahdi, que também recebeu o prémio de Melhor Argumento. A sua história segue o drama do casal iraniano Emad (Shahab Hosseini) e Rana (Taraneh Alidoosti) que, após serem obrigados a sair de sua casa, têm que enfrentar um sério drama criminal. O prémio de Melhor Realizador foi entregue, em ex aequo, a Olivier Assayas por "Personal Shopper" e Cristian Mungiu por "Graduation". Os dois realizadores já são veteranos em Cannes e os seus mais recentes filmes conseguiram conquistar múltiplos aplausos do público, apesar de "Personal Shopper" ter divido um pouco mais as opiniões. "Personal Shopper", protagonizado por Kirsten Stewart, segue uma jovem que tem o poder de falar e ver os mortos mas que está prestes a ver este seu segredo ser revelado ao mundo. Já "Graduation" é um drama sobre o crime organizado romeno e as atrocidades que estes cometem contra jovens vítimas do sexo feminino. O palmarés da Competição Oficial fica completo com o Grande Prémio do Júri que foi entregue a "Juste la fin du Monde", o novo projeto de Xavier Dolan. Já com estreia assegurada em Portugal por via da Alambique Filmes, "Juste la Fin du Monde" segue a história de um escritor que regressa a casa para informar a família que irá morrer em breve, algo que dá início a uma série de dramas familiares. É ainda necessário mencionar o drama "American Honey", de Andrea Arnold, que venceu o Prémio do Júri.
No que toca às desilusões do Festival de Cannes há que destacar, em primeiro lugar, o thriller "The Neon Demon", de Nicolas Winding Refn. Após ter desiludido com "Only God Forgives", Refn voltou a apresentar um filme noir demasiado pesado que não convenceu a crítica. É de recordar que a sua história explora o lado mais negro da industria da moda. A sua estreia em Portugal já está marcada para o 2º Semestre de 2016 por via da Leopardo Filmes. Também "Julieta", de Pedro Almodóvar, não convenceu, mas o drama "The Last Face" (2016), de Sean Penn, acabou por ser considerado o pior filme da Competição Oficial e até de todo o Festival de Cannes de 2016. Um pequeno destaque mais positivo vai para "Patterson", de Jim Jarmusch, que pese embora só tenha conquistado a Palma de Ouro Canina, conseguiu sobressair como uma das boas surpresas do festival.


Competição Oficial

Palma d'Ouro para Melhor Filme
"I, Daniel Blake", de Ken Loach

Grande Prémio do Júri
"Juste la fin du monde", de Xavier Dolan

Melhor Realizador
Olivier Assayas por "Personal Shopper"
Cristian Mungiu por "Graduation"

Prémio do Júri
"American Honey", de Andrea Arnold

Melhor Argumento
Asghar Farahdi por "The Salesman"

Palma d'Ouro para Melhor Actriz
Jaclyn Jose em "Ma'Rosa"

Palma d'Ouro para Melhor Actor
Shahab Hosseini em "The Salesman"

Competição Un Certain regard

Prémio Un Certain Regard
"The Happiest Day in the Life of Olli Mäki", de Juho Kuosmanen 

Prémio do Júri
"Harmonium", de Kôji Fukada 

Prémio Especial
"La tortue rouge", de Michael Dudok de Wit 

Outros Prémios

Grande Prémio da Quinzena dos Realizadores
"Mimosas", de Oliver Laxe 

Prémio FIPRESCI - Selecção Oficial
"Toni Erdmann", de Maren Ade

Prémio FIPRESCI - Un Certain Regard
"Dogs", de Bogdan Mirica 

Prémio do Júri Ecuménico
"Juste La Fin du Monde", de Xavier Dolan 


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