Crítica - The Fate of The Furious (2017)

Realizado por F. Gary Gray
Com Vin Diesel, Charlize Theron, Jason Statham, Dwayne Johnsson 

Esta oitava entrega da popular saga de ação "Velocidade Furiosa" é, até hoje, a mais completa e equilibrada. É certo que isto não diz muito sobre o real valor deste capítulo, já que o franchise nunca primou pela qualidade geral e continua a não primar, mas embora "The Fate of the Furious" esteja ainda bem longe de ser um icónico filme de ação, consegue ainda assim elevar ligeiramente os níveis de qualidade, divertimento e competência estabelecidos por entregas anteriores.
A sua história transporta-nos para os eventos posteriores a "Fast & Furious 7", que recorde-se marcou a despedida do protagonista Brian O'Conner  em virtude do trágico falecimento do ator Paul Walker. O protagonismo deste oitava capítulo recai, assim, inteiramente sobre a perspectiva de Dominic Toretto (Vin Diesel) que, em tempos de paz, é novamente aliciado para o mundo do crime por uma misteriosa mulher (Charlize Theron). Esta força-o a trair aqueles lhe são mais próximos, pondo-os à prova e obrigando-os a enfrentar a única ameaça que podem não conseguir travar, o próprio Dom.


A nível do enredo, "The Fate of The Furious" é tão básico como os filmes anteriores, mas denota uma maior maturidade emocional e dramática que o destaca e que exponencia os eventos do filme. É claro que os grandes objetivos continuam a passar pela adrenalina, pela ação, pelo crime e pela velocidade, mas entre as centenas de explosões, lutas, perseguições e tiroteios existe uma ténua linha dramática que se revela bastante refrescante.
Tal indicação mais propensa ao drama e à emoção explora temas relativos à traição, à vingança e à família. Este último tem sido um tema recorrente e cliché do franchise, mas nesta entrega acaba efetivamente por ter um peso real e mais relevante que em produções anteriores. Esta maturidade emocional acaba por conferir um pouco mais de alma e sentido ao filme e franchise, mas não muda, efetivamente, o paradigma da saga e os seus principais objetivos e padrões de entretenimento.
Estes continuam focados para a ação tresloucada e excessiva. À semelhança dos seus antecessores, "The Fate of The Furious" aposta, em larga escala e com enorme propensão mediática, em gigantescas sequências de ação que entusiasmam e divertem um público alvo que já exige sequências desse género. As deste produto acabam por se superiorizar às dos anteriores, sendo também neste capítulo que "The Fate of The Furious" se superioriza aos filmes anteriores. Há duas sequências em particular que são extremamente espectaculares e que honram o espírito extravagante da saga. Tais sequências são as que têm lugar na Sibéria (filmada na Islândia) e em Nova Iorque. Esta última representa alias o melhor exemplo de coordenação e inovação, já que entre as explosões cria, de forma expositiva, um importante aviso sobre o perigoso potencial do ciberterrorismo.


Para além de um enredo mais completo e de um aparato técnico mais atiçado que se reflete em sequências de ação mais explosivas, "Fate of The Furious" tem outra coisa muito importante que o destaca em relação a filmes anteriores: a bela e talentosa Charlize Theron. O franchise já teve muitos vilões, mas nenhum é tão memorável como a Chyper interpretada por Theron. Embora a construção desta vilã seja razoável, é a própria Charlize Theron que a torna naquela que é, até ao momento, a melhor vilã da saga. A sua performance é absolutamente espetacular e magnética, sendo de longe aquela que mais se destaca em todo o filme. O restante elenco encabeçado por estrelas já veteranas do franchise, como Vin Diesel, Dwayne Johnsson, Michelle Rodriguez ou Tyrese Gibson, mantém o nível mediano mas eficaz de filmes anteriores, mas nenhum deles rivaliza com o talento e brilho de Theron que foi, sem dúvida, uma mais valia para o franchise. A nível do elenco há que destacar um cameo curioso de Helen Mirren e a estreia no franchise de Scott Eastwood, que parece destinado a ser o substituto de Paul Walker. E digo isto porque Eastwood representa a mesma personagem que o falecido ator representou, ou seja, um rapaz branco e loiro com bom aspecto e gosto pela velocidade que é também uma força de autoridade. 
No cômputo geral, "Fate of The Furious" é portanto um competente blockbuster que deslumbrará o seu público alvo e que eleva, tenuamente, o nível da saga. É um filme cheio de ação e adrenalina focado numa vertente mais relacionada com o crime e assaltos, como os capítulos anteriores, mas que também não esquece as raízes das corridas, como tão bem prova a sua sequência inicial. 


Classificação - 2,5 Estrelas em 5

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