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Crítica - The Exorcist (1973)

Crítica - The Exorcist (1973)
Realizado por William Friedkin
Com Ellen Burstyn, Max Von Sydow, Jason Miller, Linda Blair e Lee J. Cobb

Mais do que um filme de terror, “The Exorcist“ é o filme de terror. Baseado no fantástico romance de William Peter Blatty (que também escreveu o argumento e produziu o filme), “The Exorcist” transformou-se num filme de culto adorado e respeitado em todo o mundo. Em 1973 William Friedkin realizava a sua obra-prima cinematográfica e assim nascia o melhor filme de terror de todos os tempos. Aceite pela maioria como “o filme mais assustador de sempre”, “The Exorcist” marcou um ponto de viragem na História do cinema. Nunca um filme de terror havia sido feito desta maneira. Nunca um filme de terror tinha sido nomeado para o Oscar (entre outros prémios) de Melhor Filme. Nunca um filme de terror tinha conseguido reunir o respeito e o clamor da crítica mundial. Pela primeira vez (não me venham com os filmes do George Romero…) um filme de terror era visto como algo mais que um filme de série B. Pela primeira vez o mundo ficou a saber que era possível fazer um filme de terror dramático, poderoso, intenso e sério; pela primeira vez um filme de terror tinha potencial dramático, conseguindo assustar-nos mas também comover-nos e fazer-nos sentir a dor genuína das personagens. E é por isso que “The Exorcist” é tão bom e tão importante para a História do cinema e deste género cinematográfico.
Todo o filme gira à volta do desespero que uma mãe sente ao ver a personalidade e o comportamento da filha mudarem drasticamente; de um dia para o outro, a filha começa a dizer coisas estranhas, começa a comportar-se de modo inadequado. Tudo parece estar na cabeça da pequena e os médicos sugerem uma crise psicológica típica da adolescência. Porém, passado uns tempos, os sintomas começam a manifestar-se também fisicamente e é aí que a pobre mãe começa a considerar outras hipóteses, recorrendo aos serviços da igreja e de um padre em decadência consigo próprio… Numa era em que a ciência consegue explicar tudo (ou quase tudo) e as crenças religiosas são postas de lado, o caso da pequena começa a suscitar algumas dúvidas na mente da mãe, levando-a a pensar numa possível possessão demoníaca. Esta é a história do filme, que consegue manter um ritmo de prosa intenso e atemorizante. Filmado de forma absolutamente excepcional, com interpretações electrizantes por parte de Ellen Burstyn, Jason Miller e a então pequena Linda Blair, “The Exorcist” consegue aterrorizar e comover qualquer um. A direcção artística, a fotografia negra e subtil, a banda sonora comovente, o som absolutamente medonho; tudo pontos a favor da maior obra de terror da História do cinema.
É pena que na actualidade já não se façam filmes assim. É pena que nos dias de hoje as pessoas vejam um “Resident Evil” ou um “Alone In The Dark” e os apelidem de filmes de terror, quando à beira de “The Exorcist” não são nada. Nada. Absolutamente nada. São filmes de acção. Nada mais. O verdadeiro filme de terror não funciona à base de músicas de Marilyn Manson com imagens dos protagonistas armados em lutadores de Kung-Fu com os monstros. Não basta colocar monstros feios na tela e mexer a câmara muito rápido para, conjuntamente com uma montagem esquizofrénica, dar a sensação de intensidade e desespero. Se assim o fizermos essa intensidade e desespero saem fúteis, baratos e falsos. Não, não é assim que se fazem filmes de terror. Não é assim tão fácil. Um verdadeiro filme de terror é um jogo complexo de imagem, som (ou silêncio), ângulos de câmara, fotografia e interpretação dos actores. Se querem aprender a fazer um filme de terror vejam “The Exorcist”. Não há como falhar. Está tudo lá. É um verdadeiro manual de instruções.
“The Exorcist” é tão aterrorizante e tão perfeito no seu terror que existe um rumor de que no ano do seu lançamento (1973) um desafio foi lançado ao público: quem fosse capaz de ver o filme numa sessão nocturna completamente sozinho na sala, receberia uma recompensa bastante razoável em dinheiro. Claro que isto foi uma excelente forma de fazer publicidade ao filme, mas querem saber o resultado? Ninguém se atreveu a aceitar o desafio. Ninguém foi capaz. Claro que os tempos eram outros e as pessoas da altura não estavam habituadas a ver o que se vê hoje (eram bastante mais sensíveis), mas ainda assim, se este rumor for verdadeiro não é algo que deva passar incólume. Nomeado para 10 Oscar da Academia (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Actriz, Melhor Actor Secundário, Melhor Actriz Secundária, Melhor Som, Melhor Montagem, Melhor Fotografia e Melhor Direcção Artística) entre outros prémios, “The Exorcist” marcou uma geração e deixou a sua marca na História do cinema. Este é um daqueles filmes em que não morremos felizes sem o vermos. É obrigatório. Simplesmente genial. Simplesmente único. Completamente aterrorizante.

Classificação - 5 Estrelas Em 5

5 comentários:

  1. Muito Bom Rui, sem dúvida um classico dos filmes de Terror e um dos filmes mais conhecidos em todo o mundo, quem é que já não ouviu falar no Exorcista. Podem afzer vários remakes e histórias semelhantes mas o original é sem duvida o unico e melhor Exorcistas.

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  2. Nunca fui grande fã do Exorcista, vi-o uma vez e não o axei grande coisa, mas também não sou um forte apreciador desse género de filme. Prefiro os bons e velhos filmes de acção. Mas boa crítica, mas lá está acho a classificação, a oemu ver apenas, exagerada

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  3. Excelente crítica, Rui. Concordo em absoluto.

    Ainda hoje o Exorcista continua a ser uma das referências absolutas do género, uma pérola que o tempo não desgastou.

    Chamo a atenção para o 3 filme da saga, que passou um bocado despercebido, mas que considero também bastante bom. É realizado pelo William Peter Blaty (o autor do romance original), e tem como actores principais o George C. Scott e o Brad Dourif (fabuloso), além de "trazer de volta" o Jason Miller (o padre Karras), num argumento bastante forte e bem construído. Se puderem, vejam.


    Cisne Negro

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  4. Sem comentários igual ou parecido nunca mais excelente.

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  5. O que torna esse filme simplesmente fantastico é sua abordagem filosófica:o dilema que o padre "cético" vivencia ao confrontar-se com o sobrenatural,que o faz rever seus conceitos em relação ás suas crenças;A dicotomia fé x ciencia, tao viva nos dias de hoje.Penso que o que mais impressiona no filme é a forma como as personagens lidam com uma força desconhecida, num tempo onde acreditamos que a ciencia fornece respostas para todas as nossas perguntas...
    Silvana Aquino

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