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Crítica - The Crazies (2010)


Realizado por Breck Eisner
Com Timothy Olyphant, Radha Mitchell, Joe Anderson, Danielle Panabaker

Depois de encerrar oficialmente o 30º Festival Internacional de Cinema Fantástico do Porto (mais conhecido como Fantasporto), “The Crazies” chega agora às salas de cinema nacionais. Pouco há a dizer sobre este filme. E muito por causa da sua completa falta de originalidade.
Seguindo a mesma desgastada fórmula de películas como “Dawn of the Dead” ou “Land of the Dead”, “The Crazies” aproveita-se do género do terror/fantástico para deixar uma forte mensagem contra o alto poder dos governos que regem os países ocidentais. Esta mensagem é muito simples: numa hipotética situação apocalíptica, os governos (eleitos pela mão do povo) pouco se estariam a marimbar para o bem-estar desse povo, optando por repor a ordem da sociedade de uma forma bruta e pouco humanista. Tal mensagem tem a sua dose de pertinência. Porém, após dezenas de filmes praticamente iguais, todo o poder dessa mensagem desvanece e torna-se inócuo. Como consequência, apesar de estar bem filmado e de nos apresentar cenas dotadas de uma tensão interessante, “The Crazies” emerge como um vulgaríssimo filme de zombies, sem qualquer ponta de originalidade nem capacidade para surpreender o espectador.


Infelizmente, sem qualquer ambição de incutir algo de novo a um género morto ou terrivelmente adormecido, a narrativa desenvolve-se da maneira habitual. Tudo começa com a introdução ao pacato quotidiano de um conjunto de personagens na pequena e remota vila de Ogden Marsh. David (Olyphant) – o Xerife da vila – vive uma existência relativamente tranquila até ao dia em que um velhote com historial de embriaguez irrompe pelo campo de baseball com uma caçadeira nas mãos. Forçado a abater o estranho e sorumbático velhote, David interpreta o incidente como um simples episódio de loucura de um indivíduo isolado. Porém, homicídios estranhos abatem-se sobre a vila e todos começam a desconfiar de que algo de muito errado se passa. Após a investigação da praxe, David descobre que o abastecimento de água da vila ficou poluído por um composto químico secretamente desenvolvido pelo governo americano. Uma arma biológica que provoca uma demência enraivecida em todos aqueles que a ingerem… Neste caso, todos os habitantes de Ogden Marsh. Algo que leva a tranquila vila aos píncaros do descontrolo e do apocalipse.


É, de facto, uma pena que este tipo de produções se contente com pouco. Os produtores jogam insistentemente pelo seguro, pretendendo vender pipocas e ganhar dinheiro com histórias mais que vistas e assustadoramente banais. Aqui não há qualquer espaço para se ser criativo, ou para surpreender o espectador com uma abordagem diferente. O problema é que estes senhores vêem o cinema exclusivamente como uma indústria e não como uma arte. Algo que os leva a temer novas e refrescantes abordagens. E assim sendo, “The Crazies” oferece-nos apenas a habitual enxurrada de clichés imbecis e infantilizados. Ainda não vimos o filme e já sabemos como vai acabar; estamos a visionar uma cena e já sabemos o que vai acontecer; no cinema, quando este fenómeno acontece é sempre mau sinal. E, infelizmente, produtores como George Romero parecem não atender a este fenómeno. Romero (que é o produtor executivo deste filme) teve os seus tempos de glória, mas agora já chega! Não hesito em dizer que este senhor (em conjunto com muitos outros) está a dar cabo de um género de terror outrora tão amado: o filme de zombies. Se Romero pretende continuar a realizar ou produzir remakes onde a história é sempre a mesma e onde “inovação” é palavra proibida, então tenham a coragem de o mandar para a reforma!
Em suma, não esperava que “The Crazies” fosse uma obra-prima. Bem pelo contrário. Infelizmente, já estava à espera de mais um filme onde só os pobres de espírito podem sair da sala surpreendidos ou satisfeitos. Tecnicamente (na dinâmica de algumas cenas como a da lavagem do carro, e na caracterização de algumas personagens), “The Crazies” consegue ser competente. Os experientes actores, como Olyphant e Mitchell, cumprem também o seu trabalho. Porém, no seu todo, a película resulta apenas em mais uma acha para a enorme fogueira que está a queimar um género adorado por milhares de pessoas em todo o mundo. E como tal, sendo eu uma dessas pessoas, só posso ficar imensamente aborrecido.

Classificação – 2,5 Estrelas Em 5

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6 Comentários

  1. Concordo. Mau filme. A ver só em último caso. Simplesmente fraco e repetido.

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  2. Fantástico como o Rotten Tomatoes dá 71% a The Crazies.

    A critica americana parece ter gostado do filme ao contrario do resto.

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  3. Seu tolo... por mais que este filme não introduza nada de novo, lembre-se que ele é um remake. Romero é o pai dos filmes de zumbi, com Night of the Living Dead (1968), e com The Crazies (1973) tornou-se também o pai dos filmes de infectados. Falar que a fórmula de The Crazies não é original é um desconhecimento histórico da sua parte. The Crazies é sim original... cópia são os outros.

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  4. Fico feliz com o fato de, apesar de médico com residência e duas pós-graduações, eu ser pobre de espírito ao ponto de ter gostado deste remake. Lamento por sua frustração, caro Rui Madureira.

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  5. É certo o filme pode deixar muito a desejar, mas oh Ruisito, não chames nomes às pessoas, porque GOSTOS NÃO SE DISCUTEM, Ok? Sim, o filme pode ser uma porcaria e portador de um desgaste criativo indiscutível, mas tem cuidado em duas coisas: George Romero é o pai dos mortos que andam... e ninguém é pobre de espírito por gostar de um filme que tu classificas medíocre. ACHAS-TE O CENTRO DO MUNDO OH QUÊ, OH POBRE DE ESPÍRITO?!

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  6. Pobre de espírito não tem nada a ver com a profissão que se exerce, nem tem de ser interpretado como um insulto. Dizer que alguém é pobre de espírito não é o mesmo que dizer que é burro. Pelo menos neste texto, pobre de espírito deve ser interpretado como alguém que se contenta com muito pouco. Pois este "The Crazies" é mais da mesma mistela a que (infelizmente) já estamos habituados.
    E lá porque o George Romero é o "pai" dos mortos, isso não faz com que ele seja imune a críticas. Isso não obriga toda a gente a dizer que ele é um génio. Prefiro mil vezes os mortos-vivos/demónios de Sam Raimi em "The Evil Dead", ou os de John Landis no videoclip "Thriller" de Michael Jackson.
    Mas como é óbvio, gostos não se discutem. Não me acho o centro do mundo, porque a minha palavra não é a palavra de Deus. As críticas que escrevo devem ser vistas como uma mera sugestão/opinião. Nunca como algo que não pode ser contestado.

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