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Crítica - The Box (2009)

Realizado por Richard Kelly
Com Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella

O realizador do fantástico “Donnie Darko” (2001), Richard Kelly, tentou, sem muito sucesso, criar uma obra tão profunda e tão enigmática como o seu maior sucesso cinematográfico, no entanto, este “The Box” acaba por se assumir como um filme extremamente pretensioso e superficial que não nos consegue convencer ou surpreender. A história do filme é protagonizada por Norma (Cameron Diaz) e Arthur Lewis (James Marsden), um casal comum a viver nos subúrbios de Richmond (Virgínia) com o seu único filho Walter Lewis (Sam Oz Stone) que subitamente vê o seu rotineiro quotidiano ser interrompido por um misterioso homem desfigurado (Frank Langella) que lhes faz uma estranha proposta que envolve uma misteriosa caixa que contem um botão vermelho que, se carregado, lhes dará imediatamente um milhão de dólares mas que, simultaneamente, tirará a vida a alguém que eles não conhecem. O homem dá-lhes vinte e quatro horas para decidirem se carregam ou não no botão, no entanto, este casal cedo descobre que as ramificações da sua decisão ultrapassam o seu controlo e vão muito além dos seus próprios destinos.


O seu enredo é baseado em “Button, Button”, um misterioso conto literário da autoria de Richard Matheson que nos anos oitenta também esteve no centro de um episódio da série de culto “The Twilight Zone”, um episódio que acaba por se revelar muito mais interessante que esta obra que tenta, sem muito sucesso, misturar as teorias do existencialismo de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir com uma temática hollywoodiana que caracteriza os alienígenas como uma espécie de árbitros/sentenciadores morais que irão determinar, com base em vários testes morais, se a humanidade merece ou não ser extinta, uma temática que foi inclusivamente abordada em filmes como “The Day the Earth Stood Still” (1951 e 2008) ou “The Forgotten” (2004). O filme tem alguns momentos de suspense relativamente interessantes, no entanto, estes não são suficientemente fortes para compensar o excessivo pretensiosismo e artificialismo de uma narrativa que se limita a referenciar teorias filosóficas e sociológicas sem nos explicar devidamente os seus conceitos e as suas ligações com as acções das personagens, assim sendo, somos confrontados com várias críticas sociais e inúmeras ideias místicas sobre o inferno/purgatório e o eterno conflito entre a ciência e o sobrenatural que nunca nos são devidamente explicadas. O casal, Norma e Arthur, é confrontado, ao longo da história, com duas difíceis escolhas que são sempre precedidas de um enorme conflito moral. A primeira escolha é a mais difícil e os protagonistas acabam por nos oferecer uma razoável ponderação dos prós e dos contras da sua possível decisão que acaba por ser motivada pela ganância, no entanto, nunca ninguém duvida que Norma e Arthur vão escolher o dinheiro em detrimento da “salvação” de uma pessoa que eles não conhecem. A sua segunda escolha é muito mais fácil e acaba por mostrar aos alienígenas/criaturas que controlam a luz que a humanidade consegue ser altruísta em determinadas situações. O filme deixa muitas perguntas sem resposta e nem os vários diálogos entre as personagens principais conseguem nos elucidar sobre os principais mistérios desta história, porque são maioritariamente constituídos por conceitos científicos e filosóficos que muito poucos conseguirão compreender.


O elenco de “The Box” até é um dos seus melhores elementos. Cameron Diaz está muito bem como Norma mas o melhor actor deste elenco é mesmo Frank Langella que, sem nos deslumbrar, consegue ser bastante convincente como Arlington Steward, um homem calculista que se assume como o anti-herói desta história. O cineasta Richard Kelly tentou criar um filme intelectual e obscuro mas acabou por nos apresentar uma obra incoerente que não nos consegue cativar ou entreter com o seu enredo extremamente incongruente, assim sendo, só podemos concluir que Kelly transformou o razoável conto de Richard Matheson num filme medíocre e artificial.

Classificação – 2 Estrelas Em 5

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4 Comentários

  1. É sempre bom ver opiniões diferentes sobre esse filme e ver que não fui o único a achar a obra confusa e superficial. Sinceramente, não conseguir enxergar em "The Box" as tais "inúmeras ideias místicas sobre o inferno/purgatório e o eterno conflito entre a ciência e o sobrenatural" que foi citado no texto (e olha que o assisti mais de uma vez). Talvez me faltou mais sensibilidade para assimilar esses elementos ou o filme pecou nesse sentido. Posso afirmar que a IDEIA ORIGINAL do filme é muito boa, mas a execução foi falha em vários aspectos tornando-o medíocre e até mesmo "chato" para muitas pessoas.

    Abs, ótima crítica -- João Linno

    http://mosaicultural.blogspot.com/

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  2. Eu concordo. A ideia original era boa mas não fui muito bem executada e o filme também peca por ser muito longo, em oitenta minutos contavam uma história melhor e que certamente iria manter muita mais gente atenta. A referência ao inferno é feita essencialmente em dois momentos, na sala de aula da Norma e na pequena cena onde nos é mostrada uma peça de teatro. O purgatóri é referido nos momentos finais do filme quando o Arthur pergunta ao Arlington se aquela cena onde nos são mostradas aas caixas de água era uma espécie de purgatorio.

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  3. Infelizmente o realizador deixou para o espectador a interpretação do que viu dando muito poucas pistas sobre o que pretendia transmitir, o que resultou muito mal.
    Apesar de longo, achei o enredo interessante e cativante (intelectualmente) mas estive sempre à espera de respostas para tudo o que se passou e no fim elas não foram satisfatórias o que me irritou imenso e fiquei com aquela sensação de ter perdido duas horas da minha vida.
    3/10

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  4. Quando começei a ver o filme, fiquei bastante interessada por todo aquele mistério, além das diversas questões que me foram surgindo. Julguei que, no final filme, teria todas as minhas duvidas esclarecidas, o que não aconteceu. Na minha opinião, o filme teria muito mais a ganhar se fosse menos misterioso e mais claro.

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