Ticker

6/recent/ticker-posts

Crítica - World Invasion: Battle Los Angeles (2011)

Realizado por Jonathan Liebesman
Com Aaron Eckhart, Ramon Rodriguez, Michelle Rodriguez, Bridget Moynahan

Ao assistirmos ao autêntico tornado de pirotecnia que é este “World Invasion: Battle Los Angeles”, ficamos com a nítida sensação de que os produtores da Columbia Pictures quiseram fazer deste filme uma espécie de “Saving Private Ryan” com extraterrestres. A abordagem do realizador Jonathan Liebesman favorece sempre um enfoque realista da acção que submerge a narrativa, tentando filmar uma eventual invasão alienígena da forma mais crua e dura possível. Sem embelezamentos hollywoodescos, portanto. Sem heróis a fugir das balas em câmara lenta e sem explosões perfeitamente descabidas. O problema é que Liebesman não é Steven Spielberg. E como consequência disso, este “World Invasion: Batlle Los Angeles” não é nenhum “Saving Private Ryan”.


Por muito que se esforce por não cair no estupidificante embelezamento da guerra que Hollywood tanto gosta de patrocinar, o certo é que Liebesman perde o controlo do fio narrativo com tanta confusão de balas e câmaras aos tropeções. Spielberg sabe filmar a guerra de forma realista e sempre com uma noção de equilíbrio dramático-narrativo bem presente na cabeça. Liebesman filma a guerra um pouco aos tropeções e deixa qualquer tipo de profundidade dramática escapar-se-lhe por entre os dedos. Mas como ninguém exigia que esta obra suplantasse a obra-prima de Spielberg, esta comparação entre realizadores e estilos de filmagem acaba por ser injusta. O que interessa mesmo tirar desta análise é que, infelizmente, “World Invasion: Battle Los Angeles” se afunda num espectáculo de pirotecnia exagerado, onde não há espaço para a construção de uma relação de intimidade entre as diversas personagens e o espectador.
O Sargento dos Marines Michael Nantz (Aaron Eckhart) está a poucos dias de uma merecida reforma. Apesar de ainda ter muito para dar ao exército norte-americano, os fantasmas de uma operação militar menos conseguida não lhe dão folga e ele sente que está na altura de arrumar as botas antes que mais algum miúdo morra nos seus braços. Porém, no preciso dia em que se preparava para abandonar o quartel militar, notícias de que vários meteoros estão prestes a abalar o mundo obrigam-no a adiar a despedida. Mas isso também não lhe causa grande incómodo, pois tudo não deveria passar de uma missão de apoio a eventuais desalojados e povos desnorteados. A pedra no sapato surge quando todos percebem que estão perante uma invasão mundial de extraterrestres sequiosos de extinguir a humanidade e colonizar o planeta Terra. Numa questão de minutos, o mundo entra em guerra e o Sargento Nantz vê-se forçado a entrar numa missão que tem como objectivo salvar a população de Los Angeles… antes que tudo (mesmo tudo) vá pelos ares.


Conforme se percebe por esta sinopse, “World Invasion: Battle Los Angeles” pouco tem para oferecer em termos de sumo narrativo. Passados dez minutos de película, já anda toda a gente aos tiros e só vemos explosões um pouco por todo o lado. Chega a ser gritante a sensação de que o filme necessitava de uma introdução um pouco maior e bem mais desenvolvida. A pressa de Liebesman (ou será dos produtores?) em inserir o espectador num cenário apocalíptico acaba por funcionar como uma bala no coração da película, pois mergulha as personagens na acção atabalhoada sem que o espectador as conheça minimamente para poder puxar por elas. É certo que esses primeiros dez minutos nos oferecem uma espécie de introdução a cada uma das personagens principais. Mas isso está longe de ser suficiente para que o espectador se identifique verdadeiramente com elas. Com quinze minutos de filme, já o Sargento Nantz anda a berrar pelo Cabo Lockett e pelo Tenente Martinez e nós ainda nem conseguimos distinguir quem é quem no meio de tanta confusão. O que, obviamente, prejudica todo o lado emocional da película. Toda a sua alma, digamos assim.
Os extraterrestres chegam à Terra quase sem que dêmos por isso e dão cabo dos alicerces da humanidade sem o devido desenvolvimento pautado e sustentado. Em suma, tudo acontece demasiado rápido e sem a pitada de emoção que se exigia (e que se esperava, sobretudo pelo trailer). Aaron Eckhart é o único actor que se consegue sobressair, oferecendo-nos, uma vez mais, uma interpretação segura e minimamente carismática para prender a atenção do espectador. Curiosamente, num filme em que as balas e as explosões quase se afirmam como os actores principais, é Eckhart quem brilha mais alto e quem nos fica na cabeça quando saímos da sala. O que nos deixa com a sensação de que este actor já merecia outro tipo de oportunidades por parte de realizadores mais conceituados, que não tenham medo de o pôr à frente de uma grande produção com outro tipo de ambições. De resto, no que ao restante elenco diz respeito, Michelle Rodriguez já começa a desgastar a sua imagem de “menina de armas” e Bridget Moynahan cumpre o habitual papel de interesse romântico do protagonista, sem, no entanto, sair da mediocridade que nos deixa indiferentes.


“World Invasion: Battle Los Angeles” não deixa de ser um filme interessante. A verdade é que, acima de qualquer outra coisa, prometia acção pura e dura e é isso mesmo que nos oferece. Os fãs de um bom e frenético filme de acção dificilmente sairão defraudados da sala de cinema. O realismo que Liebesman tenta incutir na película é de louvar e a banda-sonora de Brian Tyler, quando se consegue ouvir no meio de tanta bagunça, ainda consegue impor algum respeito. Mas não podemos fechar os olhos ao facto de que essa mesma acção é filmada de forma um pouco atabalhoada (como, aliás, é apanágio da nova escola de Hollywood, que confunde movimento excessivo com bons momentos de acção), assim como não podemos ignorar a quase total falta de ligação entre o público e as personagens por quem, supostamente, deveria estar a torcer. Não é o pior filme de invasões alienígenas de todos os tempos (longe disso), mas desilude bastante.


Classificação – 2,5 Estrelas Em 5

Enviar um comentário

0 Comentários