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segunda-feira, janeiro 07, 2013

Crítica - Les Misérables (2012)

Realizado por Tom Hooper
Com Hugh Jackman, Russel Crowe, Anne Hathaway, Eddie Redmayne

Não é a primeira vez que o romance clássico de Victor Hugo é adaptado ao cinema, nem será certamente a última. Porém, esperava-se algo de diferente e verdadeiramente original desta adaptação em particular, já que ela teve como inspiração essencialmente o musical da Broadway e não a eterna obra-prima de Victor Hugo. As primeiras imagens e os trailers pomposos deixaram-nos com as expectativas em alta, pois dava a sensação de que iríamos estar perante um espetáculo grandioso. O problema é que a realização caiu nas mãos de um senhor chamado Tom Hooper, muito provavelmente um dos cineastas mais sobrevalorizados dos últimos tempos. E, graças a isso, este “Les Misérables” transformou-se numa mera sombra daquilo que poderia ser nas mãos de um realizador mais talentoso. É verdade. Depois da tremenda desilusão que foi “The King’s Speech”, ainda não foi desta que Tom Hooper nos encheu as medidas. E tudo porque Hooper voltou a demonstrar uma enorme incapacidade em ir para além do académico, filmando tudo aquilo em que põe as mãos como se se tratasse de um telefilme de domingo à tarde. Os valores de produção eram gigantescos, o elenco era extraordinário e o material de base tinha tudo para originar sequências musicais absolutamente excecionais. Todavia, Hooper mostrou-se uma vez mais pouco imaginativo e até mesmo preguiçoso, filmando tudo como se fosse um simples tarefeiro e não como um realizador vencedor de um Óscar. E, como tal, “Les Misérables” deixa a imagem de uma experiência cinematográfica insatisfatória, mal-aproveitada e algo enfadonha.


Todos conhecem a história que aqui é contada, mas aqui fica um pequeno resumo dos acontecimentos primordiais. Após roubar um pedaço de pão para alimentar o moribundo filho da irmã, Jean Valjean (Hugh Jackman) é capturado e condenado a cumprir uma pesada pena de prisão. Durante longos anos, trabalha como um escravo e sofre como um mártir sob o olhar atento de Javert (Russel Crowe), um oficial de tratos rígidos e convicções fortes. No dia da sua libertação, Valjean compreende que nunca deixará de ser visto como um criminoso por Javert, mas decide tentar a sua sorte no mundo modificado pelo passar dos anos. O desespero, porém, leva-o a cometer um novo crime contra o padre da paróquia. Mas, ao contrário do que seria de esperar, o padre absolve-o de toda e qualquer culpa e oferece-lhe uma oportunidade de redenção. Oportunidade que Valjean aproveita de imediato, partindo para o exílio e regressando muito tempo depois na pele de uma figura respeitável e adorada pela população. Um encontro fortuito com Javert, no entanto, reacende uma rivalidade antiga. E Valjean vê-se obrigado a fugir de Javert enquanto a pequena Cosette (Amanda Seyfried na versão adulta da personagem) se encontra ao seu cuidado e enquanto uma revolução fermenta no seio de Paris.


 

O grande ponto fraco desta ambiciosa produção encontra-se mesmo no trabalho miserável do seu realizador. Hooper dá a ideia de ser aquele aluno muito certinho que tirava nota máxima a todas as disciplinas, mas que depois, no momento da verdade e no mundo real, simplesmente não consegue pensar “out of the box” e dar vida a algo de verdadeiramente marcante. Hooper aproxima-se assim de um tarefeiro que despacha tudo da mesma maneira, sendo incapaz de filmar um musical desta envergadura com a imaginação e o sentido de grandiosidade que ele merecia. Quase como se fosse um realizador de telenovelas que opta por filmar tudo de forma miseravelmente académica, apenas e só para despachar as filmagens do dia e servir o prato às audiências naquela mesma noite. Temos sequências inteiras em que o realizador espeta a câmara na cara dos atores e não faz um único corte ou alteração de enquadramento, apesar de a música sofrer várias alterações e pedir uma realização mais imaginativa. A única sequência musical em que esta abordagem ainda funciona é a de Anne Hathaway (na pele de Fantine) após a primeira noite de trabalho enquanto prostituta, por se tratar de uma cena deveras íntima e emocional. Todas as outras, no entanto, somente cheiram a realização preguiçosa e/ou falta de talento. A própria montagem da película também está longe de ser brilhante, pois a história não flui com a naturalidade desejada e sequências estrondosas como a batalha revolucionária deixam muito a desejar. 

 

Quanto aos atores, os únicos que se safam são Hugh Jackman e Anne Hathaway (esta última está verdadeiramente espantosa). Russel Crowe não convence enquanto cantor (parece que lhe está a faltar o ar sempre que abre a boca), Amanda Seyfried interpreta Cosette como se estivesse no set de “Mamma Mia!” (o que é deveras irritante), Eddie Redmayne é competente quanto baste mas escusava de fragilizar tanto a sua personagem, e o duo Sacha Baron Cohen/Helena Bonham Carter funciona enquanto comic relief mas está longe de se inserir com sucesso no enquadramento geral da película, dando a sensação de que foi empurrado para dentro do caldeirão apenas para retirar algumas gargalhadas da audiência e não tornar tudo demasiado melodramático. Todavia, nem por isso “Les Misérables” deixa de respirar melodrama por todos os poros, caindo por vezes no ridículo e na lágrima fácil, como está bem patente na cena final. Não foram aproveitados os recursos à disposição, nem as potencialidades da narrativa. O que faz desta obra a primeira grande desilusão de 2013. Não é um desastre completo, mas ficou muito longe de cumprir com aquilo que prometia. 

 Classificação – 2,5 Estrelas em 5

6 comentários:

  1. Não li mais nada. Fiquei na vossa estranha abordagem a Tom Hooper. Digo-vos, e com toda a certeza, Hooper é um dos melhores realizadores de sempre. Ele não é novo nisto, garanto-vos.
    Quanto ao filme também não gostei, mas vejam o Gladiador do Kubick. Não é por isso que ele não é um excelente realizador.

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  2. Acabando de ler a crítica e tendo visto o filme ontem à noite, tenho de dizer que discordo com a crítica. Entendo o seu ponto de vista, mas acho que as sequências que diz que têm falta de imaginação por parte do realizador, querem por outro lado mostrar-nos as emoções das personagens enquanto cantam apanhando cada pormenor de interpretação. Ao contrário do que acha, penso que a cena da revolução é bastante poderosa e bem captada tal como os cenários das ruas de Paris que pelo menos para mim são bastante credíveis. Quanto aos atores, concordo com o facto de achar que Russel Crowe não nasceu para cantar.Sempre que este aparecia só queria que a cena acabasse. Não percebo porque afirma que a realização é preguiçosa nem porque acabou por dizer que o filme foi uma espécie de desastre e de desilusão pois a simbologia do filme acaba por estar bem presente no final, interpretações muito boas e algumas razoáveis e uma realização consistente que nos permite visualizar o sentido de revolução de uma nação que estava recaida na pobreza e na pouca liberdade.
    Fico ainda assim contente por ter colocado aqui a sua opinião do filme para a poder comparar com a minha, pois é sempre bom ver perspectivas diferentes de um filme.
    Continuem a ser um ótimo portal cinema!
    Tiago Campos

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  3. Vou ser totalmente honesto relativamente ao que achei do filme: emocionante, sem dúvida, mas cansativo de se ver...
    Um musical não é feito inteiramente de cânticos e música e tendo em pequenas falas e interjeições o único momento em que os actores não cantam, ideia esta que o realizador transmitiu e que lhe atribui a reputação de calaceiro/preguiçoso...
    Apesar de ser baseado no musical da Broadway, este filme não consegue chegar à grandiosidade das interpretações de Liam Neeson, Geoffrey Rush e Uma Thurman na versão verdadeiramente cinematográfica do excelentíssimo romance de Victor Hugo. Zénite que poderia ter sido atingido, fosse o realizador um pouco mais criativo...
    Não posso deixar de afirmar que as interpretações de Hugh Jackman e Anne Hathaway são riquíssimas e verdadeiramente arrebatantes (principalmente a segunda), mas não só destas personagens vive o filme...
    E Russel Crowe "Não chamou a música" como Sara Tavares nas cenas em que participou... Brrrrr, que arrepios ;)

    Cumprimentos

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  4. Achei a crítica raivosa e a raiva cansa e desmerece a própria crítica...

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  5. Quando li a breve introdução que foi dada ao comentar do diretor, logo percebi que a critica seria levada com pré conceito.
    Dificil levar a sério a critica inteira quando fica claro no começo que o Diretor é olhado com maus olhos.

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  6. Ohkay!!!!!!!!!!!!
    Um filme que ganhou 3 Oscars (nomeado para mais 5, incluindo Melhor Filme), ganhou 3 Golden Globes, incluindo Melhor Filme (nomeado para mais 1), ganhou 4 Baftas (nomeado para mais 4, incluindo Melhor Filme), Nomeado para 1 Grammy, ganhou 1 Screen Actors Guild Awards (nomeado para mais 3, incluindo Melhor Elenco), aplaudido pela crítica e pontuado com uma média de 4.5/5 na imprensa como o The New York Times, Empire, etc.
    Tem a certeza que vimos o mesmo filme? o.O

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