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sexta-feira, janeiro 11, 2013

Crítica - Silver Linings Playbook (2012)

Realizado por David O. Russell
Com Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Robert De Niro 

Eu entrei para a sessão de “Silver Linings Playbook” com enormes esperanças e expectativas, afinal de contas a crítica norte-americano tem sido muito generosa com esta comédia dramática da autoria de David O. Russell, um engenhoso realizador que muito recentemente nos surpreendeu a todos com o seu eficaz trabalho de direção no drama “The Fighter” (2010). As minhas melhores expetativas foram confirmadas e até excedidas, David O. Russell não me desiludiu e “Silver Linings Playbook” não me frustrou, muito pelo contrário, deixou-me maravilhado com a sua leve mas sublime narrativa que nos infeta, desde o início, com uma contagiante dose de alegria e boa disposição que nunca é diluída e que vai aumentando à medida que os dois protagonistas se vão aproximando e começam a resolver os seus respetivos problemas. A juntar a uma equilibrada direção de David O. Russel e a um envolvente e divertido argumento, “Silver Linings Playbook” beneficia também da qualidade do seu competente elenco, nomeadamente das magníficas performances das suas duas principais estrelas – Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, que partilham no ecrã uma cumplicidade convincente e viciante.


A história de “Silver Linnings Playbook” é baseada no homónimo romance de Matthew Quick e segue o difícil retorno à rotina e à normalidade de Pat Solatano (Bradley Cooper) que, após ter passado oito meses numa instituição psiquiátrica estatal, regressa à casa dos seus pais para tentar reconstruir a sua vida, manter-se otimista e, apesar das circunstâncias difíceis da separação, reconciliar-se com a sua mulher. Tudo o que os seus pais desejam é que ele recomponha a sua vida, mas as coisas complicam-se quando Pat conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma misteriosa e problemática mulher, com os seus próprios problemas. Tiffany oferece-se para ajudar Pat a reconquistar a mulher, mas em troca ele terá de fazer algo muito importante para ela. Os dois celebram então uma parceria que acaba por estabelecer uma inesperada ligação entre os dois e que desencadeia uma série de acontecimentos felizes na vida de ambos. É precisamente nesta poderosa relação entre Pat e Tiffany que assentam os melhores momentos desta absolutamente deliciosa comédia dramática, que nos entretém e nos deixa bem-dispostos com muita facilidade. Estes dois jovens e caricatos protagonistas têm personalidades muito excêntricas mas curiosamente semelhantes, sendo por esta razão que as suas cómicas ou emotivas interações culminam quase sempre em momentos de alta tensão ou descontração que nos deixam presos ao ecrã e a pedir por mais. A trama de “Silver Linings Playbook” evolui em redor desta cativante e dinâmica relação, sendo através dos seus múltiplos avanços e recuos que são analisadas as várias dificuldades e dilemas de Pat ou até, de uma forma mais tímida, os traumas emocionais de Tiffany. Os dois ajudam-se mutuamente e tentam em conjunto superar os seus problemas e emendar os seus erros, mas acabam por conseguir muito mais que isso ao desenvolverem uma obstinada e volátil relação de amizade/ romance que muda radicalmente as suas vidas e as suas formas de viver. Esta evolução é acompanhada com algum cuidado pelo argumento, que não deixa os seus complicados subtemas dramáticos ditarem o ritmo e o tom desta obra, que se destaca da normalidade e banalidade por causa da forma leve e divertida como explora e perspetiva a depressão ou bipolaridade e a respetiva evolução mental dos dois protagonistas. A par desta sublime relação entre Pat e Tiffany que, por sinal, é acompanhada por penetrantes diálogos, “Silver Linings Playbook” também acompanha a complicada dinâmica da Família Soltano. Esta parte do filme mostra-nos o lado mais caseiro do protagonista, mas também é rica em alguns momentos divertidos que têm quase sempre na sua base o atribulado relacionamento entre o protagonista e o seu pai (Robert De Niro). Já que falo em piada, porque não referir Chris Tucker e o seu Danny que, pese embora a sua presença irregular ao longo do enredo, consegue mesmo assim conferir mais alguma comédia e extravagância ao filme.


O seu argumento é excelente, mas convém não esquecer a magistral direção de David O. Russell, que utilizou todo o seu engenho para dar vida a uma narrativa potencialmente trabalhosa e transforma-la num filme altamente recomendável em todos os setores. As duas estrelas centrais do seu elenco, Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, têm também duas grandes performances e partilham uma impressionante química no ecrã que torna muito mais credível a relação das suas complicadas personagens. Os secundários Chris Tucker, Robert De Niro e Jacki Weaver têm também desempenhos muito agradáveis que apoiam adequadamente o crescimento das personagens de Lawrence e Cooper. São precisas muito poucas palavras para descrever com exatidão este envolvente “Silver Linings Playbook”, porque a sua majestosa simplicidade fala por si. É divertido e emotivo, faz-nos sentir bem e tem também uma história com conteúdo que nos faz almejar a procura por um final feliz (silver lining). É preciso pedir mais? A nomeação ao Óscar de Melhor Filme de 2012 é merecidíssma. 

Classificação – 4,5 Estrelas em 5

3 comentários:

  1. Optima critica, como sempre.
    Grande supresa , este filme, confesso que fiquei supreendida com as nomeações, mas depois de ver, ficaram justificadissimas

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  2. Tenho algumas dúvidas, por exemplo, eu sinto o Psicologo do Pat muito interessado em ele ser amigo da Tiffany; os pais dele conheciam ela? na cena da cozinha, os três, a mãe fala que não quer mentirar pra ele, e o pai diz que ele já mentiram antes. Parece que há mais por trás da história. Não° =D

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