Crítica - R.I.P.D. (2013)

Realizado por Robert Schwentke
Com Jeff Bridges, Ryan Reynolds, Kevin Bacon

Recentemente, Jeff Bridges disse em entrevista à Revista GQ, que ficou desiludido com o resultado final de “R.I.P.D.”. Se um dos protagonista pensa desta forma, então o que dizer do público e da imprensa que, ao serem confrontados com um filme tão fraco como este, só podem tirar ilações ainda mais negativas. É pena que “R.I.P.D.” seja uma desilusão, até porque a ideia de criar uma longa-metragem de ação sobre uma força policial sobrenatural, até tinha potencial para render um blockbuster obviamente absurdo mas minimamente cativante, mas para que isso acontecesse era preciso que este filme tivesse tido por detrás bons criadores que tivessem incutido uma dose mínima de seriedade e aventura a um enredo que, neste caso, peca também por ter muito poucos momentos de ação minimamente excitantes. Nem a cómica dinâmica entre Jeff Bridges e Ryan Reynolds salva este projeto de uma latente mediocridade, que se faz notar, sobretudo, junto do seu leviano enredo, que tanto peca em coerência como em criatividade na hora de nos contar a história de Roy Pulsifer (Jeff Bridges), um veterano xerife que passou a maior parte da sua carreira no além ao serviço da lendária força policial conhecida por R.I.P.D. (Rest In Peace Department), que está sempre no encalce de monstruosos espíritos que se encontram habilmente disfarçados de pessoas comuns. A missão de Roy é capturar e entregar à justiça uma série de criminosos especiais que tentam escapar ao julgamento final escondidos de forma insuspeita. Quando o rabugento Roy recebe o recentemente falecido detetive Nick Walker (Ryan Reynolds) como seu assistente, a dupla vai ter de conquistar o respeito um do outro para funcionar como equipa. Ao descobrirem uma conspiração que pode terminar com a vida tal como a conhecemos, os dois melhores Agentes RIPD vão ter que miraculosamente restaurar o balanço cósmico… ou ficar a ver o túnel da pós-vida a começar a enviar almas enfurecidas no sentido contrário.


Eu acho que Jeff Bridges só pode ser louvado pelas suas recentes declarações, porque pelo menos teve a decência de admitir que participou num projeto muito abaixo da média, tão abaixo que nem acerta nas coisas mais básicas, já que a sua história pouco diverte e as suas sequências de ação pouco entretêm. É claro que os defeitos de “R.I.P.D” estendem-se muito para além da óbvia falta de entretenimento, porque a sua história também tem pouca coerência e presta muito poucos esclarecimentos sobre coisas importantes e que mereciam um tratamento mais aprofundado, como tudo o que envolve o R.I.P.D. ou as potencialmente energéticas missões dos seus agentes. A parte romântica entre Nick e Julia (Stephanie Szostak) também é péssima, quase tão má como a rivalidade entre Nick e Bobby Hayes (Kevin Bacon), que tem como base uma intriga maléfica tão insossa e sem sentido que levanta mais questões de incoerência do que respostas concretas. A performance de Kevin Bacon como Bobby Hayes também é desastrosa. A personagem é fraca e o filme não é grande coisa, mas mesmo assim “R.I.P.D.” pedia um ator um pouco mais carismático na pele do grande vilão da história, cujos rivais Nick e Roy até são interpretados de forma positiva por Bridges e Reynolds, que mesmo assim poderiam ter dado um pouco mais a este trabalho de Robert Schwentke, que tinha a obrigação de fazer mais e melhor, quer do ponto de vista técnico, quer do ponto de vista do comando do guião que, pelos vistos, foi escrito por guionistas desinspirados e sem noção de tudo aquilo que poderia rentabilizar este blockbuster. 

 Classificação - 1,5 Estrelas em 5

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