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Crítica - White House Down (2013)

Realizado por Roland Emmerich 
Com Channing Tatum, Jamie Foxx, Maggie Gyllenhaal, Richard Jenkins 

Tal como “Olympus Has Fallen”, “White House Down” é um blockbuster norte-americano relativamente mediano, cujo leviano argumento retrata um ataque terrorista extremamente improvável e implausível contra a Casa Branca, o lar do Presidente dos Estados Unidos da América. Não quero com isto dizer que a maior fraqueza deste filme seja o seu rebuscado guião, já que todos nós sabemos que Hollywood é a terra dos sonhos e da invenção, mas se os produtores deste “White House Down” ou do já estreado “Oympus Has Fallen” pretendiam criar um filme minimamente cativante e convincente sobre um assalto à Casa Branca, então teriam que ter pensado numa história que não tivesse tantas claras falhas de raciocínio e evidentes buracos narrativos. Já na altura critiquei a imperfeição e a previsibilidade do mediano argumento de “Oympus Has Fallen”, mas pelo menos as inúmeras parvoíces da sua intriga foram compensadas por várias estilosas sequências de ação comandadas e idealizadas por Antoine Fuqua, cuja mestria técnica acabou por tornar este seu produto numa obra mediana mas relativamente bem feita e cheia de elementos de ação, que peca apenas por ter um guião bastante fraco. Já este “White House Down” junta um igualmente débil argumento a um conjunto de péssimas sequências de ação e emoção que foram orquestradas por Roland Emmerich, um realizador que não costuma poupar esforços para fazer tudo em grande e de forma explosiva, mas que neste ambicioso projeto tem um trabalho técnico surpreendentemente fraco e desastroso, que nos faz lembrar dois dos principais desastres cinematográficos da sua carreira: “10,000 B.C.” (2008) e “Godzilla” (1998).

   

Pelos vistos, Roland Emmerich limitou-se a cumprir os serviços mínimos nesta produção da Sony Pictures, que pagou mais de três milhões de dólares a James Vanderbilt para transformar um guião da sua autoria num grande blockbuster que conseguisse rivalizar com “Oympus Has Fallen”, uma produção da Millennium Films que também iria versar sobre um ataque à Casa Branca. Está visto que o investimento da Sony não compensou, não só porque “Olympus Has Fallen” é superior, mas também porque “White House Down” não se portou tão bem nas bilheteiras mundiais como a Sony Pictures esperava. É também difícil de compreender como é que um argumento tão paupérrimo como este foi comprado por três milhões de dólares, ainda para mais quando nos apercebemos que não passa de um conjunto de fórmulas gastas e clichés pomposos já utilizados em filmes com uma temática semelhante, como o clássico filme de ação “Air Force One”, de Wolfgang Petersen. É portanto fácil de concluir que não há uma grande onda de imaginação nesta fraquinha criação de James Vanderbilt, como também não há nenhum elemento diferenciador que justifique os valores proíbitivos que a Sony desembolsou para comprar este guião, cujo conteúdo não difere muito do que encontramos em “Olympus Has Fallen”, que tal como “White House Down” acompanha os esforços de um agente especial que tem de manter a salvo o Presidente dos Estados Unidos da América durante um grande ataque terrorista contra a Casa Branca. As parecenças não ficam só por aqui, porque em ambos os casos existem previsíveis traições de presumíveis aliados; um prenúncio de uma 3ª Guerra Mundial que será iniciada se os vilões conseguirem lançar os misseis nucleares; uma gigante e incompreensível inércia por parte das forças especiais no exterior do edifício; e uma espécie de cooperação telefónica entre o agente heroíco e os seus amigos no exterior, mas a maior parecença prende-se claramente com a presença de um miúdo irritante com um incompreensível interesse pela Casa Branca, que só marca presença em ambos os filmes para atrapalhar os planos dos heróis e dos vilões (que pelo menos têm objetvivos diferentes). Há portanto uma clara falta de criatividade e de ideias no guião deste blockbuster, que também é atormentado por inúmeras lacunas e idiotices que só danificam a sua capacidade de entreter o espetador, que muito dificilmente ficará impressionado com a sua mediana intriga ou com as suas imprecisas e ingénuas cenas de ação, que não são dignas de pertencerem a um blockbuster que custou mais de cento e cinquenta milhões de dólares. Não percebo como é que Emmerich pegou nessa pequena fortuna e criou sequências tão fracas e tão mal editadas, que pecam em comparação com as que marcam presença em “Olympus Has Fallen”, onde Fuqua criou, com metade do orçamento, cenas muito mais explosivas e espetaculares. Até no elenco “Olympus Has Fallen” leva a melhor sobre “White House Down”, onde Channing Tatum e Jamie Foxx têm dois trabalhos principais bastante medianos, tal como os secundários mas relevantes Maggie Gyllenhaal e James Woods. Na competição privada entre “Olympus Has Fallen” e “White House Down”, o filme de Antoine Fuqua leva claramente a melhor sobre o de Roland Emmerich, mas convém salientar que nenhum destes projetos tem um guião minimamente competente, estando também muito longe de serem considerados blockbusters memoráveis ou interessantes. 

 Classificação – 1,5 Estrelas em 5

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