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segunda-feira, outubro 15, 2018

Crítica - First Man (2018)

Realizado por Damien Chazelle 
Com Claire Foy, Ryan Gosling, Pablo Schreiber

Dois anos após a celebrada parceria em “La La Land”, o realizador Damien Chazelle e o ator Ryan Gosling juntaram-se novamente para dar vida à cinebiografia de Neil Armstrong, figura incontornável do Século XX que ficou conhecido por ter sido o primeiro homem a Caminhar na Lua.
Trata-se de um retrato da vida do famoso astronauta desde o momento que iniciou a sua participação no programa Gemini, programa esse que, eventualmente, daria lugar ao programa Apollo que levou Armstrong até à Lua. Este foi, sem dúvida, um dos eventos mais famosos da história da Humanidade! E “First Man” dá-nos a conhecer melhor os bastidores deste evento e permite-nos também conhecer um pouco melhor Neil Armstrong, um homem com conflitos, com uma história e com uma missão  e que, por tudo isto, nem sempre cedia às suas emoções. 
O filme tenta mostrar ao espectador por várias vias dramáticas quem foi Armstrong, sendo que tais vias vão muito além do seu enfoque na Missão Especial, aliás “First Man” subdivide a sua narrativa em três grandes segmentos que vão-se misturando: A Família, a NASA e o Homem! Em cada um destes segmentos existe um ponto nevrálgico que, a dada altura, salta para o ecrã com toda a pujança. No que toca a Família é nos cedo exposto o evento mais fraturante e marcante da vida de Armstrong: a morte da sua filha. Este evento é importante porque ajuda a construir um perfil do astronauta, mas  também ajuda a humaniza-lo e a demonstrar como é que consegue equilibrar os seus dramas familiares com a relevância da sua complexa missão. E, claro, também ajuda a explicar uma das tocantes sequências finais!


À medida que vai evoluído, “First Man” coloca Armstrong em várias situações complicadas, quer num plano pessoal, quer num plano mais profissional. Ao seu lado está sempre a sua esposa (interpretada com grande calibre por Claire Foy) que acaba por ser o seu grande alicerce e por conseguir superar, muitas vezes com sacrifício pessoal, a sua personalidade fechada e quase robótica. Este é aliás um dos melhores vislumbres que “First Man” nos dá sobre esta icónica personalidade. Por tudo o que passou e, claro está, por causa da sua profissão, Armstrong transparece como uma pessoa fria, calculista que não tem receio de esconder as suas emoções em prol de cumprir o seu trabalho. Mas é nos demonstrado que é graças a esta personalidade que Armstrong conseguiu lidar tão bem com a pressão, os desafios e os problemas que afetaram a sua aventura espacial desde o início. 
Um desses percalços é nos mostrado logo na fase inicial por via de uma das melhores sequências do filme. Tal sequência ilustra o seu voo arriscado na Missão X-15 até à Atmosfera da Terra e que teve a escassos momentos de correr muito mal! Só o seu sangue frio é que conseguiu evitar uma tragédia, sendo que tal sangue frio também o salvou da morte durante um teste no espaço com a Gemini 8 e até durante a aterragem na Lua.  São-nos expostos outros momentos trágicos da tentativa da NASA em chegar à Lua, sendo que é entre estes marcos na exploração espacial que o filme reflete sobre a vida e relações de Neil, revelando as bases que mostram a sua verdadeira Humanidade.

Num plano técnico destaca-se pela negativa a cinematografia. É notório o que Chazelle em cooperação com Linus Sandgren tentou criar. No fundo tentou fornecer um close up literal ao espectador, e ao aproximar tantos planos tentou retirar o máximo de emoção possível do filme , das personagens e da sua história. Tais planos resultam numa vertente mais dramática, mas há situações onde tal opção tornou-se confusa e irritante, nomeadamente nas sequências espaciais. Se é certo que tal opção tornou a sequência inicial da Missão X-15 bem mais excitante, também é verdade que arruinou a experiência visual das sequências espaciais que ilustram a viagem até à Lua. 
Um mix entre planos mais próximos e outros mais abrangentes teria sido o ideal, mas a aposta em toda a linha numa estratégia close up e quase artística acaba por prejudicar a execução da história. E embora “First Man" tenha um início forte, um final competente e muitos pontos altos, como a performance de Ryan Gosling no papel de Neil Armstrong, também é certo que apresenta alguns defeitos crasso. Tais defeitos prendem-se sobretudo com questões técnicas que nos mostram que Chazelle não tem aqui uma obra tão conseguida como poderia ter tido, notando-se que sentiu claramente a pressão para criar algo extraordinário, tendo sucumbido à mesma e acabado por falhar na sua missão.
Não é que “First Man” seja mau, mas há pormenores técnicos muito além dos já falados que poderiam ter tido outro toque e requinte. Ainda assim recomenda-se “First Man”, já que está bem acima da média e conta com um elenco absolutamente excepcional, sendo aqui Gosling a grande estrela. A sua interpretação de Neil Armstrong é praticamente imaculada e bem demonstradora do grande ator que ele é. Talvez o Óscar esteja mesmo no seu futuro…

Classificação - 3,5 Estrelas em 5

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