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segunda-feira, novembro 26, 2018

Crítica - Mute (2018)

Realizado por Duncan Jones
Com Alexander Skarsgård, Paul Rudd, Justin Theroux

Nos últimos tempos, a Netflix tem vindo a apostar cada vez mais na produção de longas metragens originais, sendo que muitas delas até apresentam uma qualidade interessante. Este ano, por exemplo, a Netflix já lançou mais filmes originais que alguns dos grandes estúdios de Hollywood, como a Walt Disney por exemplo, e muitos desses projetos têm surpreendido pelo seu bom nível. É notório que esta plataforma tem vindo a crescer e, pese embora as dúvidas iniciais, hoje em dia já tem que ser considerada um peso pesado da indústria cinematográfica. O que é certo é que 2019 poderá marcar a sua consolidação oficial no mundo dos Óscares, já que pelo menos um dos seus filmes, “Roma”, de Alfonso Cuáron, tem fortes possibilidades de chegar às nomeações e até a algumas vitórias. É de recordar que “Mudbound” conseguiu várias nomeações aos Óscares de 2018 mas, pese embora algumas nomeações interessantes, não conseguiu conquistar nenhum prémio.
Mas a Netflix não tem apostado apenas em dramas ou documentários de qualidade. Um aspeto que tem surpreendido é que alguns dos filmes da Netflix têm uma forte aptidão comercial e não ficam nada atrás dos grandes blockbusters dos grandes estúdios. E não incluímos neste lote certos recentes lançamentos, como “Annihilation” ou “The Cloverfield Paradox” que, pese embora serem filmes originais da plataforma, foram inicialmente produzidos por um grande estúdio americano e, posteriormente, comprados pela Netflix. Estamos sim a falar de obras produzidas do início ao fim pela Netflix e que têm brilhado, sendo que muitos referem que se tais obras tivessem sido lançadas nos cinemas poderiam ter sido sucessos do box-office. Neste campo incluímos, por exemplo, o competente filme de ação sci-fi “Bright” que, efetivamente, conquistou muitos espectadores.
Esperava-se que “Mute” seguisse os mesmos passos desse produto de sucesso. Esta foi uma aposta séria por parte da Netflix que, perante as boas indicações do argumento, pegou num grande orçamento, em algumas estrelas de Hollywood e, acima de tudo, em Duncan Jones, o aclamado realizador de “Moon”, para criar um bom thriller com elementos futuristas. O resultado final, pese embora seja estiloso, desilude. A ambição de criar algo espantoso ficou-se pelo visual, já que “Mute” apresenta realmente uma vertente estética muito interessante, mas tal elemento técnico não é acompanhado por um enredo forte.
Este centra-se em Leo, um jovem bartender amish e mudo que vive com apenas um objetivo: voltar a encontrar o seu grande amor que desapareceu subitamente. Na sua jornada para encontrá-la, cruzará caminho com diversos outros seres que, calejados pelas experiências da guerra, não são tão amigáveis como ele.
Embora esta trama consiga gerar uma história capaz de cumprir os requisitos mínimos de entretenimento, “Mute” falha e cai em partes fulcrais. No fundo, “Mute” aparenta e pretende ser mais complexo do que o realmente é e, no final, quando tudo está explicado torna-se claro que há floreados a mais. Há também alguns pontos absurdos e aspetos desinteressantes que puxam, em demasia, pela dedicação e atenção dos espectador sem nunca dar furtos. O que no final podemos concluir é que, pese embora tenha duas horas de duração, a história real de “Mute” poderia apenas ser abordada em 30 Minutos. E isto diz muito da sua desorganização e da sua incapacidade objetiva
Também o elenco não ajuda “Mute” a brilhar. Alexander Skarsgård, por exemplo, não capta a nossa atenção e, apesar das complexidades e especificidades da sua personagem, acaba por ter uma performance demasiado clean! Também Paull Rudd e Justin Theroux dão péssimos vilões! Sendo assim de todas as apostas da Netflix neste projeto, apenas a de Jones não parece ter sido inglória. É certo que este jovem cineasta poderia ter feito bem mais e melhor, mas pelo menos criou parte do que lhe foi pedido, ou seja, um produto esteticamente apelativo. 

Classificação - 2,5 Estrelas em 5

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