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segunda-feira, fevereiro 04, 2019

Crítica - Velvet Buzzsaw (2019)

Realizado por Dan Gilroy
Com Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Zawe Ashton

Após a sublime colaboração em “Nightcrawler”, Dan Gilroy (Realizador) e Jake Gyllenhall (Ator) voltaram a unir forças, mas desta vez na Netflix onde lançaram recentemente “Velvet Buzzsaw“. Na sua primeira colaboração, a dupla Gilroy/ Gyllenhall apresentou um produto arriscado mas muito bem trabalhado sobre o chamado Jornalismo Choque/ Tablóide que, pela sua inerente qualidade, conseguiu surpreender e agitar muitas ondas em Hollywood. Esta sua segunda colaboração é ainda mais arriscada que a primeira, já que desta vez o tema é bastante mais extravagante e o conteúdo muito mais satírico, irónico e alternativo. O problema é que, desta vez, esta dupla não apresentou um produto final inegavelmente positivo e tão bem trabalhado, pelo que não tem a qualidade esperada.  
Estamos perante um thriller de terror que explora, de uma forma propositadamente exagerada e extravagante, o complexo mundo da Arte Moderna e o louco Mercado de Obras de Arte que alimenta tal indústria. Pela via satírica e exacerbada, “Velvet Buzzsaw“ explora uma trama com muitos elementos de terror e surrealismo, onde um grupo de promotores de arte ficam deslumbrados pelo trabalho bizarramente cativante de um pintor desconhecido e recentemente falecido. Tudo parece correr bem ao início, já que tais promotores pensam ter encontrado o novo filão dourado da indústria, mas tudo muda quando vários eventos bizarros vão-se sucedendo à medida que tais quadros vão sendo partilhados com o mundo! 



Num plano teórico, “Velvet Buzzsaw“ tinha potencial para se tornar num dos filmes mais bizarros, art-house e excêntricos de 2019, mas a fórmula pensada por Gilroy não resultou, no ecrã, tão bem como seria de esperar. Embora seja bem evidente a sátira ao Mundo da Arte, esta acaba por se perder nos elementos de excesso e terror do filme que, por um lado, o sobrecarregam em excesso com elementos desviantes. Fica alias no ar a ideia que a mistura entre o Surrealismo, o Terror, a Sátira e a Arte poderia ter sido promovida com um maior requinte ou espetacularidade e não tanto com um idealismo de "shock value"
Embora seja um filme com um tom bastante negro e especial, “Velvet Buzzsaw” acaba por não conseguir surpreender tanto como seria de esperar atendendo o tema e elementos presentes. Fica até a ideia que esta obra tentou aproximar-se de terrenos de Lynch ou Gilliam, mas o que é certo é que lhe faltou um pouco mais de risco, mas acima de tudo equilíbrio. É porque, no final de contas, a imagem que nos fica é a de um filme por vezes descompensado e que abusa da loucura na construção do terror. E isto não o torna assustador ou tenso, muito pelo contrário, torna-o aborrecido. 
Pese embora as falhas do enredo, “Velvet Buzzsaw” exibe elementos técnicos muito interessantes. Todo o visual do filme é impactante e, se pelo menos, o argumento tivesse acompanhado este estilo peculiar e a sua qualidade acima da média, então estaríamos perante um dos grandes filmes do primeiro trimestre do ano. O trabalho de câmara de Gilroy é fenomenal e o estilo visual que lhe confere é o adequado à mensagem e ao espírito que, teoricamente, pretendiam ser transmitidos ao espectador. Há planos simplesmente maravilhosos e muito bonitos que merecem ser valorizados, até porque ajudam a transmitir um pouco da ideia e do sentido que estava na base deste projeto mas que, infelizmente, não foram transpostos devidamente para o grande ecrã.
Um ponto positivo final de referência para o elenco estrelar deste projeto, nomeadamente para as performances secundárias de Rene Russo, John Malkovich e Toni Collete. Jake Gyllenhaal também apresenta uma performance interessante, mas muito menos sólida e relevante do que se poderia esperar, já que atendendo ao tipo de filme e às características da sua personagem, Gyllenhaal poderia ter feito muito mais e melhor. Quem desilude é a desconhecida Zawe Ashton, que claramente não aproveitou a oportunidade que aqui teve para ganhar mais visibilidade (e trabalhos) em Hollywood. 
Resumindo, “Velvet Buzzsaw” representa uma aposta arriscada por parte da Netflix e de Dan Gilroy e, embora não tenha sido uma aposta inteiramente negativa, o que é certo é que não se pode dizer que tenha sido uma aposta ganha. Faltou, no fundo, um método à loucura e, acima de tudo, mais assertividade na coordenação entre os elementos Objetivos e Subjetivos. 

Classificação - 2,5 Estrelas em 5

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