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sexta-feira, agosto 23, 2019

Crítica - Ready or Not (2019)


Realizado por Tyler Gillett, Matt Bettinelli-Olpin
Com Samara Weaving, Andie MacDowell, Mark O'Brien


Entre o terror e o humor macabro, “Ready or Not” surge-nos como uma das grandes surpresas positivas do género deste ano, estando já perfilado como um dos filmes revelação do ano. Este título ganha um significado ainda maior quando nos apercebemos que é um projeto de uma subsidiária da 20th Century Fox, estúdio recém-adquirido pela Walt Disney E, assim, apercebemos-nos que, se este projeto tivesse ido para aprovação neste momento, quase de certeza nunca teria visto a luz do dia. E isto porque, como sabemos, a Disney e os seus Executivos preferem apostar em obras menos sangrentas que vão de encontro aos valores mais familiares e comerciais do estúdio. Ainda assim, a Disney não cancelou a exibição de “Ready or Not”, mesmo tendo poder para tal, mas apesar deste sinal relativamente positivo, não é descabido de pensar que “Ready or Not” pode mesmo representar o canto do cisne no que a filmes de terror produzidos pela 20th Century Fox diz respeito...
Mas falando do filme em si. Um dos pontos mais positivos do filme (para além de pontos narrativos e pormenores deliciosos que falaremos posteriormente) é claramente a sua maior estrela: Samara Weaving. Ela interpreta Grace, uma jovem espirituosa de origens modestas que vai casar com o nobre Alex Le Domas numa cerimónia que terá lugar na imponente propriedade da excêntrica família Le Domas, cuja fortuna foi construída a partir da criação e venda de jogos de tabuleiro. O casamento decorre sem problemas até ao momento em que Grace, ainda no seu vestido de noiva,  junta-se ao novo marido e sogros para o que eles descrevem como um tradicional jogo de família para celebrar a união. O que parece ser um simples jogo acaba, no entanto, por se transformar no pior pesadelo de Grace quando esta percebe  que mais não é que uma presa num jogo perverso que a vai levar aos limites físicos e emocionais para conseguir sobreviver.




Weaving surge convincente e, a cada ato, vai-se tornando mais guerreira e extravagante, culminando na epitome da Mulher Guerreira. É certo que, a certa altura, a sua personagem começa a representar um cliché do género, mas também é verdade que a envolvência da trama acaba por suprimir esta perigosa aproximação ao cliché. 
E isto é o maior trunfo do filme. Pese embora uma trama básica, “Ready or Not” confere-lhe um tratamento criativo e com conteúdo que acaba por dar um ar refrescante ao género slasher, escapando assim aos maiores clichés do género. É certo que o filme pode até passar a ideia, numa primeira análise, que assenta em ideias já vistos, mas embora exista uma base similar, os twists conferidos acabam por criar um sentimento de surpresa, novidade e competência no tratamento do género, algo que poucos filmes de terror conseguem alcançar. 
Entre a violência e o terror há também espaço para algum humor negro que se adequa perfeitamente ao espírito do filme, onde o gore, a excentricidade e a surpresa tem sempre primazia sobre a lógica. Isto é até mais notório na fase final do filme, mas aqui sobressai um lado mais negativo. Enquanto boa parte da ação se desenrola com um certo suspense e até requinte terrorífico, a parte final desenvolve-se de uma forma apressada que acaba por contraria o ritmo que vinha a ser construído. Fica a ideia que, chegando a certo ponto, existiu a pressa de terminar a história de uma forma demasiado rápida. Um pouco mais de coerência entre o estilo do desenvolvimento e da conclusão teria tornado “Ready or Not” num filme ainda melhor, mesmo que isso implicasse acrescentar mais trinta minutos à duração total. 
Para terminar não poderia deixar de referir outro highlight do filme: a sua Direção Artística a cargo de Mike Leandro. Será difícil para "Ready or Not" chegar aos Óscares, mas se há categoria onde poderia ter, pelo menos, uma hipótese de nomeação, essa categoria é claramente a de de Design De Produção/ Direção Artística a. É certo que no Guarda Roupa também apresenta elevados traços de qualidade e design, mas é o Departamento de Direção Artísica que realmente eleva o filme, a sua história e intervenientes para uma dimensão extra de relevância. Teremos aqui um candidato surpresa entre os tradicionais favoritos?


Classificação - 3,5 Estrelas em 5

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