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quinta-feira, outubro 24, 2019

Crítica - Um Dia de Chuva em Nova Iorque (2019)

Realizado por Woody Allen 
Com Timothée Chalamet, Suki Waterhouse, Elle Fanning 

O novo filme de Woody Allen chegou finalmente a Portugal, isto após ter atravessado tantas polémicas, quer por causa das questões que envolveram Woody Allen e as notícias dos seus alegados abusos sexuais, quer por causa dos problemas jurídicos que afetaram os acordos da sua distribuição que adiaram, assim, o seu lançamento de 2018 para 2019 e só em alguns mercados. 
Mas polémicas à parte, “Um Dia de Chuva em Nova Iorque”/ “A Rainny Day in New York” não sobressai como um dos melhores projeto de Allen, mas também está bem longe de ser um dos  piores. É um filme que representa o estilo já clássico de Allen e que se ambienta na cidade que Allen tanto adora, aliás ao longo do filme são várias as pérolas descritivas da cidade que só poderiam sair da cabeça de um verdadeiro fã da Grande Maçã. 




É um filme de meios termos que, sem ser aquela produção espetacular ou surpreendentemente diferente como alguns dos seus trabalhos icónicos, como “Manhattan”, “Vicky Cristina Barcelona” ou “Match Point”, tem, ainda assim, as suas valias. O real elemento romântico do filme é bastante subtil e resulta, até porque nos brinda com um desenlace bastante romântico e bem ao estilo de Allen, onde novamente um ponto central de Nova Iorque é destacado! Há ainda assim certos elementos menos interessantes, como o excesso de pedantismo da personagem de Timothée Chalamet, ou as desaventuras da personagem interpretada por Elle Fanning. É certo que estas representam aquelas peripécias absurdas já vistas em filmes anteriores de Allen, onde o próprio Allen protagonizava essas mesmas peripécias, mas Fanning não é tão bizarra ou excêntrica como Allen e acaba, assim, por não saber assumir este papel com o estilo que, porventura, Allen esperava. E isso torna-se evidente ao longo do filme, já que a personagem de Fanning em vez de se tornar num foco humorístico e até de descontracção, torna-se extremamente irritante e desleixada com o avançar da trama. 
Por outro lado, Timothée Chalamet, que até foi dos maiores críticos de Allen após terem sidos revelados os alegados escândalos sexuais referentes ao cineasta, tem aqui uma performance bem aceitável. É claro que não estamos a falar do nível de “Call me By Your Name”, mas esta interpretação prova uma vez mais que Chalamet tem enorme potencial. A sua personagem até começa por irritar e por ser forçada, mas no final convence bastante. Uma outra surpresa positiva foi Selena Gomez que, pese embora interprete uma personagem que representa sobretudo uma doce sensualidade,  consegue brilhar junto de Chalamet . Já nos apoios, Jude Law, Diego Luna ou Liev Schreiber pouco acrescentam. E neste plano de elenco secundário o grande destaque vai sim para a veterana Cherry Jones que tem, provavelmente, um dos mais surpreendentes monólogos do filme.
Embora tenha já uma idade avançada e ter ainda que enfrentar as consequências mediáticas e sociais dos escândalos em que se viu envolto, Allen não terá em “Um Dia de Chuva em Nova Iorque” o seu canto do cisne, até porque está já a preparar um novo filme para 2020 que poderá enfrentar as mesmas ou mais dificuldades de distribuição que este enfrentou. Mas pese embora as dificuldades e as acusações, Allen persiste bem fiel ao seu estilo. O tempo e a justiça dirão sobre os méritos ou deméritos da sua personalidade e comportamento, mas realmente como cineasta e escritor Allen tem o seu valor. E mesmo entre tumultuosos eventos, “Um Dia de Chuva em Nova Iorque” assume um certo valor e até incentiva Allen a continuar a trabalhar.

Classificação - 3 Estrelas em 5

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