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Crítica - Golpe de Sol (2019)

Crítica - Golpe de Sol (2019)


Realizado por Vicente Alves do Ó

Com Oceana Basílio, Ricardo Barbosa, Ricardo Pereira


Em “Golpe de Sol”, Francisco (Nuno Pardal), um arquiteto de sucesso, convida três dos seus melhores amigos de longa data, Joana (Oceana Basílio), Simão (Ricardo Barbosa) e Vasco (Ricardo Pereira), para conviverem num fim-de-semana de lazer. Mas quando David, um velho amigo em comum que deixou marcas indeléveis nas vidas de todos, anuncia o desejo de os visitar após um longo período de ausência do país, instala-se um ambiente ameaçador neste refúgio modernista. Está assim lançada a trama deste novo projeto de Vicente Alves do Ó que se pode dizer que continua a sua aproximação a um estilo mais comercial de cinema, isto após ter lançado com algum sucesso em 2018 a comédia “A Mãe é Que Sabe”.

Embora chegue agora aos cinemas nacionais, “Golpe de Sol” não é um filme deste ano, já que entre 2018 e 2019 passou por vários festivais de cinema, entre os quais o Queer Lisboa, mas também outros certames internacionais. A promoção do filme além fronteiras parece ter sido positiva, mas o feedback, quer no estrangeiro, quer mesmo em Portugal, deixou um pouco a desejar. E tais críticas podem ser explicadas pela sua frágil construção narrativa. É inegável que o seu enredo assenta numa ideia intrigante que parece conter todos os ingredientes necessários para motivar o desenrolar de uma trama aliciante e tensa. Mas o brilho da sua ideia de base acaba por se perder num enredo e numa edição que ficaram abaixo das expectativas. 

Não estamos perante um caso único de um filme com potencial que não apresenta um argumento que acompanhe o seu conceito original mas simplista. E há que dar mérito à equipa criativa de “Golpe de Sol” por ter pensado neste conceito, mas fica no ar a sensação que poderiam ter ido mais longe e poderiam, acima de tudo, ter retirado mais garra de uma premissa que prometia tanto e acabou por entregar muito menos do que se esperava. 

É evidente o talento de Vicente Alves do Ó e, embora este seu filme seja mais fraco que os seus projetos anteriores, certo é que não é difícil de presumir que melhores apostas viram. É óbvio que as boas ideias existem no seu círculo, mas neste caso faltou uma concretização mais assertiva. No fundo dá a ideia que “Golpe de Sol” foi criado para agradar ao grande público, mas sem nunca perder um espírito independente. Neste caso a combinação não resultou e originou um thriller dramático com planos que se arrastam em demasia, fruto também de uma edição que poderia ter ido mais além. E com isto o suspense criado pela premissa vai-se esfumando aos poucos até chegarmos a uma conclusão que carece de personalidade e que não acompanha de todo o potencial da sua premissa. 

Não se pretende denegrir o trabalho da equipa por detrás de “Golpe de Sol”, até porque acredito que melhores filmes serão feitos por este grupo de pessoas que, aliás, já provaram no passado o seu potencial. Este foi apenas um tiro ao lado. Salva-se a ideia….

 

Classificação - 1,5 Estrelas em 5

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