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Tenet Explicado em 6 Pontos (Spoiler Alert)

Tenet Explicado em 6 Pontos (Spoiler Alert)

Já está nos cinemas nacionais o filme “Tenet”, de Christopher Nolan. Pese embora a elevada expetativa não se pode dizer que tenta tido uma receção calorosa por parte da crítica, embora todas as avaliações sejam acima da média. Já se sabe que a fasquia para as obras de Nolan é sempre colocada num patamar elevado e que sempre se procura é a excelência, mas “Tenet” não parece ter cumprido e está, por isso, entre os filmes piores cotados de Nolan. Mas é óbvio que estamos na mesma perante um filme de Nolan que, embora mais fraco que obras anteriores, tem potencial para oferecer ao espectador uma jornada cinematográfica impressionante. 

O artigo que se segue contem alguns spoilers sobre o filme, não sendo por isso recomendado para quem ainda não o tenha visto ou para quem o queira ver sem surpresas antecipadas. É um artigo que pode ajudar a explicar o filme, a sua base e a sua história, mas é acima de tudo uma peça para compreender o porque de “Tenet” ser considerado um filme mediano para o padrão de Nolan, mas ainda assim um bom filme para o padrão de Hollywood.


1 – O Título

Mesmo antes do primeiro trailer ser lançado o título de “Tenet” já dava a pista do que poderíamos esperar deste filme. O título é um palíndromo, ou seja, é uma palavra que se pode ler da mesma forma dos dois sentidos. Esta era a primeira pista que o filme teria algo a ver com viagens no tempo ou distorções temporais, mas acima de tudo era a confirmação de uma componente sci-fi. Só por mera curiosidade, a última vez que vimos um palíndromo ter tanta relevância para o argumento de um filme como a palavra Tenet tem nesta obra de Nolan foi, curiosamente, noutra grande obra sci-fi: “Arrival” (com o nome da Filha da Protagonista). Já em “Tenet” a origem do nome também está ligada a um importante plot point!


2 – A Onda Sci-Fi

À semelhança de “Inception”, mas também de “Interstellar, “Tenet” entra por complexos caminhos narrativos que cruza ficção científica com teorias reais da física moderna. Tal como nestes dois clássicos modernos, Nolan incute em “Tenet” algumas abordagens teóricas que envolvem as maiores teorias da física ainda por corroborar e fá-lo de forma a contextualizar e a incutir realismo à história. É óbvio que desde cedo que o próprio filme torna claro para o espectador que não estamos perante um típico thriller de espionagem, mas sim perante uma obra com o já esperado toque sci-fi realista dado por Nolan.


3 – As Viagens no Tempo

Quem viu o trailer poderá presumir que “Tenet” vai a fundo no conceito das viagens no tempo, mas a realidade é que aproveita-se, claramente, de uma boa ideia lançada pelo final de “Interstellar” para dinamizar um conceito que, no global até se pode incluir no tópico de viagens no tempo, mas que de certa forma nada tem a ver com o mesmo. Confusos? Não há nenhuma real viagem no tempo no filme, mas existem distorções do espaço e do tempo que permitem comunicações do presente com o futuro ou, se preferirem, viagens entre pontos nas mesmas linhas temporais. Este conceito fez parte de um importante plot point de “Interstellar” e em “Tenet” pode-se dizer que a sua ideia é abordada com mais proximidade a uma trama que ganha relevância e intensidade por força deste twist.  

Mas importa referir que a ideia do conceito de distorção temporal e engenharia temporal presente em “Interstellar” teve como base uma teoria de Kip Thorne e, embora seja semelhante no principio, o conceito de “Tenet” é, de certa forma, mais rudimentar e mais ficional, já que não joga com esse conceito de uma forma tão objetivamente clara e científica (até porque não há nenhum buraco negro no filme), usando assim o conceito mais lato de Inversão do Tempo. Se em “Interstellar” pode-se até dizer que há, efetivamente, uma viagem no tempo embora em várias linhas temporais, em “Tenet” essa viagem efetiva não acontece de uma forma tão clara. Há sim saltos entre várias Linhas que permitem antecipar eventos ao analisar o passado e, como se vê em certas sequências, a ocorrência de certos fenómenos inexplicáveis, mas não há uma viagem no tempo clara, pelo menos não da forma como nós a imaginamos.  De certa forma, “Tenet” é uma versão polida de “Deja Vu” (2006) com Denzel Washington, sendo que a sua trama funciona com base no mesmo conceito.


4 – A Lógica 

O conceito de Inversão Temporal é o meio que permite que a história se desenvolva, mas na base está uma ideia bastante complexa que não é perceptível logo de início. Estamos perante um thriller de espionagem, mas na realidade estamos mais próximos de um filme com uma ideia simplista mais próxima à de um filme de ação, onde o Protagonista tem que evitar que um vilão (ainda por cima de origem russa) destrua o mundo. É esta a razão de existência do Protagonista que tem que evitar que o Futuro destrua o Presente, evitando assim uma Terceira Guerra Mundial e um evento apocalíptico que destruíria 99% da População. E porque é que o Futuro quer destruir o Presente? Fica ao critério de cada um, mas é dado a entender que o Futuro da Terra é sombrio (implicações de guerra e desastre ecológico) e que, para o impedir, uma Sociedade do Futuro acredita que tem que se fazer um Reset da Sociedade enquanto há tempo para salvar o Planeta e esse Reset tem de ser feito no Presente do Filme. Só o 1% que sobreviveria ao plano do Futuro pode salvar a Humanidade e o Planeta Terra…..

E, parecendo que não, “Tenet” impõem com esta trama um dilema moral pouco abordado. Se alguém do Futuro dissesse que para salvar a Humanidade grande parte da População teria que ser aniquilada como se reagiria? É claro que “Tenet” dá sempre a entender que o plano do Futuro é um plano maléfico e errado perpetrado por uma organização que não representa a Humanidade, mas não há dúvidas que o conceito de base é intrigante.

 

5 – O Intermediário Maléfico

Se há pessoas vivas no Futuro com acesso a tecnologia de Inversão porque é que eles não viajam no tempo para destruir o Presente, cumprindo assim o seu plano sem intermediário? A resposta é simples e remete para o que já dissemos. Não há em “Tenet” nenhuma real viagem no tempo, mas sim alterações de linhas temporais e comunicações entre as mesmas, pelo que uma pessoa que não existia no Presente do Filme não pode viajar do Futuro da Humanidade para trás quando ainda nem existia, mas essa pessoa do Futuro pode comunicar com o Presente. É possível, pelo que o filme dá a entender, que uma pessoa salte dentro da Linha Temporal da sua Existência, mas não pode ir mais além do que isso. É uma forma de tentar incutir um pouco de lógica a saltos temporais e impedir, por exemplo, que a tecnologia de Inversão seja usada para alterar a 2ª Guerra Mundial ou a morte de Jesus Cristo, por exemplo. 


6 – O Final 

Em “Tenet”, tal como o conceito do filme, andamos sempre de trás para a frente e vice versa, mas sem nunca ir muita a frente ou muito atrás. Os “saltos” pela via da Inversão estão sempre localizados num curto espaço de tempo, mas o final da a entender que o Protagonista dará um salto maior para trás, mas acima de tudo que no futuro mais próximo o Protagonista manipulará a Linha Temporal para evitar o Apocalipse e levará assim pessoas da sua Realidade para o Passado. No fundo, o Final dá a entender que o plano da Sociedade do Futuro nunca se iria concretizar de qualquer forma, porque o Protagonista arranjou uma forma de manipular a linha Temporal de forma a contratar pessoas que impedem que o plano no Presente seja sempre concretizado, encerrando assim a Linha Temporal com a mesma conclusão em qualquer ocasião.  

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3 Comentários

  1. Confesso que assiti ao filme duas vezes e ainda fiquei confuso sobre o tema principal e o porque dele acontecer. Também concordo que não é o melhor filme do Nolan, talvez o pior.

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  2. O filme é ótimo e de fácil entendimento. Veja novamente.

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