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Crítica - Rebecca (2020)

Crítica - Rebecca (2020)


Realizado por Ben Wheatley

Com Kristin Scott Thomas, Lily James, Armie Hammer


Realizado por Alfred Hitchcock em 1940, "Rebecca" faz parte da história de Hollywood.  Foi com esta adaptação do consagrado romance de Daphne du Maurier que Hitchcock chegou ao prémio máximo dos Óscares. Tecnicamente, Hitchock não ganhou o Óscar de Melhor Filme, já que tal prémio foi, na altura, atribuído apenas a David O. Selznick (Produtor) mas, ainda assim, "Rebecca" foi o único filme de Hitchcock que conquistou Óscar de Melhor Filme e o próprio Hitchcock conseguiu uma nomeação ao Óscar de Melhor Realizador por este projeto, tendo perdido para o histórico John Ford por "The Grapes of Wrath". 80 anos depois do lançamento desta obra prima nos cinemas, a Netflix lança (ironicamente) na sua plataforma de streaming a nova adaptação do romance de Daphne du Maurier que, embora respeite os traços clássicos que caracterizam a história imaginada por du Maurrier, revela-se um filme mediano.

Penso que é seguro afirmar que todo o planeta sabia que esta nova adaptação da Netflix ia ser inferior ao clássico de Hitchcock. As expectativas eram, por isso, já bastante baixas e o filme não conseguiu elevá-las. A grandeza e a engenhosidade estão presentes devido à grande base literária, mas ao contrário do que Hitchock conseguiu fazer em 1940, Ben Wheatley não consegue transportar um misterioso enredo para um patamar superior. O filme de 1940 juntava aos deliciosos pormenores da escrita de du Maurier aquele toque soberbo de suspense e de extravagância hitchcockiana, já esta nova adaptação revela-se bastante seca e até acaba por conseguir retirar algum brilho à sua magistral base literária. 

Ben Wheatley não teve pulso para esta adaptação nem teve a garra necessária para elevar e diferenciar esta obra que iria sempre ser comparada com o grande filme de 1940. Se o clássico ganhou o Óscar de Melhor Filme, esta adaptação moderna está bem mais perto de ganhar o Razzie de Pior Filme. É um claro exagero, já que a obra de Ben Wheatley não é assim tão má, mas esta afirmação contrastante serve para evidenciar as grandes diferenças de nível entre os dois filmes que seguem a mesma base narrativa, mas que têm opções técnicas e criativas completamente diferentes. 

A única coisa que é superior nesta versão de 2020 comparativamente à de 1940 diz respeito à performance da atriz que interpreta Mrs. Danvers, uma das vilãs da história. Sem retirar mérito à interpretação de Judith Anderson em 1940, a performance de Kristin Scott Thomas nesta obra da Netflix é superior. É certo que no filme de 2020 a personagem de Mrs Danvers tem um maior destaque, nomeadamente no final,  mas não é só por isso que Scott Thomas brilha mais alto. A sua performance é realmente magnética e há uma cena em particular (já perto do climax) onde esta celebrada atriz mostra todo o seu talento e carisma. É sem duvida a grande estrela do elenco, isto porque Lily James e Armie Hammer ficou um pouco àquem do esperado..Até a omnipresente Rebecca acaba sempre por ter mais presença que qualquer um destes dois astros, evidenciando bem o diminuto afinco incutido por ambos na interpretação das suas respetivas personagens.

É difícil dizer o que se esperava na realidade desta versão de "Rebecca", mas tendo em conta a impetuosidade do filme de 1940 algo de diferente deveria ter sido feito. Seria sempre difícil melhorar, mas infelizmente este filme conseguiu mesmo desonrar um clássico literário e a sua adaptação clássica para o cinema. Se a intenção era só criar um produto mediático mas que não honra a memória do passado então mais valia terem deixado este projeto na gaveta...


Classificação - 2 Estrelas em 5

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