Entrevista com a Atriz e Modelo Ingrid Sophie Schram, a Estrela do Sombrio My Heart Can't Beat Unless You Tell It To

Entrevista com a Atriz e Modelo Ingrid Sophie Schram, a Estrela do Sombrio My Heart Can't Beat Unless You Tell It To
Ingrid Sophie Schram in My Heart Can't Beat Unless You Tell It To


Foi no MOTELx 2020 que entramos em contacto com "My Heart Can't Beat Unless You Tell It To", um thriller bastante tenso e sombrio realizado por Jonathan Cuartas. Uma das protagonistas desta obra é a atriz e modelo canadiana Ingrid Sophie Schram  que, com esta longa metragem, assume o seu primeiro grande papel numa longa metragem após participações em curtas metragens e um papel secundário no aclamado drama "Phantom Thread". Falamos com Ingrid Sophie Schram  sobre os desafios que este papel lhe apresentou e  abordamos também o tom sombrio deste projeto.

It was at this year's MOTELx that we got in touch with "My Heart Can't Beat Unless You Tell It To", a very tense and dark thriller directed by Jonathan Cuartas. One of the protagonists of this film is the Canadian actress and model Ingrid Sophie Schram  who, with this feature film, had her first major role in a feature film. She previously appeared in short films and had a supportingrole in the highly acclaimed drama "Phantom Thread". We spoke with Ingrid Sophie Schram  about the challenges that this role presented her and also addressed the dark tone of this project.


Entrevista com a Atriz e Modelo Ingrid Sophie Schram, a Estrela do Sombrio My Heart Can't Beat Unless You Tell It To

Portal Cinema (PC) – A Sophie mudou-se para Nova York ainda jovem para seguir a carreira de atriz, mas acabou por florescer na indústria da moda e depois acabou por regressar ao seu primeiro amor: a representação. Como é que o trabalho como modelo ajudou ao seu caminho profissional na representação?/ You move to New York at a young age to pursue an acting career, but you end up blooming in the fashion industry and latter returned to your first love: acting. How did modeling helped your professional path in acting?


Ingrid Sophie Schram - A minha carreira como modelo ajudou-me, em primeiro lugar, com vistos e a ambientar-me à vida em Nova Iorque. Expôs-me a muitas pessoas e experiências de vida, e também me ajudou a não me apegar à minha imagem já que o trabalho consiste em ser.se flexível e camaleão e, claro está, usar a própria imaginação para dar vida a diretrizes superiores. Como modelo também estou habituada a trabalhar com uma equipa à minha volta, por isso achei muito útil este aspeto para representar enquanto concentro-me no material e no mundo construído. Não tenho medo de me transformar numa ideia ou tom, e desde que comecei a minha carreira como modelo não tenho uma imagem fixa de como devo ser, pois criei uma imagem para me adaptar a visões diferentes e ter que incorporar uma direção criativa nas várias cores diferentes de um arco-íris emocional.

Modeling first off helped me with visas and things as a Canadian living in New York at the time. It exposed me to many people and life experiences, and also helped me not be attached to my image since the work is to be flexible and chameleon and the use of ones imagination. As well, being used to a crew around you, I've found that very helpful with acting while focusing on the material and built world. I am not afraid to transform into an idea or tone, and from modeling I do not have a fixed image of what I have to look like since I have been made to look lots of different ways and having to embody a creative direction all different colors of an emotional rainbow.

PC - Quais são as suas principais inspirações e influências na indústria do cinema/ What are your main inspirations and influences in the film industry? 


Ingrid Sophie Schram - Recentemente fiquei bastante inspirada com o filme "I Will Destroy You" de Michaela Coel. Há também alguns filmes que adoro, como  "Dog Day Afternoon", de Sidney Lumet; "Days of Heaven", de Terrence Malick ou "Being There" de Hal Ashby. Eu costumava ver muitos filmes estrangeiros coma  minha mãe e isso definitivamente influenciou-me e alimentou a minha afinidade pela representação e pela narrativa. Há muitos filmes e atores que me inspiraram pelos seus retratos da humanidade. Lembro-me de ter visto "Breaking the Waves", de Lars Von Trier, quando tinha 12 anos, e posso dizer que foi um filme muito impressionável para a época.

Main inspirations and influences in the film industry - Recently very inspired by "I Will Destroy You" by Michaela Coel. Some films I adore - "Dog Day Afternoon" by Sidney Lumet. "Days of Heaven" by Terrence Malick. "Being There" by Hal Ashby. I used to watch a lot of foreign films with my mother growing up and that definitely influenced me and nurtured my affinity for performance and storytelling. Too many movies and actors that have inspired me by their portrayals of humanity. I remember seeing "Breaking the Waves" when I was 12 by Lars von Trier and that was very impressionable at the time.



PC - Falemos agora do seu papel no thriller “My Heart Can't Beat Unless You Tell It To”, O que nos pode dizer sobre este projeto e como é que se envolveu nele?/ Lets talk about your latest acting role in the thriller “My Heart Can't Beat Unless You Tell It To”. What can you tell us about this project and how did you got involved in it? 


Ingrid Sophie Schram - Conheci Kenny Riches, o produtor (também cineasta) no Festival de Cinema de Sundance e ele acabou por me abordar para entrar no filme. O guionista e realizador Jonathan Cuartas tinha visto um curta-metragem de Dustin Guy Defa no qual eu tinha participado e mencionou que, ao vê-lo, pensou em mim para o papel de Jessie. Eu li o argumento e no começo fiquei um pouco assustada com o material, porém li uma segunda vez e fui compelida a saltar para o desafio para ajudar a contar a história da luta da família.

I met Kenny Riches the producer (also a filmmaker) at the Sundance Film Festival and he reached out to me about the film. The writer and director Jonathan Cuartas had seen a short film by Dustin Guy Defa that I had acted in and had mentioned to me that when he saw it he thought of me for the lead of Jessie. I read the screenplay and at first I was a bit scared of the material, however I read it a second time and was compelled to jump into the world to help tell the story of the family's struggle.


PC – Como descreve a sua personagem, a Jessie?/ E quais foram os principais desafios que teve de enfrentar para dar vida a esta personagem?/ How do you describe your character Jessie? And what were the main struggles you’ve faced during the filming process?


Ingrid Sophie Schram - Embora Jessie seja uma tirana para muitos, acho que ela é alguém que fez enormes sacrifícios na sua tentativa de proteger o seu irmão mais novo, que precisa dela (e também de Dwight) para sobreviver. Embora se tenha tornado uma pessoa dura, o seu compromisso e força, embora assustadores, são bastante admiráveis. Porém também possibilita muita destruição, e achei interessante também a ideia de que as pessoas podem se convencer de que estão a fazer uma coisa boa, mas que rapidamente se torna numa visão obsessiva de túnel e com muitas consequências negativas. Ela é assustadora por fora, mas acho que no fundo a raiva advém da tristeza. Ela tornou-se  na mãe dos seus irmãos, e Dwight agora é quase como um parceiro para ela, o que é muito estranho. A essa altura, a maioria das pessoas no lugar dela já teria tido um colapso nervoso, no entanto, a sua frieza e intensidade é o que achei muito interessante sobre ela, e um belo desafio de encontrar nos seus mecanismos de confronto e em todo o seu enredo. O seu amor se transformou em controlo por causa do medo profundo de perder a unidade familiar. Numa das cenas mais impactantes tive que fumar um cigarro, e ironicamente essa cena acabou por ser cortada do filme no processo de edição, mas essa foi uma das partes mais desafiadoras de que me lembro, no plano físico. 

Although Jessie is a tyrant to many, I think she is someone that has made huge sacrifices for her attempt at protecting her youngest brother who needs her and Dwight to survive. Although she has become so hardened, her commitment and strength, although scary, is pretty admirable. However it is also enabling a lot of destruction, and I found that interesting too, the idea that people can be convinced that they are doing a good thing and soon it becomes obsessive tunnel vision and with lots of negative consequences. They can turn into a monster. She is scary on the outside but I think deep down the anger is sadness. She has become a parent to her brothers, and Dwight is almost like a partner now to her which is a very strange. Most people in her shoes would have had a nervous breakdown by then, however her coldness and intensity is what I found very interesting about her, and a nice challenge to find in her coping mechanisms, and all of the enmeshment. Her love has turned into control out of deep fear of losing the family unit. One of the scenes I had to smoke a lot of cigarettes, and ironically that scene ended up being cut from the film for editing purposes, but that was one of the most challenging parts I remember, on a physical level.


PC –  E qual é a sua opinião global relativamente a “My Heart Can't Beat Unless You Tell It To? Como o descreveria?/ And what  is your opinion regarding “My Heart Can't Beat Unless You Tell It To”? How do you describe it to the audiences?


Ingrid Sophie Schram - Acho que é um filme que pode ser catártico para pessoas que passaram por lutas familiares e sofrimentos e não houve nem luz do sol em casa, nem ar para respirar. O vampirismo pode representar muitas coisas. Está muito escuro! É uma janela para uma luta familiar decadente, um retrato de família único e uma janela para o seu próprio terror.

I think it's a film that can be cathartic for people that have had family struggles and grief and there has not been sunshine let into the house, air to breathe. The vampirism can represent a lot of things. It's pretty dark! It is a window into a decaying family struggle, a unique family portrait and a window into its horror.


PC – É uma questão complicada atendendo à imprevisibilidade dos tempos atuais, mas tem algum plano do que fará a seguir?/ It’s a hard question taking into consideration the unpredictable times we’re living in, but do you have any plans for what you’ll do next? 


Ingrid Sophie Schram - Estou neste momento a ler vários argumentos e também a escrever muito enquanto as coisas estão neste estranho embrião. Eu sei que a narração de histórias não vai parar, não importa o que esteja acontecendo no mundo, e estou ansiosa para ver que histórias é que serão contadas neste período específico de uma pandemia global. Família e amigos estão cuidando e ficando seguros e fazendo o que podemos.

I am reading screenplays during the pandemic, and writing lots while things are in this strange embryo. I know storytelling will not stop no matter what is going on in the world, and I look forward to the stories that will be told from this specific time period of a global pandemic. Family and friends are taking care and staying safe and doing what we can. 





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