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Entrevista a Vadim Perelman, Realizador Que Já Esteve Nos Óscares e Que Apresentou em 2020 o Aclamado Persian Lessons, Candidato da Bielorrússia aos Óscares

 O drama "As Lições de Persa" foi um dos melhores filmes de 2020, mas é também um dos melhores filmes sobre o Holocausto dos últimos anos! Recebido no Festival de Berlim de 2020 com muitos aplausos, algo que aconteceu em outros festivais por onde passou, esta obra foi também seleccionada pela Bielorrússia como o candidato do país ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.  Por detrás de "As Lições de Persa" está Vadim Perelman, um consagrado cineasta já habituado às andanças de Hollywood. Para quem pode não se lembrar, Perelman já realizou dois grandes filmes de Hollywood: "The Life Before her Eyes" em 2007 e "House of Sand and Fog" em 2003. Este último destaca-se, já que recebeu três nomeações aos Óscares nas categorias de Melhor Banda Sonora, Melhor Ator Secundário (Shohreh Aghdashloo) e Melhor Ator Principal (Ben Kingsley). 

Dezoito anos após a participação nos Óscares, Vadim Perelman tem boas hipóteses de regressar aos Óscares com este "As Lições de Persa", um belíssimo e emotivo drama que retrata o Holocausto de uma forma diferente, mas ainda assim extremamente tocante e intensa. Ficamos tão comovidos com este filme que tivemos que entrevistar este fabuloso cineasta que nos conquistou com a sua enorme simpatia e, acima de tudo, com a sua grande visão artística que já conseguimos ver nos dois filmes de Hollywood já mencionados, mas que em "As Lições de Persa" é novamente evidente. E, por falar em Hollywood, foi já no fim da nossa entrevista que perguntamos a Perelman para quando um regresso a Hollywood com uma nova produção norte-americana e, sem dar detalhes, o cineasta confirmou-nos que está a pensar regressar ao ativo nos Estados Unidos e que tem aproveitado até a pandemia para trabalhar neste seu regresso com um filme também baseado num romance e que ele espera que seja uma experiência muito positiva! 

The drama "Persian Lessons" was one of the best films of 2020, but it's also one of the best films about the Holocaust in recent years! Received at the Berlin Film Festival in 2020 with applauses and critical acclaim, something that also happened at other festivals where the movie was showned, this amazing film was also selected by Belarus to be the the country's entry for the Best Foreign Language Film Oscar. Behind "Persian lessons" is Vadim Perelman, a renowned filmmaker that's already accustomed to Hollywood's vibe. For those who may not remember, Perelman has already made two great Hollywood films: "The Life Before Her Eyes" in 2007 and "House of Sand and Fog" in 2003. The latter stands out, since he received three Oscar nominations for the Best Soundtrack, Best Supporting Actor (Shohreh Aghdashloo) and Best Leading Actor (Ben Kingsley) categories. 

 Eighteen years after participating in the Oscars, Vadim Perelman has a good chance of returning to the Oscars with "Persian Lessons", a beautiful and emotional drama that portrays the Holocaust in a different way, but that is still extremely touching and intense. We were so moved by this film that we had to interview this fabulous filmmaker who won us over with his enormous sympathy and, above all, with his great artistic vision that in "Persian Lessons" is evident. And speaking of Hollywood, it was at the end of our interview that we asked Mr. Perelman when to return to Hollywood with a new American production and, without giving details, the filmmaker confirmed to us that he is thinking of returning to active United States and who has even taken advantage of the pandemic to work on his return with a film also based on a novel and which he hopes will be a very positive experience!


Entrevista a Vadim Perelman, Realizador Que Já Esteve Nos Óscares e Que Apresentou em 2020 o Aclamado Persian Lessons, Candidato da Bielorrússia aos Óscares


    França ocupada, 1942. Gilles é preso por soldados das SS, juntamente com outros judeus, e enviado para um campo de concentração na Alemanha. Contudo, consegue evitar por pouco a execução imediata, jurando aos guardas que não é judeu, mas persa. Essa mentira salva-o temporariamente, mas Gilles é encarregado de uma missão de vida ou morte: ensinar farsi a Koch, o diretor do campo, que tem o sonho de abrir um restaurante no Irão quando a guerra acabar.Através de um truque engenhoso, Gilles consegue sobreviver inventando palavras em "farsi" todos os dias e ensinando-as a Koch. A relação especial entre os dois homens desperta a inveja de outros prisioneiros e guardas das SS em relação a Gilles. E com as suspeitas de Koch a aumentarem a cada dia, Gilles compreende que não conseguirá guardar o seu segredo por muito tempo... 

1942. Gilles, a young Belgian man, is arrested by the SS alongside other Jews and sent to a concentration camp in Germany. He narrowly avoids execution by swearing to the guards that he is not Jewish, but Persian. This lie temporarily saves him, but then Gilles is assigned a seemingly untenable mission: to teach Persian to Koch, the officer in charge of the camp's kitchen, who dreams of opening a restaurant in Persia (Iran) once the war is over. Gilles finds himself having to invent a language he doesn't know, word by word. As the unusual relationship between the two men begins to incite jealousy and suspicion, Gilles becomes acutely aware that one false move could expose his swindle. 



 A ENTREVISTA/ THE INTERVIEW


Começamos por explorar o passado de Vadim Perelman e como surgiu a sua paixão pelo cinema. Numa resposta muito honesta que nos transportou para a sua infância, Perelman referiu que "desde criança gostava de contar histórias. Passava os meus Verões num acampamento com outras crianças e lia sempre muitos livros e, à noite, quando apagavam a luz, repetia o livro para toda a ala e, de certa forma, estava já aí a contar uma história como nos filmes. Tudo começou com os livros e, até hoje, ainda se relaciona com os livros. Sempre adorei contar histórias e fazer filmes, na verdade, aprendi a amar filmes."

We started by exploring Vadim Perelman's past and how his passion for cinema came about. In a very honest answer that took us back to his childhood, Perelman said that "Ever since I was a child I liked telling stories. In Summer I was in a camp with a bunch of kids and I would read a book and I would at night, when they turned the light off, I would repeat the book to the all ward and, in a way, I was telling a story like in the movies. It all started with the books and, to this day, it still relates to books. I’ve always loved telling stories and doing movies, in fact I’ve learned to love movies." 


Claro que seria impossível não explorar o seu passado dourado em Hollywood e, tendo em conta que nem sempre Hollywood é um sítio fácil para trabalhar, perguntamos-lhe como foi a experiência e se sentiu pressionado ou se teve que abdicar da sua liberdade criativa nos projetos que realizou nos Estados Unidos. E ficamos a saber que para Perelman foi uma experiência positiva e diferente: "Foi diferente comigo. Trabalhei em cima do meu argumento nas duas vezes e tive a total confiança do estúdio em ambos os filmes. Sou o tipo de pessoa em quem as pessoas parecem confiar quando se trata da minha visão e as pessoas geralmente pensam que conseguirei levá-la adiante. E sou muito grato por isso."

Of course, it would be impossible not to explore his golden past in Hollywood and, taking into account that Hollywood is not always an easy place to work in, we asked Mr Perelman what the experience was like and if he was under pressure or if he had to give up his creative freedom in projects who participated in the United States. And we learned that for Perelman it was a positive and different experience: "It was different with me (regarding 2 hollywood), It was my script both times, and I had the full trust of the studio in both films. I’m the kind of person that people seem to trust when it comes to my vision and people usually think that I can carry it off. For that I’m very grateful." 


Claro que o tópico central da entrevista foi o filme "As Lições de Persa" que, como já referimos, é o candidato da Bielorrússia ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Sobre este tema, Perelman mostrou-se grato ao país pela oportunidade: "Penso que a dada altura  esperámos que o Comité da Bielorrússia o escolhesse para os representar. O filme foi uma co-produção com 3 países (Alemanha, Rússia, Bielorrússia) e sempre pensamos que a Bielorrússia mereceria esta oportunidade. E o país merece pelo que está a acontecer lá a nível político, mas também porque filmamos o filme inteiro no país e, exceto os atores principais, todo o elenco e figurantes são bielorrusos. Sem o país, “Lições Persas” não existira. Foi por isso uma grande honra fazer o filme com eles e ser selecionado como seu representante para os Óscares.

It's obvious that the central topic of the interview was the film "Persian Lessons" which, as we have already mentioned, is the Belarusian candidate for the Oscars. On this subject, Perelman was grateful to the country for this opportunity: "I think we always expected that the Belarus Committee would select it to represent it. The film was a co-production with 3 Countries (Germany, Russia, Belarus), and we always thought that Belarus would deserve that chance. And the country deserves it because of what’s happening there politically, but because e also film the entire film there and, except or the main actors, all the cast and extras are from Belarus. Without the country, “Persian Lessons” wouldn’t exist so it was quite an honor to do the film with them, and to be selected and their entry for the Oscars."


"As Lições de Persa" fez a sua grande estreia no Festival de Berlim, onde foi aclamado, mas Perelman considera isto uma sorte porque a Pandemia, desde então, tem afetado a caminhada do filme nos vários países, tendo aliás a sua estreia sido adiada por diversas vezes: "Tivemos sorte de estar em Berlim, porque depois disso todos os principais festivais de cinema foram cancelados ou atrasados, mas estamos felizes por ter tido a chance de estrear o filme em Berlim. O filme teve ainda uma breve passada pelos cinemas alemães, mas esta passagem foi encurtada devido à Pandemia Covid-19. O filme vai estrear nos cinemas em cerca de 50 países, mas todos eles adiaram o lançamento do filme para 2021."

"Persian Lessons" made its big debut at the Berlin Film Festival, where it was acclaimed, but Perelman considers this lucky because the pandemic has since affected the film's journey across countries, and its premiere in several countries has been postponed several times: #We were lucky to be in Berlin, because after that all major film festivals were canceled (cannes) or delayed, but we’re glad we got the chance of premiering the film in Berlin. The film had a movie theater run in Germany, but it was curt short due to the Covid-19 Pandemic. The film will premiere in theaters in around 50 countries but all of them pushed the released of the film to 2021 starting in January. For instant, US is holding back and France will only premiere it in March."


E como é que o filme esta a ser recebido pelo público na opinião do realizador? "O filme foi aplaudido de pé em Berlim e acredito que está sendo muito bem recebido. Acredito que o filme ressoou fortemente entre os alemães, mas também foi muito bem recebido em Moscovo. As pessoas parecem adorar."

And how is the film being received by the public in the director's opinion? "The film got a standing ovation in Berlim, and I believe the film is being very well received. I believe the film resonates strongly with the Germans, but it was also very well received in Moscow. The people seem to love it." 


Um ponto curioso e interessante de "As Lições de Persa" é que se trata de algo mais do que um simples retrato do Holocausto. É um filme Humanista e Emotivo com uma abordagem diferente. E quisemos saber o porque e como Vadim Perelman o descreve: É um filme sobre moralidade. Decidi mostrar os Nazis como Humanos, algo que raramente é feito, porque na maioria das vezes eles são retratados apenas como assassinos. Foi uma escolha muito consciente, porque eu queria condená-los ainda mais, porque acho que quando entendes que eles eram Humanos e que até lidavam com burocracias nos campos, também percebes que eles não eram alienígenas ou robôs, mas eram pessoas  como nós. Acredito que é mais assustador e ainda mais poderoso vê-los fazer o que fizeram, ou seja, cometendo genocídio, mas serem retratados não como seres inconscientes, mas como Humanos. É uma representação poderosa porque quase que podemos imaginar-nos a fazer algo do género  ou imaginar pessoas no futuro a fazerem algo parecido. Ao mostrá-los como humanos, não os estamos a desculpar, mas estamos mostrando que eles foram Humanos que fizeram aquilo por sua vontade e que o que eles fizeram pode-se repetir novamente. Então, de certa forma, é uma lição.

A curious and interesting point in "Persian Lessons" is that it is more than just a portrait of the Holocaust. It is a Humanistic and Emotive film with a different approach. And we wanted to know why and how Vadim Perelman describes it: "It’s a movie about morality in a way. I’ve decided to shown the Nazis as Humans which is rarely done, because most of the times they are only portrayed as killers. It was a very conscious choice because I wanted to condemn them even more, because I think when you understand that they were Humans that dealt with bureaucracies in the camp, you also realize that they weren’t aliens or robots but they were people very much like us. I believe it is scarier and even more powerful to see them doing what they did, namely committing genocide, and portrayed them not as Unconscious Beings but as Humans. It’s a powerful representation because we can almost imagine ourselves doing it or imagine people in the future doing it. By showing them as Human we are not excusing them, but we are showing that they were Humans that done that willing them and that what they did can repeat itself again. So in a way it’s a lesson."


E quais foram os grandes desafios para dar vida a esta obra? Bem a resposta surpreendeu..."O principal desafio foi que não sei alemão. Os membros do elenco falam alemão e a maior parte do filme é falado em alemão. Conseguia comunicar com os atores em inglês, mas aquilo que mais me desafiou foi na hora de observar as cenas e dirigi-las. Todos falavam alemão e eu não conseguia entender o idioma ou as nuances dos diálogos, então, no início, foi muito desafiador. Era como um maestro de uma orquestra que não conseguia ouvir as notas. Mas no final do filme  comecei a entender um pouco de alemão, mas na maior parte do tempo estava perdido."

And what were the main  challenges to bring this work to life? Well the answer surprised us..."The main challenge was that I don’t know German. The stars of the show spoke German and most of the film is in German. I could communicate with the actors in English, but it presented challenges to me when it came to observe the scenes and direct them. They were all speaking German and I couldn’t understand the language or the nuances of the dialogues so, at first, it was very challenging.  I was like a conductor in an Orchestra that couldn’t ear the notes. But by the end of the film I started to understand a bit of German, but for the most part I was quit lost." 


Uma parte importante do filme é, sem dúvida, o seu talentoso elenco. Quisemos saber como é que Vadim Perelman os escolheu e o que achou da sua performance: "Fiquei muito feliz com o elenco. Tive sempre sorte com todos os atores e elencos com os quais trabalhei. E digo sorte, mas sei que a sorte não tem nada a ver com isto. Eu passo muito tempo a escolher os meus elencos e a escolher o ator certo para aquele papel em particular. Quando as pessoas me perguntam como acabo por trabalhar sempre com grandes atores que têm uma performance tão boa nos meus filmes, acabo sempre por lhes responder que apenas escolho as pessoas certas para o papel."

An important part of the film is undoubtedly its talented cast. We wanted to know how Vadim Perelman chose them and what he thought of their performance: "I was very happy with the cast. I’ve always had luck with all the actors and casts I’ve worked with. And I say luck, but I know that luck has nothing to do it. I spend a lot of time choosing my casts and choosing the right actor for that particular role. When people ask me how I end up always working with great actors that deliver such great actin in my movies, I always answer them that I just choose the right people for that role."


Perante um grande nome do cinema como é Vadim Perelman não resistimos a pedir-lhe a sua opinião sobre o conflito Streaming Vs Cinemas. Embora este talentoso e famoso cineasta acha que a Guerra acabou e que o Streaming ganhou não deixou de tecer importantes considerações sobre a dictomia entre estas duas formas de consumir cinema: "Acho que antes de mais é importante que o filme seja visto. Essa é a parte importante. Mas se estamos a falar de um filme muito poderoso, com aspectos técnicos poderosos como “As Lições de Persa”, então as salas de cinema ganham um novo significado. É verdade que poderíamos ter lançado este filme já em streaming, mas temos esperanças de que possa ser visto nas salas de cinema porque é um daqueles filmes que merece ser exibido nos cinemas. Mas há outros filmes, como o meu segundo filme ("The Life Before her Eyes") ou qualquer uma das minhas obras russas que podem funcionar perfeitamente em streaming. Em relação ao crescimento do streaming devo dizer que não acredito que representará o fim dos cinemas. Os filmes que vão ser prejudicados são os blockbusters, já quanto aos outros acredito quem que podem sair beneficiar com o streaming porque serão vistos por mais pessoas."

When talking with such a big name in movie history like Vadim Perelman, we couldn't resist and we asked him for his opinion on the Streaming Vs Movie Theathers conflict. Although this talented and famous filmmaker thinks that the War is over and that Streaming won, he did make some important considerations about the dichotomy between these two ways of consuming cinema: "I believe the War is Lost. Talk about Warner. I think that above all is important for the film to bee seen. That’s the important part. But if we are talking about a very powerful film with powerful technical aspects like “Persian Lessons” then the movie theater gains a new significance. It’s true that we could have released it already on streaming, but we are holding out hope that the movie can be seen in movie theaters because is one of those films that deserves to be showcased in cinemas. But there are other films, like my second film () or any of my Russian works that can work perfectly on streaming. Regarding this rise of streaming, I don’t believe will represent the end of movie theaters. The films that are going to be hurt are the major blockbusters, as for the rest of them I believe they can benefit from streaming because they will be seen by more people.  

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