Crítica - Locke (2013)

Realizado por Steven Knight
Com Tom Hardy, Olivia Colman, Ruth Wilson 
Ivan Locke (Tom Hardy num registo de afirmação enquanto ator para ser levado muito a sério nos próximos tempos) pica o ponto de saída do emprego numa noite como tantas outras e enfia-se no carro para ir para casa, onde a família o aguarda com ansiedade para assistir a um jogo de futebol especial. No entanto, a meio da viagem, Locke decide mudar de rumo e partir para bem longe, iniciando uma viagem de várias horas até Londres. No decurso dessa longa viagem, uma série de telefonemas altera a vida de Locke para sempre, aproximando-a cada vez mais do abismo à medida que o local de destino se vai aproximando. Esta sinopse dá de imediato a entender que “Locke” é um filme diferente. Só há um cenário (o interior do carro) e só Hardy dá a cara para as câmaras (o restante elenco tem uma presença meramente vocal). Depressa entendemos que se trata de um projeto arriscado, mas também ambicioso e muito intrigante. Alguns poderão pensar que se trata de um filme aborrecido, que se resume a Hardy a falar ao telefone. Mas “Locke” é muito mais do que isso, afirmando-se como um drama e um thriller psicológico por excelência. Não há explosões nem perseguições de carros. Mas a tensão psicológica atinge um nível de tal ordem que nos sentimos com a adrenalina em alta durante toda a viagem. Uma coisa é certa: numa altura em que as fórmulas pré-fabricadas dos grandes estúdios dominam o cinema comercial (tornando os filmes cada vez mais previsíveis e monótonos), obras como “Locke” são uma lufada de ar fresco para a indústria, comprovando que ainda há espaço (felizmente!) para histórias diferentes, originais e arrojadas.
Há um sentimento de queda no abismo que trespassa toda a película, o que apenas intensifica o interesse do espectador. De certa forma, assistir a este filme é como assistir à queda de um homem nos infernos, já que a sua vida se desmorona a cada minuto que passa e tudo aquilo que o rodeia vai adquirindo contornos de um negrume abominável. Aqui ou ali, há pitadas de esperança que Steven Knight tem a bondade de oferecer à audiência, quais luzes opacas ao fundo do mais profundo e abafado dos túneis. Porém, na maior parte do tempo, “Locke” só tem um sentido: o descendente, o da queda no lodo cada vez mais viscoso, colocando o protagonista em maus lençóis e prendendo a atenção dos mirones sentados na sala de cinema. Fazer com que um filme destes funcione é obra. Afinal de contas, não é fácil manter um ritmo constantemente elevado numa obra que jamais abandona o interior de um automóvel e que não mostra nenhuma personagem além de Ivan Locke. Assim sendo, temos que dar os parabéns a Knight pelo espetáculo de minimalismo a que ele nos sujeita durante hora e meia, sem nunca nos aborrecer ou nos fazer olhar para o relógio. Claro está que Tom Hardy merece também receber uma boa porção dos louros, já que é ele que carrega com o filme às costas e já que o faz de forma exímia. Depois de Eames em “Inception” e de Bane em “The Dark Knight Rises”, Hardy mostra aqui uma outra faceta enquanto ator. Não só consegue segurar um filme que ruiria a um mínimo descuido seu, como o faz aparentemente sem grande esforço, com uma naturalidade incrível. Por tudo isto e por muito mais, “Locke” merece um visionamento atento por parte de todos. Não é propriamente um candidato a melhor filme do ano, mas é um dos exercícios cinematográficos mais interessantes e apelativos dos últimos anos.
Classificação – 3,5 Estrelas em 5

7 comentários:

  1. Grande Filme, boa critica...

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  2. Muito bom. O filme!!! Adorei!

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  3. Boa crítica, grande filme, só não acho a nota coerente com o texto e os elogios. 3,5/5, semelhante a um 7/10, seus elogios fazem-me pensar que do seu ponto de vista uma nota mínima seria um 8/10, ou 4/5.

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  4. Filme horrível, podia ser muito melhor!

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  5. Nunca assisti um filme tão péssimo na minha vida.

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  6. Nunca assisti um filme tão péssimo na minha vida

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