Crítica - Get On Up (2014)

Realizado por Tate Taylor 
Com Chadwick Boseman, Viola Davis, Octavia Spencer 

O consagrado e popular Padrinho do Soul, James Brown, já nos deixou em 2006 mas o seu impressionante legado musical continua bem presente entre nós e viverá por muitas mais gerações sem esmorecer. A sua impressionante história de vida serve de base para uma honrosa viagem cinematográfica em “Get On Up”, uma louvável cinebiografia desta verdadeira Lenda do Soul que retrata, sem pudor ou parêntesis, os principais momentos do percurso de vida daquela que foi uma das figuras mais influentes e relevantes da indústria musical do Século XX.
Tal como “Ray” (2004) ou “Walk The Line” (2005), as consagradas cinebiografias de Ray Charles e Johnny Cash, dois importantes ícones populares dentro dos seus respetivos géneros musicais, “Get On Up” aposta também, como é óbvio, numa espécie de olhar bem resumido e astutamente selectivo da longa vida e consagrada carreira de James Brown, por isso não espere um documentário completíssimo de seis horas sobre o Padrinho do Soul, nem espere a ausência dos já clássicos embelezamentos dramáticos e narrativos de Hollywood, porque tal como outros produtos do género, “Get On Up” não é estritamente um produto fiel à realidade e isento de qualquer tipo de excessos. O que importa é que, apesar de um exagero num ou noutro ponto, este projeto cinebiografico é genuinamente realista e, felizmente, não está preso a qualquer tipo de pressão social ou mediática, já que é um filme isento que não se foca apenas no bom ou apenas no mau. É portanto uma daquelas cinebiografias que, sem aprofundar pormenores ou apostar cem por cento em provas fundamentais, explora ainda assim os principais espectros positivos e negativos da vida do Padrinho do Soul. É por isso que importantes pontos positivos, como o percurso da sua impressionante evolução profissional, desde o seu passado pesado e problemático até às suas impressionantes conquistas musicais, são explorados em parceria com pontos mais negativos que, pelo bem da verdade e da história, não foram atirados para canto, porque, como se esperava, os responsáveis por “Get On Up” não quiseram que o espectador se esquecesse que James Brown foi Humano e que também passou por momentos menos bons, daí serem importantes as várias abordagens negativas que “Get On Up” faz aos seus problemas com as drogas e às consequências do seu temperamento complicado.


O retrato pessoal e profissional que é feito de James Brown é portanto um retrato objetivamente fiel e realista para os parâmetros de uma cinebiografia de Hollywood que, graças a certas necessidades e interesses, passa à frente de muitos pormenores e não pode nunca ser encarado como um produto intimamente abrangente sobre a vida de James Brown mas que, ainda assim, aprofunda o essencial e tudo aquilo que importa revelar, independentemente de ter um cariz positivo ou negativo. E convém referir que “Get On Up” é uma cinebiografia eficaz e eficiente, porque para além de prestar uma justa homenagem a James Brown e ao seu legado musical, também consegue elucidar o público sobre quem foi James Brown e qual foi o seu impacto no Soul e na Música. Não se pode desejar melhor resultado que este de uma cinebiografia que, apesar de tudo, passa uma imagem genuína e objetiva de um Homem que, por entre todas as complicações, conseguiu triunfar, inspirar e revolucionar. 
A parte musical de “Get On Up” também faz justiça à carreira e ao estilo de Brown, aliás os seus processos criativos, os seus principais momentos musicais, as suas inspirações e os seus principais sucessos têm todos um espaço bem particular neste filme que, assim, ganha uma aura musical muito profunda e espetacular, aliás torna-se impossível para qualquer espectador não ser infetado pela vontade de ouvir e voltar a ouvir vezes sem conta várias das músicas que vão aparecendo em cena. Esta importante característica diz muito sobre o poder e impacto pessoal desta obra, que também ganha muito do seu vigor graças à fantástica performance de  Chadwick Boseman. Este jovem ator com enorme potencial assume, sem espinhas, o complicado papel de James Brown, notando-se em todas as sequências o talento e a força emotiva que Boseman impõem a este papel e a esta complicada personagem. A sua vigorante performance ajuda assim a dar vida e força a esta cinebiografia, porque o seu trabalho encarna na perfeição a magia e o poder de Brown, impondo assim a esta cinebiografia mais um ponto positivo no retrato pessoal que faz desta Lenda Musical que, felizmente, ganhou com “Get On Up” uma cinebiografia à altura da sua importância e do seu legado. 

Classificação – 4 Estrelas em 5


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