Crítica - Interstellar (2014)

Realizado por Christopher Nolan 
Com Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain


A minha compreensão do campo da física é manifestamente limitada e, por isso, insuficiente para avaliar corretamente se “Interstellar” é um filme minimamente correto e realista do ponto de vista científico. É por isso perfeitamente inútil e irrelevante para mim avaliar este novo projeto do sempre inovador Christopher Nolan do ponto de vista cientifico, não só porque não tenho competências para tal, mas também porque mesmo os especialistas no campo da física e da astrofísica podem ter opiniões diferentes sobre grande parte dos fenómenos que são retratados por esta longa metragem, já que os mesmos partem de puras conjeturas cientificas não comprovadas, ou seja, não passam de puras teorias sem qualquer possibilidade de prova concreta atendendo à presente incapacidade de meios que a Humanidade tem à sua disposição para resolver os grandes mistérios do Universo. O que importa reforçar desde já é que Nolan conseguiu utilizar quase na perfeição estas extrapolações científicas idealizadas por algumas das mentes mais geniais da Humanidade, como Albert Einstein ou Orest Chwolson, para criar um visualmente apelativo filme de ficção científica que, apesar da sua excelência técnica e dos múltiplos riscos que corre, acaba por ficar um pouco aquém das elevadas expectativas que se foram formando à sua volta.
O meu principal ataque contra “Interstellar” prende-se com a sua excessiva complexidade científica, que para além de ser mal explicada, contextualizada ou justificada ao espectador médio, peca também por denotar uma certa arrogância, frieza e complexidade intelectual desnecessária para um filme que, muitas vezes, é apanhado no meio das suas próprias ausências de explicações e falhas gritantes de lógica. A trama deste projeto parte do princípio que a Humanidade está perigosamente à beira da extinção porque o Planeta Terra está prestes a tornar-se inabitável e, por essa razão, torna-se necessário encontrar soluções para assegurar a sobrevivência da Raça Humana. A principal solução passa por explorar o espaço em busca de um novo mundo para acolher a Humanidade e, após vários testes e missões preliminares, a NASA envia por fim uma equipa de exploradores numa missão altamente secreta que os levará numa viagem para além da nossa galáxia para descobrir se a Humanidade tem futuro entre as estrelas.


Esta base apocalíptica de “Interstellar” serve como impulso para uma jornada de ficção científica que, infelizmente, pouco deve a contextos racionais, percetíveis ou constantes. A primeira falha intrigante do filme reside precisamente nas origens dessa base apocalíptica, porque nunca nos é explicado com pormenor ou objetividade as origens do iminente apocalipse que ameaça a Humanidade. Os primeiros trinta minutos do filme perdem um certo tempo a mostrar e ilustrar as consequências catastróficas que a Humanidade tem que enfrentar por causa de problemas relativos ao excesso de população, aos impactos ambientais ou às consequências do capitalismo excessivo, mas falha redondamente na hora de explicar em concreto como é que estas crises em separado conduziram ao problema atual do planeta. É percetível por tudo que é retratado que o problema que a Terra tem para resolver é extremamente complexo e grave, mas ficam no ar imensas questões que nunca são devidamente respondidadas, por exemplo, nunca se percebe muito bem porque é que, a certa altura, vários governos mundiais decidiram por no ar vários drones não tripulados para observar o Planeta, tendo posteriormente decidido que esses mesmo drones deveriam ficar no ar mesmo após o cancelamento de todos os programas militares ou espaciais do planeta. Várias questões de lógicas similares impõem-se em relação a outros pormenores que vão muito além da explicação da catástrofe que assola o planeta, porque nunca ninguém explica em nenhum ponto porque é que os exércitos do mundo foram extintos; porque é que a tecnologia mundial parou de evoluir; porque é que os vários países do mundo começaram a limitar o acesso à tecnologia e a uma educação mais produtiva; como é que se encontra o cenário geopolítico mundial para justificar tal caos mundial; porque é que instrumentos importantes, como Ressonâncias Magnéticas, parecem ter desaparecido do mapa apesar de serem uma mais valia; porque é que os Estados Unidos sentiram a necessidade de reescrever a sua história para adaptá-la às necessidades morais da população atual; como é que ao longo do filme não se vê em algum lado meios noticiosos; porque é que toda a tecnologia existente parece ter regredido décadas em relação às tecnologias que temos atualmente ou porque é que ninguém na Terra consegue inventar pesticidas úteis para terminar com as pragas ou, então, começar a praticar cultivos em áreas plenamente controladas para combater a falta de comida. É claro que também ficamos sem saber, por exemplo, como é que a Terra resiste tantos anos aos seus problemas apesar da situação ser tão grave como os cientistas pintam, como também ficamos perplexos por descobrir que, perto de vinte anos após o inicio do filme, os cultivos de milho ainda existem apesar da personagem interpretada por Michael Caine ter previsto que o mesmo iria desaparecer em poucos anos. As explicações quanto a possíveis substituições alimentares ou possíveis ideias para reverter a situação da Terra também são sempre ignoradas pelo argumento deste mega projeto, que claramente não se preocupou o suficiente para explicar, contextualizar e justificar a base da problemática que desencadeia toda a sua intriga. É uma simples falha de lógica bastante grave para um filme que mexe com problemáticas bem mais complexas e difíceis de explicar, como é o caso das teorias astrofísicas. É por isso que não se compreende como é que questões tão preponderantes e simples ficam sem uma resposta lógica e foram praticamente ignoradas pelos criadores de uma história que, no final, parece apenas ter sido explorada em parte, tendo muito do que a rodeia sido propositadamente esquecido ou então explorado com uma rapidez imprudente.


A partir do momento que “Interstellar” salta para um cenário puramente espacial, a sua intriga começa a ficar genuinamente mais intelectualista e cientifica. É portanto a partir do momento que os exploradores espaciais partem na sua longa viagem que começamos a ser bombardeados com informações cientificas respeitantes a teorias complexas e eventos inexplicáveis, assim sendo, somos presenteados com explicações ora demasiado complexas ora demasiado simplificadas e ilustrações impressionantes mas porventura descompactadas de questões importantes, como as propriedades de um Wormhole; as consequências da aplicação da Teoria da Relatividade; os perigos e apartes de um Buraco Negro; as explicações sobre as possibilidades e impossibilidades de viagens espaciais e temporais; os problemas dos dilemas da gravidade na aplicação prática de teorias relativas a viagens temporais ou para outras dimensões; a manifestação prática de uma quinta dimensão; a possibilidade de vida alienígena ou envio de mensagens do futuro para o passado e vice versa, enfim, uma série de questões téoricas que em “Interstellar” são postas em prática por intremédio de uma jornada de sobrevivência e necessidade. É claro que o espectador comum não compreenderá muito do palavreado científico que é utilizado, assim sendo não perceberá muito do alcance lógico ou aplicativo de tais teorias e eventos para aquelas situações concretas e, por isso, não ligará muito ao seu factor de coerência É bem verdade que Kip Thorne, um consagrado físico teórico, ajudou Nolan e a sua equipa de guionistas a preparar e explicar convenientemente todas as partes cientificas do filme, mas claro que se nota alguma falta de rigor cientifico em muitas partes do filme, sendo particularmente de relevar para este efeito a sua parte final, que mais parece saída de um mau filme de ficção cientifica, já que tudo parece muito forçado, exagerado e genuinamente ridículo. Por detrás desta sequência final está uma imaginação teórica de um principio científico já de si muito rebuscado, mas apesar de existir uma base cientifica na sua génese, a sua inclusão neste projeto parece ser excessivamente exagerada, mesmo para um filme que puxa muitas vezes pelo limite da lógica e das possibilidades astrofísicas em praticamente todas as situações que retrata. Esta sequência, apesar de ligar os acontecimentos finais com os iniciais e ajudar a explicar certos eventos, acaba por dar um final anticlimático e até risível ao filme, não ficando por isso bem enquadrado no espectro sério e intelectual que rodeia a aura desta obra que, após esta sequência, tem também outras cenas dispensáveis e melodramaticamente exageradas, aliás quando vir esta parte final terá a mesma sensação e até se lembrará, porventura, de “Gravity” e de todos os ataques de lógica cientifica de que foi alvo na altura, especialmente quando vir a personagem de Matthew McConaughey a sobreviver, não se sabe quanto tempo, em pleno espaço só com o seu equipamento básico de astronauta, ou seja, sem qualquer proteção necessária para enfrentar um dos ambientes mais nefastos do Universo. 
Não nego contudo que “Interstellar” tem um efeito de espetacularidade fora do normal. O palavreado científico pode até não ser bem explicado ou justificado no contexto do guião, parecendo por vezes exagerado e fruto da imaginação demasiado fértil de certas pessoas, mas o que é certo é que essas teorias dão azo a alguns momentos visualmente e emocionalmente espetaculares. É visualmente impressionante, por exemplo, assistir à passagem da nave dos exploradores pelo Wormhole, ou assistir à queda livre de um deles num colossal Buraco Negro. Há por isso que dar mérito a Nolan por ter aproveitado todas estas questões científicas para criar uma viagem visual puramente assombrosa e visualmente irrepreensivél. Neste aspeto, “Interstellar” está ao nível de “Gravity”. Em ambas estas mega produções espaciais somos presenteados com uma espetacularidade técnica verdadeiramente impressionante que, por si só, ajuda a tornar cada um dos filmes em questão numa referência quase imediata. É claro que “Interstellar” aventura-se por caminhos muito mais complexos que “Gravity”, mas ambos partilham o mesmo esplendor visual do espaço e a mesma capacidade para prenderem o espectador a uma série de sequências visualmente espetaculares, como também apostam em sequências de ação e aventura que reforçam um certo exagero sim, mas capitalizam ao máximo os meios computorizados que os seus geniais e respetivos cineastas tiveram à sua disposição para criarem um imersivo espetáculo técnico. Num plano mais cinematográfico, “Gravity” consegue ser um pouco mais claustrofóbico que “Interstellar”, mas em tudo o resto, esta produção de Nolan é superior, sobretudo quanto à questão do argumento que, apesar das sua óbvias falhas, supera em complexidade e fio narrativo a intriga básica de “Gravity”.
À margem das comparações, “Interstellar” apoia-se na magnitude da sua impressionante dimensão técnica que, reforço, é de longe a parte mais memorável e fenomenal desta produção. Para além das magistrais imagens espaciais, Nolan aproveitou também para incluir outros aspetos cénicos fenomenais e aterradores, como as paisagens dos dois planetas alienígenas que os exploradores visitam ou o interior da grande nave espacial que pode ser vista no final do filme. Estes pormenores visuais mais concretos e tácteis ajudam “Interstellar” a ganhar uma maior dimensão junto do espectador, mas claro que estes belíssimos parâmetros visuais não são a única questão técnica de valor. É porque o filme conta também com uma esplendida banda sonora criada por Hans Zimmer, que se destaca também ela como um dos principais elementos positivos desta mega produção, que vai buscar muita da sua força emotiva ao plano musical, aliás existem pelo menos duas sequências que sem as sonoridades criadas por Zimmer não teriam sequer metade do impacto que têm junto do espectador.


É óbvio que “Interstellar” é um produto especial, mas está longe de ser um produto digno de ser apelidado de clássico memorável. As suas proveitosas mais-valias saltam literalmente à vista de qualquer espectador, mas o seu conteúdo narrativo deixa muito a desejar e não falo apenas ao nível das suas lacunas especificas ou da complexidade cientifica e semi absurda do seu guião, mas incluo neste ponto também tudo o que rodeia a jornada dos exploradores espaciais, como a questão familiar que abala, do inicio ao fim, a personagem interpretada por Matthew McConaughey que, apesar de tudo o que acontece, acaba por não exibir atitudes e emoções em conformidade com as particularidades dessa questão que inunda o filme com banalidade melodramáticas que acabam por não ter qualquer apoio real e concreto ao longo do filme, ou seja, neste aspeto, “Interstellar” acaba mesmo por ser muito unidimensional e repleto de muitas palavras e poucos gestos de significado que ajudem a corroborar as ideias emotivas e familiares que vão sendo transmitidas, apenas e só, por palavras frias e aparentemente vazias de conteúdo. É esta a imagem que passa em relação à dinâmica familiar que domina a componente melodramática do filme, mas também é pertinente destacar que nenhuma das personagens que aparece em cena tem qualquer noção de profundidade emocional, humana ou melodramática. Os restantes exploradores são igualmente frios e distantes, mesmo a personagem de Anne Hathaway que, apesar de por vezes mostrar o seu lado humano, é completamente seca e desinteressante de um ponto de vista moral e emocional, não se compreendendo sequer a necessidade para a história da pseudo tentativa de ligação afetiva que o guião tenta dar desesperadamente à personagem só para a tornar mais Humana, isto após vermos como ela e os outros cientistas reagem, sem qualquer pânico ou preocupação, à iminência da destruição humana. A única surpresa prende-se com a personagem de Matt Damon que, embora apareça pouco em cena, acaba por ser a única que nos faz sentir qualquer tipo de sentimento pelas suas ações, mesmo que esses sentimentos não sejam propriamente positivos. É certo que nem McConaughey nem Hathaway ajudaram muito as suas personagens com as suas respetivas performances amenas e distantes, mas é injusto atacar McConaughey que, apesar de tudo, até acaba por ser o único ator que genuinamente se esforça para se destacar e dar ritmo emocional ao filme, não se podendo dizer o mesmo de uma apagada Anne Hathaway ou de uns meros espetadores Jessica Chastain e Michael Caine. 
É assim impossível delirar e vibrar com o argumento deste mega projeto, porque embora tenha certo valor científico e aventureiro, há muitos lapsos que puxam para baixo o valor geral de uma intriga muitas vezes desprovida de lógica, outras vezes exageradamente complexa e, claro, sempre presa a uma frieza emocional indigna de um filme que deveria também mexer com os corações e não só com a mente. As debilidades deste guião acabam por tornar “Interstellar” num filme partido, porque como contrapeso a uma componente técnica esplendorosa existe um guião sem a força que se esperava ou a magia humana de que estávamos à espera, no fundo, tal como os princípios científicos que dominam o filme, toda a parte humana e emotiva do filme parece resultar de puros cálculos e teorias frias sem qualquer apego humano. É pena que assim seja, mas “Interstellar” apesar de tudo é um grande filme, mas não é aquele filme magistral que se esperava, estando também bem longe de ser um dos melhores produtos da carreira de Christopher Nolan. 

Classificação - 3,5 Estrelas em 5

28 comentários:

  1. Boa noite João
    Após ver o filme há uma semana e ler esta crónica agora, fico admirado como não deu 2 ou menos ao filme. Fiquei a sensação que, ou não percebeu o filme, ou queria que ele tivesse uma duração de mais de 4 horas - ou então que fosse um documentário.
    Devo dizer-lhe que esta foi a pior crítica que já vi acerca de um filme. Acho também piada ao facto de esta sua análise ir contra a vasta maioria da crítica internacional. Não sei se há uma necessidade de se destacar dos outros, mas tenho de respeitar. É a sua opinião.
    Gostaria também de saber a sua opinião sobre o 2001.

    Desejo-lhe melhor sorte em futuras críticas.
    Um abraço

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    1. Obrigado CMMoreira.FT pelo seu comentário e opinião. Em relação ao texto remeto para a resposta dada ao leitor que se segue e para a crítiuca em si. Quanto ao 2001: Odisseia no Espaço, para mim é um filme radicalmente diferente do "Interstellar" em tudo o que se propõem e ao nível da sua génese narrativa. Eu gostei bastante do clássico do Kubrick por tudo e quanto ao guião não posso apontar críticas de lógica como aponto ao "Interstellar", porque o "2001: Odisseia no Espaço" apresenta principios cientificos e joga com eles, tal como "Interstellar", mas ao contrário deste não esconde o seu teor imaginativo e não se arroga ao direito de tentar explicar tudo cientificamente sem margem para dúvidas. Eu não teria nada contra "Interstellar", seria um filme até espetacular em tudo, se fosse genuinamente cientifico e fizesse sempre questão de o ser, mas já que quer ser visto como um filme exigente nesses parametros, então tem que explicar tudo de forma exigente e tem que construir o seu guião com uma base de exigência lógica, demore o que demorar, e não pode sacrificar nada em detrimento da imaginação ou do jeito que dá ter uma sequência espetacular. Eu quase que aposto se perguntassem a um fisico se manteriam grande parte do filme como ele está, certamente que diriam que não e que preferiam sacrificar certos aspetos em nome de explicar e criar uma visão mais perfecionista de certas coisas, não dizendo lá está que as representações do Wormhole e do Buraco Negro não são grandiosas, porque são, e muitas das teorias que lá aparecem são muito lógicas e mesmo para leigos parecem ser bem representadas, agora há partes que não o são e esta falta de coerência para um filme tão exigente deve ser mencionada e atacada, porque se o próprio filme se arroga como cientificamente exigente e complexo, então a análise ao mesmo não pode partir de desculpas e deve igualmente ser exigente em tudo, até em pormenores.

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    2. Percebo o seu ponto de vista. No entanto físicos ainda não realizam filmes, e com esse nível de perfeccionismo que é exigido da sua parte penso que o que pede é um documentário. Eu vejo isto como um filme, uma história, logo desse prisma para mim o filme é uma obra-prima (ou perto disso, preciso de o ver outra vez). Lembre-se, isto é ficção científica.
      Fico também com a sensação que metade das coisas que são descritas aqui neste crítica nem sequer seriam colocadas se o filme não fosse do Nolan (o que demonstra o quão ele "elevou a fasquia).
      Também gostei bastante do 2001, e é totalmente diferente em termos de direção tomada em relação a Interstellar. Vejo muita gente a tentar compará-los, mas acho que é errado fazer isso por variadas razões.
      Um abraço e bom trabalho

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  2. Gosto imenso das criticas deste site, e foi com alguma expectativa que esperei pela critica deste filme, mas devo dizer que fiquei tanto desiludido como surpreendido com a mesma.
    Acho que a pessoa que escreveu esta critica deveria rever o filme com atenção, porque não faz muito sentido dizer que os seus conhecimentos no campo da fisica são limitados e depois atacar o guião dizendo que o mesmo que sofre de falta de rigor cientifico, de não ser lógico, ou de ser meramente surreal ou especulativo.
    Poderia muito bem ter feito uma pequena pesquisa sobre o filme para saber que Kip Thorne só concordou fazer parte do filme, se o mesmo se assenta-se em bases cientificas e não imaginativas, algo que Nolan desde logo concordou.
    Vários físicos conceituados já comentaram o filme, e disseram que é bastante fiel as teorias que o sustentam, dando-lhe total aprovação, até no aspecto da sequência do buraco negro, que porventura será a mais especulativa.
    Já vários realizadores conceituados, vieram elogiar o filme, como por exemplo Tarantino e Paul Thomas Anderson, o primeiro comparou-o mesmo como uma combinação de Tarkovsky com Malick.
    Eu também não possuo conhecimentos aprofundados no campo da fisica, mas consegui acompanhar bastante bem o filme, e interpretar as diferentes teorias na trama e os problemas que estas traziam aos personagens.
    Os problemas da terra não foram desenvolvidos, para deixar um pouco a imaginação de cada um, porque o que realmente interessava mostrar é que a terra não iria continuar a ser auto-sustentável para os seres-humanos, sendo que até é expectável que o mesmo aconteça no futuro segundo alguns estudos.
    Acho que o filme é inacreditável, para quem viu no imax teve uma experiência singular.
    A história além de ser brilhante, é cativante e emocionante.
    É algo que puxa pela inteligência das pessoas, tal como Nolan nos tem habituado.
    A nota de 9/10 no IMDB, acentua-se perfeitamente, mas poderia ser perfeitamente o 10/10 pois realmente trata-se de uma obra prima.
    Até agora todas as criticas que li negativas ao filme, demonstraram durante a leitura das mesmas, que quem as escreveu não percebeu praticamente nada do filme, mas não é algo que não possa mudar com um visionamento mais cuidado e com um pequeno estudo sobre as teorias que o mesmo retrata (estas já sairam em várias noticias na internet, e até num documentário cientifico do discovery channel.

    Mr. Cob

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    1. Eu agradeço o comentário Anónimo e, claro está, respeito e compreendo o seu ponto de vista. Eu gostei do filme e faço questão de referir que gostei, está muito bem feito, tem pormenores interessantes e gosta de arriscar, nada contra e respeito Nolan por isso, agora claramente está longe de, para mim, ser um filme espetacular 5* ou até um dos melhores do Nolan. A minha comparação ao "Gravity" não foi por acaso, ambos têm um elemento visual espetacular, mas como refiro, "Interstellar" tem um conteúdo mais aprofundado e complexo que o valoriza. O que achei é que o guião, apesar de compreender onde quer chegar, tem buracos a mais para o tempo que perde com coisas que não lembram a ninguém. Eu não ataco as teorias, porque são o que são, meras teorias e quem sou eu para concordar ou sequer teorizar sobre se está certo ou errado, obviamente que não me pus a tecer considerações sem conhecimento de causa, pesquisei sobre temas e percebi onde Nolan queria chegar mas, por exemplo, toda a abordagem da Teoria da Relatividade e da Construção do Espaço/Tempo tem a sua aplicação correta, mas o palavreado cientifico merecia mais, mas nem ponho isso em causa, tirando a parte final do filme que sim, ninguém me venha dizer que tal sequência não tem 95% de Imaginação e 5% de Ciência, porque mesmo lendo sobre a teoria que a sustenta, qualquer um chega à conclusão que muito do que vemos é rebuscado e excessivo, indo até contra o cenário lógico que foi sendo construído. O que acontece depois dessa sequência também ajuda a estragar um pouco o climax final do filme, pelo menos para mim, tudo bem que ata a história, mas se tanto criticamos "Gravity" pelas imprecisões que cometeu, "Interstellar" também deve ser criticado no mesmo peso e na mesma medida, há lapsos que não são desculpáveis para um filme que tentar ser o mais complexo e perfeito possível. Se tem já de si esse grau de exigência, então deve ser criticado com a exigência máxima e aí sim tem que se entrar pelos pormenores e pelas coisas que, em conjunto ou se parado, não são bem explicados, são dispensáveis ou simplesmente não fazem sentido. Eu na crítica não referi para não dar spoilers de uma das cenas graficamente mais impressionantes e empolgantes do filme, mas a partir do mento que uma certa tragédia no espaço acontece, tudo o que se segue entre em campos que nem o físico teórico mais imponente do mundo pode assegurar, basicamente são teorias e até algumas impossibilidades, no caso do acidente, que são retratadas mesmo para criar impacto e com isso destruir tudo o que o filme se propunha. Só isso. Quanto ao resto, "Interstellar" tem muitos méritos mas a nível do guião, não me parece ser coeso com a sua génese puramente cientifica.

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    2. Por acaso li ainda hoje na edição online do jornal publico, um texto de um professor de fisica de Coimbra, que também achou o filme excelente, ainda não encontrei nenhuma critica tecida por alguém do campo da fisica que não tivesse adorado o filme, o que que me mostra que os conteúdos científicos do filme só podem ser excelentes, mesmo o tal palavreado cientifico, está bastante correcto, e é enaltecido pelos pelas próprias criticas, alguns fisicos utilizam as mesmas explicações que as personagens do filme para falar dos eventos do mesmo.
      Mas opiniões são opiniões, e todos temos o direito à nossa é temos de respeitar todas.
      Eu tinhas as espectativas ao máximo para este filme e ele não me desfraldou, ainda anseio pelo ver um segunda vez.
      Tornou-se num dos meus filmes favoritos.
      O Nolan também teve a capacidade de elevar muito a fasquia dos seus filmes, e também sei que há várias pessoas que não gostaram do filme, porque este não acompanhou a fasquia das mesmas.
      De qualquer das formas aproveito para lhe dar os parabéns pelo projecto, costumo acompanhar bastante as criticas aqui do site, são das criticas em que eu mais confio quando procuro saber algo sobre um filme que ainda não vi, ou que mais gosto de ler depois de ver um filme.
      Esta foi a primeira vez que comentei mas não há de ser a ultima com certeza.
      Já agora gostava de lhe perguntar se a sua colega Ana P. não irá aqui escrever uma critica sobre o Interstellar, gostava muito de saber a sua opinião sobre o filme porque gostei muito da sua critica do Inception.
      os meus cumprimentos.

      Mr. Cobb

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    3. Aproveito para dizer-lhe que tambem gostei imenso da sua critica de Gone Girl.

      Mr. Cobb

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  3. Percebo que não tenha percebido o filme e por isso não tenha gostado. Tudo bem. Mas a sua critica cai em duas incoerências e é por isso que está a ser tão criticado. Uma é dizer que o filme não explica tudo e por isso não parece de Nolan. Eu não me lembro de nenhum filme do Nolan que não deixasse alguma coisa em aberto para o espetador pensar. Quem quer a papinha toda feita não vai ver um filme do Nolan. Outra, a mais grave, é dizer que não percebe de física para depois apontar como errado o que não gostou. O filme do que se sabe está bem, do que não se sabe não está nem bem nem mal. Está discutível. Pode gostar ou não gostar, mas não pode fazer juízos de valor. O filme não é perfeito, mas ter medo de dizer que não gostou para preferir dizer que "não me parece correto e tal" faz da sua crónica fraquinha. Va para a próxima vai correr melhor.

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    1. Eu compreendo que se ataque quando não se concorda com a opinião de outrém, mas o texto não apresenta as incongruências que diz porque, com a excepção da parte final do filme, nem faço considerações, como prometo, sobre a aplicação cientifica das teorias expostas. E da parte final só as faço mais por uma questão de senso comum do que propriamente cientifico, sendo que a teoria da quinta dimensão não se aplica da forma como filme a aplica na parte final e isso pode ser comprovado com qualquer leitura mais aprofundada do tema, daí a classificação de rebuscado e excessivo, só isso, quanto ao resto, não aponto absolutamente nada porque não tenho que apontar, apenas digo que, como espectador, o filme não é coerente nas suas explicações, porque se em alguns pontos vai mais além do básico, noutros nem o básico passa, por isso é que é incoerente e isso não é visivél em outros filmes do Nolan, nem mesmo no "Memento", mas nem falo de outros filmes do Nolan porque todos os filmes que o Nolan fez até agora sempre foram mais focados, por exemplo, o "Prestige" e o "Inception" também partem de conceitos físicos teoricos bastante rebuscados, mas pelo menos assumem desde o ínicio o que são e vão sempre reforçando a sua mística, já "Interstellar" faz sempre pender sobre si uma exigência de contexto e prova excessiva e, claro, com isso sujeita-se a críticas, por exemplo, como pode justificar ou desculpar os lapsos referentes ao contexto do apocalipse? a sequência exagerada do desastre da nave, tendo sequências semelhantes sido tão criticadas em blockbusters que têm coisas semelhantes? como podem justificar, mesmo usando apenas o senso comum, a sequência final do McConaughey e esperar não condenação quando o próprio filme em si é exigente e cientifico com questões teóricas até aquela cena? como é pode achar correto certas opções, sendo explicito para umas coisas e menos explicito para outras igualmente importantes? É isto que ataco, ou seja, o facto do Nolan andar ao sabor do vento ao longo de todo o filme, sacrificando a lógica e a objetividade quando dá jeito por valores de entertenimento. É claro que posso fazer juizos de valor das opções, não posso é fazer juizos de valor sobre a validade ou não das teorias apresentadas e é isso que faço referência no inicio da crítica, não o oposto e, realmente, é impossivél retirar do texto qualquer ataque concreto às teorias apresentadas, mas sim à forma como são apresentadas, é diferente.

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  4. "Claro que se nota alguma falta de rigor cientifico"; "imaginação teórica de um princípio físico já de si muito rebuscado"; Se isto não são juízos de valor científicos, não sei o que sejam. Em resposta a um comentário, chegou a dizer que se perguntássemos a um físico ele teria feito o filme diferente e ia concordar consigo, um pouco arrogante não? Eu ainda não vi ninguém da área da física dizer o que você defendeu mas pronto... Eu não estou a atacá-lo. Estou a tentar que perceba o que está na origem deste número incomum de comentários.

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  5. Ridículo, quem escreveu isto (pois não me atrevo a chamar critica ao que acima foi escrito) claramente tem intenção de achincalhar este filme, sim porque isto trata-se de um filme não de uma série meu senhor a quantidade de detalhe que exige dos realizadores é absurda, isto é claramente um comentário de quem se sentiu rebaixado pelo nível intelectual que o filme exige, peço desculpa mas a sua critica foi muito infeliz

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    1. O filme é bom, mas uma piada a parte: 'Precisa levar essa praga humana para outro lugar além da terra, melhor deixar essa praga apenas aqui neste planeta!'

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  6. Vi o filme ontem e pretendo ver de novo.
    Achei um ótimo filme, com edição e mixagem de som magnificas, efeitos especiais de tirar o fôlego e trilha sonora emocionante.
    O roteiro, com certeza, é sensacional e genial. Vale a pena ir ao cinema ver.
    Quanto à critica acima, concordo que o se deveria esperar era um documentário científico e não um longa metragem sci-fi. O longa é espetacular. No que diz respeito às teorias científicas, físico nenhum (dos que comentaram) deu qualquer má crítica em se tratando de coerência nas horas do filme; como roteiro de cinema, é sensacional.
    Discordo das críticas brasileiras quantos aos furos, me parecem comentários de quem viu o filme com preconceitos.

    Enfim, um ótimo filme, ótima trama. Acho apenas que o Nolan pecou no tempo do filme, acho que poderia ter sido menor sem maleficiar a trama e o longa, consequentemente. Já prevejo indicações ao Oscar e minhas categorias preferidas neste filme foram Direção (sem duvidas), ,efeitos especiais,trilha Sonora, edição, e roteiro Original.

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  7. Vi o filme ontem, e talvez por não ir tanto ao cinema ultimamente pois vivo na China e nem todos os filmes que quero ver passam cá infelizmente, saí da sala contente. Ao mesmo tempo que gostei do filme ficou um vazio enorme e eu nem sou muito de criticar pormenores pois gosto de aproveitar os filmes. No entanto tenho que concordar com grande parte desta critica. Sou fã de ficção cientifica desde que me conheço e é logico que filmes que lidam com viagens temporais e teorias deste genero sofrem de algumas lacunas e tem sempre que se dar este desconto. Mas num filme desta magnitude os lapsos e as incoerencias são enormes, demasiadas contento-me com algumas mas exagero não. Não se trata das explicações dadas ou não dadas, como disse muito bem o autor da critica é a sua incoerencia. O filme tenta ser um apanhado de muitos temas e perde-se numa sequencia quase que ridicula às vezes na tentativa de jogar com ciencia e sentimentos. Nesta tentativa de fazer muito perde como diz bem na critica demasiado tempo em determinadas situações descurando coisas mais importantes. O filme é longo mas ao mesmo tempo apressa-se em situacões que banalizam uma obra desta magnitude como por exemplo depois de McConaughey descobrir a base secreta é logo convidado para ir no dia seguinte numa missão deste calibre num fogetão dos anos 60 postriormente com tecnologia super avançada com uma simples nave que já pode entrar e sair de planetas com a maior facilidade. Hum... e até dou desconto a estas situacões mas apartir do planeta do gelo o filme entre numa sequencia exageradamente confusa e penso que a ideia era a boa e compreendi a mensagem que queria passar mas... não. Minha opinião e como diz o autor da critica até gostei de ver o filme.

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  8. Sobre a critica, veja o que Kip.Thorne disse sobre o longa em entrevista a scienceAaas:

    “Em sua essência, a história mudou completamente. A não ser pela ideia de que temos exploradores deixando a Terra e usando wormholes para visitar outras galáxias, é basicamente tudo trabalho do Nolan. Mas a visão continuou, a visão de um filme baseado em ciência real, seja ela verdade ou especulação. Isso foi preservado, agradando muito a mim e a minha mulher”.

    “Nada poderia violar as leis da física. Em segundo, pedi que as especulações retratadas no filme não poderiam partir dos roteiristas, mas, sim, dos cientistas. No final, eu fiquei bem feliz com o resultado”.

    Para o físico, algo trazido pelo diretor Christopher Nolan foi uma surpresa muito agradável: “Quando ele me disse que estava pensando em usar o tesseract (análogo a um cubo 4D), senti um grande impacto. O que ele criou nesse filme é mais complexo do que tudo já visto no cinema. É fascinante e lindo”.

    No geral, o cientista acha que foi um ótimo trabalho em parceria: “Para mim, é uma descoberta impressionante saber que tudo isso produzido foi resultado de uma colaboração entre cientistas e artistas”.

    Será que esta critica deste site é correta?

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  9. Boa noite,

    Vi o filme Interstellar esta semana e a verdade é que concordo com a crítica efetuada pelo Portal Cinema quase a 100%.
    E a minha semi-desilusão com este filme não tem que ver com questões de validade ciêntifica pois não tenho conhecimento suficiente para avaliar as eventuais falhas ou não do filme. Tem sim que ver com algumas falhas (na minha opinião) do argumento e na construção das personagens. Sobretudo quando sabemos que estamos perante um argumento dos irmãos Nolan estava à espera de mais, penso acima de tudo que o final deixa muito a desejar.
    Claro que o facto de as minhas expectativas relativamente ao filme serem muito elevadas contribui para o sentimento de desilusão com que saí da sala. o Interstellar obviamente que é um bom filme, mas está muito longe de um Memento, de um Inception ou mesmo dos Batmans de Nolan


    Miguel

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  10. Um filme é um filme... não é argumento não é historia, não são actores, e pura e simplesmente a visão de um ser humano sobre algo que surge na tela... O filme não precisa de explicar nada de nada... 2001 é 2001 interstelar quer chegar perto... é uma espécie de remake com homenagem ao mestre...Contudo, é um grande filme visualmente e som... Só isso basta para ser um grande filme. As actuações são quase todas más, o argumento tem falhas sim. o que isso interessa para o filme? vejam filmes clássicos da nouvelle vague e encontram os piores atores de sempre e os argumentos mais absurdos, contudo são filmes que marcaram o cinema pela inovação. Se interstelar vai ser um clássico, só o tempo e a maturidade de quem os vê, lhe reconhecerá no futuro.

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  11. Simplesmente o melhor filme que eu já assisti na minha vida.......

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  12. Concordo que este filme chega a ser risível, especialmente o final mas também em muitos outros momentos do filme. Além disso, na minha opinião, os trabalhos de Nolan são excessivamente pretensiosos, por isso nada me surpreendeu (pela negativa) neste trabalho de Nolan, não obstante a desmesurada produção levada a cabo…

    Parece-me que este pobre e pretensioso trabalho (mas com orçamento que muitos gostariam de ter à sua disposição) consistiu em nada mais do que uma tentativa grosseira de misturar ideias anteriormente (e magistralmente) apresentadas em obras precedentes, mas, como é apanágio de Nolan, com um padrão artístico que caracteriza actualmete o cinema norte-americano.

    Os filmes são evidentemente "2001: A Space Odyssey" (1968); "Donnie Darko" (2001) e “Mr. Nobody” (2009), estes sim obras-primas bem superiores a “Interstellar" e com orçamentos bem mais reduzidos - o que eleva claramente o trabalho artístico de quem os desenvolveu, mas, por outro lado, com o evidente prejuízo de uma ampla divulgação destas obras, especialmente no que concerne aos dois últimos exemplos.

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  13. Dos melhores filmes que eu já vi (top 5)...Einstein o génio de todos os génios senão o único. Quem n gosta ou compreenda este filme é não querer perceber um pouco da vida que nos rodeia (espaço-tempo)!!!

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  14. Para gostar deste filme é preciso perceber que espaço e tempo fazem parte das dimensões...Quando o protagonista passa a informação para a filha através dos dados captados pelo computador aquando da entrada no buraco negro, vai dar a salvação para as pessoas da terra. Eureka!!!...Este filme é baseado nalgumas teorias de Enstein. É genial e percursor para os filmes do futuro. Odisseia no espaço também fala do espaço-tempo perto do fim, penso eu. Mas se calhar é mellhor ler o arthur clarke 2001 odisseia no espaco..Odisseia no espaço e Interstellar se calhar os melhores filmes de sempre!!!

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  15. Está mais do que provado que este filme fala em coisas concretas. Algumas são teorias de Einstein por comprovar outras já foram comprovadas como a teoria da relatividade...Análise foi precipitada!!!...Filme genial mas convém ler umas coisas para percebê-lo!!!

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  16. Uma das partes do filme foi baseada nas descobertas de Einstein. Aqui vai um exemplo de situações do efeito que a gravidade e velocidade fazem à dimensão do tempo: Uma aplicação prática da Relatividade é a calibragem dos satélites do GPS, que orientam aviões e navios. Pela Relatividade Especial, sabe-se que a velocidade de 14 mil km/h dos satélites faz seus relógios internos atrasarem 7 milionésimos de segundo por dia em relação aos relógios da Terra. Mas, segundo a Relatividade Geral, eles sentem menos a gravidade (pois estão a 20 mil km de altitude) e adiantam 45 milionésimos de segundo por dia. Somando as duas variáveis, dá um adiantamento de 38 milionésimos por dia, que precisa ser acertado no relógio do satélite. Portanto, se não fosse pela teoria de Einstein, o sistema acumularia um erro de localização de cerca de 10 quilômetros por dia.

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  17. O filme foi muito bem elaborado (do ponto de vista de producao) simplesmente fantastico. Este tipo de filme tem adeptos bastante selectivos (nao confundam com Guerra da Estrelas ou algo parecido). Sao coisas diferentes.

    Oblivion, Prometheus, Gravity e Interstelar, pertencem a uma nova classe de filmes e um novo patamar do cinema contemporaneo. Ainda vamos ver muitos realizadores fazer coisa semelhante (no fundo a vontade de mostrar o desconhecido, vem de muuuito tempo e o sucesso de 2001 resulta do facto de ter sido um dos primeiros a encarar com mais seriedade tal tipo de cenarios).

    Infelizmente, pra este tipo de filme ter sucesso recorre-se a possiveis inimigos extraterrestres inimaginaveis (alien, dia da independencia, batlleship, etc) e acaba caindo no ridiculo.

    Vamos nos habituar e teremos o sentiment "deja vu" num futuro muito proximo.

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  18. Qualquer filme que tenha um director e um elenco de luxo, gera, naturalmente, grandes expectativas a qualquer espectador que goste de cinema, levando-o imediatamente a pensar: “Ah, este deve ser bom!”

    Considero-me uma cinéfila, pois desde muito pequenina que vejo, gosto e aprecio a Sétima Arte. Porém, não me considero uma crítica de cinema, porque não tenho um conhecimento tecnicamente profundo dos bastidores do mundo cinematográfico. Contudo, sei, dentro do meu gosto e sentir pessoal, apreciar um bom filme, uma boa interpretação, uma boa imagem, uma boa banda sonora, enfim!

    Dos muitos filmes de ficção que vi sobre o após apocalíptico ou o após holocáustico, há vários que à data jamais esqueci, nomeadamente “Soylent Green” de 1973, “Mad Max”, sobretudo o I e o II, “Blade Runner”, entre muitos outros, obviamente. Estes são filmes que dão uma imagem quase realista, ou provável, do que será o planeta terra após um apocalipse; a luta pela sobrevivência com o que resta, no meio dos escombros de um planeta que fora, outrora, perfeito até à chegada do Homem. Por exemplo, no “Soylent Green”, a luta é pela água, e é um filme de ’73. Jamais esqueci, tal foi o impacto que teve em mim, precisamente por sentir que haveria/há essa possibilidade. Todos os filmes de ficção científica, mais recentes, como o “Gravity”, “Transcendence”, “Oblivion”, entre outros, e agora este, “Interstellar”, pecam, na minha opinião, por serem elitistas, no sentido que só agradará àqueles que tenham um conhecimento, para além do básico, do que é a “Lei da Gravidade”, os “Buracos Negros”, os “Wormholes”, as “coordenadas em binário”, “quântica”, um “tesserato extradimensional”, o que é, de facto, o conceito de espaço-tempo, etc. Qual o espectador comum, como eu, sabe o que é um “tesserato”, para poder perceber a onde está o Matthew McConaughey, quando descobre que era ele, afinal, o “fantasma” da filha?! Ora, eu não sabia, fui pesquisar e fiquei na mesma! Tal como continuo a ficar na mesma, quando pesquiso e leio sobre os buracos negros e/ou buracos de minhoca e tudo o que está relacionado com a astrofísica! :)

    O filme mais parece um documentário com um guião pouco elucidativo do que é a ciência espacial, com uma pitada aqui e acolá de um ingrediente mais humano, a puxar ao “amor”, o qual é, afinal e ao que dá a entender o filme, a solução para todos os problemas que o Homem gera e cria.

    E como a arenga já vai longa, termino, à laia de um “resumo”, dizendo que concordo integralmente como o que o João Pinto “criticou”. Não me importei de ver o filme, precisamente pelo que disse no início do meu comentário, por ter um elenco de luxo e porque gosto de bons filmes de ficção, mas este… de todo tocou a minha sensibilidade. E se alguma coisa captei do filme, foi porque fui posteriormente ler vários “reviews”, em português e em inglês, e uma sinopse completa. Só assim, fiquei com uma pequenina noção da possibilidade em termos de ir viver para o espaço… :)

    A única memória que terei deste filme será, talvez, as muitas picardias desfolhadas entre críticas e comentários que fui lendo aqui e acolá. :)

    De ressalvar ainda, que esta crítica do João Pinto foi uma das maiores que li. É verdade que ainda não li muitas, mas achei engraçado realçar esse facto e que ao tê-lo observado, senti ser como que um pedido de desculpas aos seus leitores por “não ter gostado” do filme ou, pelo menos, por ter encontrado tanta coisa que ficou muito aquém das suas expectativas, tal como eu senti. :)

    “Keep up the good work! I always like to read your reviews! :)

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    Respostas
    1. Errata: Qualquer filme que tenha um realizador e um elenco de luxo gera...

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  19. Um bom filme (mediano, não foi propriamente surpreendente), com uma grande banda sonora/mixagem, com uma boa história, bem explicada, sem pontas soltas e perceptível à primeira. Infelizmente achei cliche o facto de o Cooper ser o "fantasma" de Murph.. Não é o melhor filme de Nolan, mas é, sem dúvida, uma filme obrigatório...

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