Crítica - Mad Max: Fury Road (2015)

Realizado por George Miller
Com Charlize Theron, Tom Hardy, Nicholas Hoult 

Trinta anos após a estreia de "Mad Max Beyond Thunderdome" (1985), a terceira e última entrega da trilogia "Mad Max" protagonizada e popularizada por Mel Gibson, chega agora aos cinemas nacionais e internacionais "Mad Max: Fury Road", uma entrega moderna e reformulada de "Mad Max" que é objetivamente muito mais requintada e opulenta que qualquer um dos três populares antecessores protagonizados por Gibson. É bem verdade que, para a época em que estrearam, os três primeiros filmes "Mad Max" receberam merecidos aplausos e ganharam um justo estatuto de filmes de culto, mas verdade seja dita que esta nova entrega é bastante superior em praticamente tudo a essas produções vintage, não só porque tem um apelo superior e uma qualidade inegavelmente acima da média, mas sobretudo porque é uma obra de ação extremamente completa que mistura de forma equilibrada e sempre com muita energia, audácia e qualidade uma intriga habilmente idealizada e desenvolvida com poderosas e vigorosas sequências de ação que fazem justiça à onda de extravagância da saga sem roçar qualquer onda de exagero desmedido.
Embora seja uma versão moderna e sofisticada da trilogia original "Mad Max", "Mad Max: Fury Road" mantém bem viva a sua essência pós-apocalíptica que reúne uma combinação de luxo entre o deserto, o calor extremo, a ação brutal e a desolação humana. É no epicentro desta combinação imersiva de elementos negros e repletos de exageros deliciosos que nos aparece o herói Mad Max, aqui interpretado por um mega competente Tom Hardy, que nesta espécie de remake/ modernização entra à força, por culpa das suas especificidades físicas e morais, numa jornada de ação e aventura que o levará aos limites da sua existência, jornada essa que o levará logo no ínicio a formar uma aliança algo conturbada com a Imperatriz Furiosa, com o objetivo de a ajudar fugir a um Senhor da Guerra que quer recuperar algo muito precioso, as suas mulheres. 


Para além da ilustre performance de Tom Hardy no papel de Mad Max, "Mad Max: Fury Road" também beneficia e muito da magnífica performance de Charlize Theron na pele da Imperatriz Furiosa. Este duo de luxo confere uma dinâmica muito especial a esta produção com as suas performances de enorme qualidade, mas a bela construção das suas respetivas personagens também representa um dos melhores elementos deste dinâmico e sublime filme de ação que representa tudo aquilo que se pode esperar de um extravagante filme do género num cenário pós-apocalíptico. A dinâmica entre Max e Furiosa é portanto muito apelativa, já que ambos combinam na perfeição e, apesar das suas constantes picardias e do ambiente negro em que a sua invulgar aliança aparece, conseguem ilustrar sem falhas os papéis de heróis sem puxar aos exageros e estereótipos clássicos do género, já que Furiosa não é a típica donzela em apuros nem Max o típico anti-herói durão. Os dois combinam muito bem e são, dentro das suas próprias limitações e medidas, os heróis do filme por mérito próprio. A sua aliança forçada resulta e combina muito bem no contexto puramente apocalíptico que deriva da conjunção de um cenário selvagem e oprimido por uma componente sociopsicológica habilmente enquadrada com uma jornada cheia de adrenalina, violência e ação, jornada esse que, embora tenha desde logo uma conclusão anunciada por causa do futuro do próprio franchise, representa ainda assim um perfeito exemplo de como uma intriga num filme de ação pode ter principio, meio e fim sem se perder demasiado em pormenores sem nexo ou entrar por caminhos mais complexos. O que é certo é que a trama de "Mad Max: Fury Road" é focada e autossuficiente. E tal acontece porque todos os vilões e heróis têm os seus caminhos bem definidos e todas as suas ações, personalidades e culturas são objetivamente ou subjetivamente contextualizadas por tudo o que se passa e aparece em cena no decurso do eficaz desenrolar de uma história que, repito, está muito bem montada e faz sentido na maior parte dos seus parâmetros. O fio condutor da sua narrativa repleta de ação é portanto bastante correto e fiel ao seu potencial, não havendo muitas oportunidades para lapsos de ação ou falhas imperdoáveis de contexto, seja ele dramático ou violento. É claro que não é tudo perfeito, mas dentro do género e das suas especificidades, "Mad Max: Fury Road" apresenta um argumento muito competente que raramente entra por caminhos desnecessários, apesar de não resistir por vezes a certas insinuações típicas de Hollywood, mas há que dar os parabéns aos seus responsáveis por terem tido a coragem de, em certos aspetos, como por exemplo no campo romântico, não terem ido muito mais além, tendo preferido manterem-se fieis ao estilo e à essência do filme e dos seus intervenientes. 



É claro que não conseguiria terminar esta opinião sem falar nas suas sequências de ação. Estas são o perfeito exemplo de puro entretenimento que aproveita, sem estigmas ou imperfeições, a riqueza das magníficas personagens que dão vida a um guião extravagante que tem como cenário uma ampla essência pós-apolítica para exponenciar belas cenas de ação onde a adrenalina é a grande estrela. Tais sequências são potencializadas por muito fogo de vista pirotécnico, mas também por uma ampla dose de violência controlada que faz justiça ao seu potencial e presta ao mesmo tempo uma homenagem ao passado da saga, isto sem entrar por caminhos gore ou demasiados expressivos, no entanto, graças ao espírito selvagem do filme e dos seus heróis e vilões, todas as cenas ganham uma maior dose de brutalidade e adrenalina que dão um grande animo ao filme. E não esquecer também a banda sonora tipicamente roqueira que ajuda a juntar ainda mais vigor à ação. A prova de tal qualidade é que no decurso desta produção somos presentados com cenas tão épicas que até já andam a correr a internet em forma de memes, mas o que importa é que tais cenas inserem-se no espírito do filme e, mais que isso, entretêm o público com um enorme à-vontade, já que exibem todas as loucuras e excessos do mundo em que as personagens vivem, personagens essas que também ficam muito a ganhar com estas sequências tão gráficas e perfeitamente coordenadas por um George Miller que sabe bem o que faz. Por tudo isto e mais ainda, "Mad Max: Fury Road" é, sem dúvida, um dos melhores filmes comerciais de 2015. É competente, completo, extravagante e mitologicamente fiel ao original em quase tudo o que apresenta ao público. É, numa breve descrição, um blockbuster épico que confirma todas as expetativas e justifica a espera protelada pela Warner Bros. e pela Village Roadshow Pictures.

Classificação - 4 Estrelas em 5

4 comentários:

  1. 4?? Eu dava um 5! Definitivamente o melhor filme do ano até agora!

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  2. É um bom filme mas ficou aquém de minhas expectativas, ainda fico com os dois primeiros filmes estrelados por Mel Gibson. Felipe Nicéas - Recife/PE.

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  3. É um bom filme mesmo, mais ainda fico com o 1° filme com Mel Gibson
    esse sim merecia um remake para essa nova geração leite com pera.

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  4. vai ser o vencedor do oscar de melhor filme!!!

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