Pérolas Indie - El Abrazo de La Serpiente (2015)

Realizado por Ciro Guerra
Género - Drama

Sinopse - A história épica do primeiro contacto, encontro, aproximação, traição e amizade entre Karamakate, um xamã amazónico e último sobrevivente da sua tribo, e dois cientistas que viajaram para a Amazónia em busca de uma planta sagrada.

Crítica - Vencedor do Prémio Art Cinema na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e já exibido em Portugal por via da Mostra de Cinema da América Latina, "El Abrazo de la Serpiente" é genuinamente uma pérola indie que justifica, em pleno, a sua nomeação ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. As suas hipóteses de vitória nesta categoria são, no entanto, reduzidas por culpa exclusiva, como já se sabe, da presença entre os nomeados do já mundialmente consagrado e categoricamente mais comercial "Son of Saul". A sua derrota anunciada nos Óscares não lhe retira, ainda assim, qualquer valor ou mérito, já que esta magnífica obra de origem colombiana não precisa de um Óscar para certificar a sua qualidade. 
Fruto de um sublime projeto criativo orquestrado, em toda a linha, por Ciro Guerra, "El Abrazo de la Serpiente" transcende barreiras e rótulos graças à sua genial promoção de uma mistura imponente de traços dramáticos, documentais e artísticos que o tornam, desta forma, num projeto complexo mas muito gratificante. Já poderá ter adivinhado que não é, portanto, um filme para todos os gostos devido a este seu imponente estilo peculiar, mas não há qualquer dúvida que "El Abrazo de la Serpiente" tem o potencial necessário para conquistar a mente de quem tiver a oportunidade de o apreciar. 
A sua trama, que é inspirada nos diários dos primeiros exploradores da Amazónia Colombiana, leva-nos numa impressionante viagem antropológica pelas raízes da sociologia e psicologia humana, conferindo-lhe pelo meio um toque mais cinematográfico digno de registo que apela ao suspense e à intriga. Esta viagem, por vezes acidentada e nem sempre fácil de entender, promove portanto elementos didáticos, culturais e comerciais que reforçam o seu estilo polivalente, onde recorde-se podemos encontrar ramificações do cinema art-house, documental, noir e dramático. É claro que na sua base, pese embora o seu peso antropológico e sociológico, está, pura e simplesmente, um estudo sobre os primórdios da natureza humana que culmina num retrato muito interessante e vívido que, dificilmente, deixará marcas de indiferença junto do espectador graças à forma delicada e sublime como é exposto. 

Classificação - 4,5 Estrelas em 5

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