Pérolas Indie - I, Daniel Blake (2016)

Realizado por Ken Loach
Com Micky McGregor, Natalie Ann Jamieson, Colin Coombs
Género - Drama

Sinopse - Daniel Blake trabalhou como marceneiro, durante a maior parte da sua vida, em Newcastle. Agora, e pela primeira vez, precisa de ajuda do Estado. O seu caminho cruza-ze com o de Katie, mãe solteira, e as suas duas crianças, Daisy e Dylan. Para escapar à vida numa residência para sem-abrigo em Londres, a única hipótese de Katie foi a de aceitar um apartamento numa cidade que ela desconhece, a 300 milhas de distância. Daniel e Katie encontram-se na terra de ninguém, apanhados pela burocracia da Segurança Social...

Crítica - Os filmes de Ken Loach são sempre um deleite de simplicidade e qualidade e o seu mais recente projeto não escapa a esta regra de ouro. Embora não seja a sua maior obra prima até à data, “I, Daniel Blake” revela-se um drama interessante que, à semelhança da grande maioria dos projetos do cineasta, explora um tema muito palpável do ponto de vista humano. Neste caso particular é a dignidade humana que está no epicentro moral e narrativo de uma trama acutilante que, sem apelar ao melodramatismo forçado, puxa ainda assim pelo sentimentalismo e até pela revolta social do espectador. 
Foi esta equilibrada mistura entre emoção e sentido moral que ajudou esta obra a conquistar a tão prestigiada Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2016, onde brilhou um pouco mais que outros concorrentes com mais peso mediático, dramático e até artístico. No fundo, "I, Daniel Blake" não é um power movie com impressionantes sequências ou uma poderosa história trágica que puxa ao sentimento. Não é um projeto mainstream e muito menos um projeto puramente artístico. É sim um filme bem trabalhado por Loach que, no fundo, aproveita uma narrativa muito delicada e inventiva para abordar temas extremamente complexos de cariz humano, político e social. E tais temas exploram, na sua génese, a precariedade de toda uma classe socioeconómica e os excessos burocráticos de um sistema institucional por vezes demasiado injusto e precário.
À margem de uma visão sociológica e de uma crítica política, "I, Daniel Blake" explora também um delicado vislumbre dramático e tocante sobre uma amizade improvável com ramificações bastante ternurenta. Este seu lado mais suave ajuda-o a tornar-se num projeto mais amplo do ponto de vista comercial, isto sem prejudicar a sua imagem de simplicidade dramática. Esta vertente mais suave demonstra, mais até que a sua vertente política, a força e o talento do seu elenco. Este tem, no fundo, duas estrelas centrais, Dave Johns e Hayley Squires. A dinâmica entre estes dois é brilhante e contribui para a excelência simplista deste belo drama que justifica, em pleno, os prémios conquistados.

Classificação - 4 Estrelas em 5

0 comentários:

Enviar um comentário

 

Descontos Em Bilhetes de Cinema

Crítica da Semana


Membro Oficial

Membro Oficial