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Crítica - Love in the Time of Cholera (2007)


Realizado por Mike Newell
Com Liev Schreiber, Javier Bardem, John Leguizamo, Laura Elena Harring, Benjamin Bratt

O realizador de “Mona Lisa Smile” e “Harry Potter and The Goblet Of Fire“, Mike Newell, traz-nos a adaptação ao cinema do êxito literário “Love in the Time of Cholera”, da autoria do galardoado Gabriel García Márquez. O filme conta-nos a apaixonante história de Florentino Ariza (Javier Bardem), um poeta que encontra o amor da sua vida quando conhece a bela jovem Fermina Daza, mas o seu amor é impedido pelo pai da jovem que, ao descobrir o romance, afasta Fermina do jovem poeta. Contudo não há distância que possa impedir o seu amor e, através de muita esperança e insistência, Florentino vai fazer de tudo para se manter perto de Fermina. Devo confessar que não li o livro de Gabriel García Marquez e portanto não posso comentar sobre a fidelidade do guião à obra original. Sinceramente, sobre o pouco que sei da obra original, parece-me a mim que os principais detalhes foram respeitados, no entanto, deixo esta questão para ser debatida por aqueles que leram o livro e viram o filme. Achei a história do filme muito interessante e agradável. É sem dúvida alguma uma bonita história de amor bem estruturada. No entanto, carece de ritmo e força, tornando-se por vezes um pouco monótona e consequentemente aborrecida. O filme dura mais de duas horas, o que na minha opinião é demasiado tempo para uma história de amor. Se Mike Newell tivesse imposto um bocado mais de ritmo à obra talvez esta se tornasse mais apelativa e menos chata. Outro aspecto negativo da história é o excessivo aglomerado de ideias, apesar de ser uma adaptação de um livro impunha-se alguns cortes. Suponho que muitos cortes devem ter sido feitos à história original, mas mesmo assim acho que mais poderiam ter sido feitos. Há partes do filme que não são nada relevantes para o desenrolar da história e que poderiam ter sido facilmente afastados. Provavelmente um realizador mais talentoso e original que Newell saberia dar a volta a esta situação, impondo limites e cortes mais rígidos, não permitindo que o filme vagueasse por diversas ideias e pensamentos que por vezes afastam a atenção da história principal.


Nunca fui grande fã de Mike Newell, um cineasta que nunca realizou nenhuma obra que eu admirasse particularmente. O seu maior sucesso de bilheteira foi “Harry Potter and The Goblet Of Fire“, muito por culpa do sucesso do livro de J.K. Rowling. Demonstra ser um realizador demasiado teimoso e pouco original. Se tivesse tido um pouco mais de bom senso talvez poderia ter tido aqui um dos melhores filmes da sua carreira, mas tal não aconteceu. Apesar da mediocridade apresentada pelo guião e realização, o filme apresenta alguns aspectos técnicos de qualidade. A fotografia está muito bem construída e idealizada, recreando fielmente a Colômbia dos finais do século XIX. A banda sonora é outro aspecto agradável, tendo sido muito bem coordenada por António Pinto, conta ainda com uma música original magnífica da autoria de Shakira. O elenco é algo desapontante. Não há nenhum actor ou actriz que consiga se destacar positivamente, estão todos bastante perdidos na história, não oferecendo grande qualidade e credibilidade nos diálogos. Javier Bardem, o vencedor do Óscar de Melhor Actor Principal em 2008, não tem aqui a sua melhor performance, ficando bem longe da qualidade de actuações anteriores. Se tivesse sido bem conduzido “Love in the Time of Cholera” teria tudo para ser uma das melhores histórias de amor de 2008, pelo que sei o livro que deu origem ao filme é um sucesso de vendas e aclamado pela crítica mundial, contudo devido a várias falhas graves na realização e representação o filme não terá certamente o mesmo caminho, não passando da mediocridade.

Classificação - 2 Estrelas Em 5

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