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Crítica - Hellboy (2004)

Realizado por Guillermo Del Toro
Com Ron Perlman, Selma Blair, Rupert Evans, John Hurt

Em 2004, chegou às salas de cinema mundiais o filme “Hellboy”, uma fiel adaptação cinematográfica da famosa banda desenhada criada por Mike Mignola em 1993. Este filme de acção sobrenatural foi realizado por Guillermo Del Toro, que se dedicou de corpo e alma a este ambicioso e arriscado projecto que só se tornou possível graças a perseverança do cineasta. A verdade é que a banda desenhada “Hellboy” nunca gozou dos mesmos níveis de popularidade registados por maior parte das obras da Marvel. Isto impediu durante algum tempo que os principais estúdios cinematográficos apostassem num filme baseado numa história pouco popular e mais violenta e obscura que as obras da Marvel, contudo graças aos apelos de Del Toro e outros fãs da obra, os estúdios Revolucion e Columbia uniram esforços para produzir o filme. O filme acabou, no entanto, por apresentar algumas falhas imperdoáveis a nível da realização e argumento, o que impediu que superasse os cem milhões de dólares de lucro no Box-Office internacional.
Em plena II Guerra Mundial, nasceu das chamas do inferno o temível Herói Vermelho – Hellboy, trazido para a Terra pelo diabólico Rasputin, através de um ritual pagão, com o objectivo de ajudar os Nazis a ganharem a Guerra, contudo Hellboy é salvo das forças Hitlerianas pelo seu amigo e protector Dr. Broom, um investigador paranormal ao serviço do governo americano e posteriormente responsável pela criação de uma agência de pesquisa de fenómenos paranormais que irá ter Hellboy como figura de proa na luta contra o mal. Este novo herói será auxiliado na sua missão por outros indivíduos de elevado poder paranormal, que farão de tudo para salvar o planeta do maléfico Rasputin e seus aliados. Guillermo Del Toro manteve-se fiel ao espírito negro e alternativo da obra literária, criando um filme obscuro e misterioso onde a acção decorre quase sempre de noite e onde os demónios e seres fantásticos dominam as atenções do princípio ao fim. As cenas de acção, apesar de razoáveis, poderiam ter saído muito melhor. Isto é notório quando as comparamos com as cenas de outros filmes de super heróis como “X-Men” ou “Spider- Man”. As lutas de “Hellboy” estão demasiado cheias, o que as torna muito confusas e pouco perceptíveis. No final só ficamos a saber que os maus foram derrotados pelos heróis, mas ficamos sem saber como é que eles o fizeram. Na minha opinião faltou um pouco mais de planeamento na coreografia das lutas. O argumento começa por ser interessante, interpelando as origens de Hellboy com os Nazis e o mundo do oculto, no entanto, à medida que a trama se desenvolve, a história começa a perder ritmo e interesse, acabando por ter um final pouco apelativo e amplamente previsível. Outro aspecto onde o argumento falha é na caracterização e análise das principais personagens do filme. Isto impede que o espectador se interesse pelos protagonistas e que se “incorpore” na sua história. A triste realidade é que nenhuma das personagens sobressai, nem mesmo Hellboy, o principal super-herói do filme. Também o vilão (Rasputine) não tem o carisma necessário para ombrear com a qualidade de alguns dos melhores vilões da banda desenhada. Já o seu fiel seguidor, Karl Ruprecht Kroenen, acaba por ser a personagem que mais curiosidade desperta graças ao seu enigmático e oculto passado.
“Hellboy”, como todos os filmes de super heróis, conta com algumas cenas de romance. Neste caso somos apresentados a um triângulo amoroso entre o demónio Hellboy (Ron Perlman), a mutante Liz Sherman (Selma Blair) e o humano John Myers (Rupert Evans). Em última análise estas cenas amorosas centram-se em Hellboy e Liz e servem para revelar o lado humano e carinhoso destes dois seres pouco dados a sentimentos e emoções. O elenco tem uma performance razoável, não existindo nenhum actor que sobressaia no meio da mediocridade. Isto deve-se sobretudo ao argumento que não deixa ninguém brilhar, nem mesmo o protagonista Hellboy, que durante grande parte do filme anda à pancada com outros demónios, o que não deixa grande espaço para uma grande interpretação narrativa ou emotiva. Em termos técnicos, o filme apresenta uma boa banda sonora e uns efeitos especiais de qualidade aceitável. Estes poderiam ter sido utilizados de forma mais recatada, já que em muitas cenas o seu uso é claramente excessivo. É verdade que “Hellboy” tem como base uma boa ideia, contudo o argumento não a conseguiu materializar totalmente no grande ecrã. A sua história, que começa por ser interessante, perde-se na previsibilidade e aborrecimento. As cenas de acção também poderiam ter sido alvo de uma maior atenção e cuidado, tal como os efeitos especiais que deviam ter sido utilizados com mais moderação. As personagens do filme mereciam também um melhor tratamento narrativo. Estas são apenas algumas falhas de um filme que poderia ter ido mais longe.

Classificação - 2 Estrelas Em 5

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