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Crítica - Transsiberian (2008)


Realizado por Brad Andersen
Com Woody Harrelson, Emily Mortimer, Ben Kingsley

Estamos perante um thriller europeu substancialmente cativante e interessante que aposta na velha e enigmática mística do Expresso Oriente, uma longa travessia férrea entre China e Rússia que tem potencializado o aparecimento de grandes obras cinematográficas e literárias, como “Murder On The Orient Express”. O principal tema desta obra é o tráfico de droga e todos os elementos/condicionantes que nele estão envolvidos, como por exemplo, os assassinatos, as máfias internacionais, os correios humanos e os subornos a polícias e militares
Os protagonistas desta envolvente história são Roy (Woody Harrelson) e Jessie (Emily Mortimer), um casal que, depois de terminar uma missão religiosa na China, decide fazer a viagem de regresso a casa no célebre Expresso Transiberiano. Durante o longo percurso de seis dias, travam conhecimento com Carlos e Abby, um estranho casal de turistas que inicialmente transmite alguma casualidade, mas que posteriormente revela uma atitude perigosa e rebelde. Após alguns contratempos e desventuras, dois detectives russos entram no comboio e Jessie percebe de imediato que algo de terrível vai acontecer. Ela e Roy acabam por tornar-se nos principais alvos duma investigação que envolve o tráfico de drogas e que é comandada por um ex-detective do KGB (Ben Kingsley), que revela alguma ambiguidade moral em relação à sua actual profissão.
O argumento assenta numa estrutura complexa que apresenta uma mistura de elementos característicos de vários géneros cinematográficos. Entre sequências de suspense e momentos de grande intensidade dramática, somos envolvidos numa história que está amplamente centrada em Jessie, uma personagem indecisa que adopta alguns comportamentos dúbios que resultam em consequências trágicas de grande relevância e importância para o desenrolar da história. O desenvolvimento do enredo é pautado por diversas reviravoltas que são maioritariamente desencadeadas pelas atitudes de Jessie, no entanto, alguns elementos secundários também contribuem com alguns momentos de surpresa e suspense. É dentro desse lote de fantásticas personagens secundárias que encontramos o temível Grinko, um polícia que ganha relevância e importância na iminência da conclusão. O complexo mundo do trágico de drogas também é ligeiramente aprofundado através de várias personagens que personificam alguns lados desse negócio ilegal em expansão.
A direcção do britânico Brad Andersen é competente e amplamente eficaz, sendo brilhantemente completada pela belíssima fotografia do espanhol Xavi Giménez, que captou na perfeição as gélidas paisagens da Sibéria. A bela e talentosa Emily Mortimer oferece-nos uma poderosa e interessante performance que cativa qualquer espectador. O experiente Ben Kingsley interpreta, com destreza e qualidade, uma personagem bastante difícil que rouba todas as atenções durante a surpreendente conclusão da história. Entre várias interpretações de luxo e múltiplos elementos técnicos de qualidade, encontramos um argumento tenso e cativante que transforma “Transsiberian” numa obra altamente recomendável para apreciadores do género e do cinema europeu.

Classificação - 4 Estelas Em 5

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1 Comentários

  1. O saldo final deste filme é bastante positivo, mas podia ser melhor. Emily Mortimer é quem segura as pontas soltas do filme...

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