Ticker

6/recent/ticker-posts

Crítica - Whatever Works (2009)


Realizado por Woody Allen
Com Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson

Com a vinda para a Europa, Woody Allen rejuvenesceu e os seus fãs agradecem. Após um período menos criativo do brilhante realizador nova-iorquino, Allen regressou em força com “Match Point” e desde então tem-nos encantado com as mais variadas histórias cómicas e dramáticas. Em “Whatever Works”, Allen volta ao seu país e à sua cidade de eleição (Nova-Iorque) para nos presentear com uma deliciosa comédia negra onde uma mensagem muito simples é transmitida: na procura da tão desejada felicidade, vários rumos podem ser escolhidos pelo ser humano; cada pessoa é idiossincraticamente diferente, pelo que cada um deve descobrir, por si mesmo, aquilo que o faz feliz. Basicamente, tudo é admitido. E através da delirante personagem de Larry David, o espectador compreende isso mesmo. Não há regras imperiais e normativas neste mundo. Cada um deve viver a sua vida da forma que quiser, sem ligar a preconceitos ou moralismos, na incessante busca pela felicidade.
Em “Whatever Works”, Woody Allen dá-nos a conhecer Boris, um homem egoísta, terrivelmente convencido e zangado com o mundo. Vivendo no seu minúsculo apartamento, Boris passa a vida a dizer mal de tudo e todos e a chamar nomes às crianças a quem tenta ensinar as regras de Xadrez. Para Boris, toda a sociedade é atrasada mental e indigna da sua companhia. As únicas pessoas com quem ele se dá é com um grupo de velhos amigos, com os quais tenta afirmar as suas ideias anti-religiosas e anti-sociais. Pelo menos até ao dia em que Melody (Evan Rachel Wood), uma simples e agradável rapariga, entra de rompante na sua vida. Com Melody, Boris vai ver o seu ódio pelo mundo afrouxar enquanto descobre um novo significado para a sua vida.


“Whatever Works” é, acima de tudo, um filme bem-disposto e despretensioso. Larry David (co-criador da fantástica série “Seinfeld”) oferece-nos momentos de pura loucura cómica. Os ditos da sua personagem são de rir até às lágrimas. Mas “Whatever Works” não é uma comédia banal, ou não estivesse Woody Allen por detrás do argumento e realização. Este filme pretende também fazer uma reflexão sobre as inúteis normas da sociedade e sobre a falsa moralidade por que esta cegamente se rege. A forma como, aos poucos, as personagens vão despindo o manto de ideias pré-concebidas, dando alas à descoberta da sua verdadeira identidade, é simplesmente brilhante. Percebemos facilmente que a personagem de Boris é uma caricatura do próprio Woody Allen. Através dessa personagem, Allen aproveita para desembuchar tudo aquilo que o apoquenta. Mas não sem uma certa dose de auto-crítica, já que ao longo do filme, Boris esquece um pouco do seu negrume e encontra um novo significado para a sua existência.
“Whatever Works” reflecte de forma brilhante sobre os males da sociedade e, mais uma vez, sobre o enorme papel que a sorte desempenha nas nossas vidas. A certos pontos, esta mais recente obra de Allen é deliciosamente brilhante, mas nunca consegue elevar-se a um patamar de excelência inesquecível. Também porque não é esse o seu propósito. Suportado por um argumento sólido e equilibrado, “Whatever Works” é um filme para ver, apreciar e sorrir. Não é o melhor filme do ano, mas é, certamente, um dos mais divertidos.

Classificação – 3,5 Estrelas Em 5

Publicar um comentário

9 Comentários

  1. Nem mais...E a não perder!

    ResponderEliminar
  2. É verdade.. e a miúda do Oysho também.. raparyga.

    ResponderEliminar
  3. Um dos melhores filmes que vi na vida!
    Simplesmente magnífico.

    *

    ResponderEliminar
  4. Muito bom... Como todos os filmes de Woody.
    Seu texto também está ótimo.

    ResponderEliminar
  5. Gostoso de ver, bom filme. Reflexivo (pelo menos foi para mim) e inusitado. Enfim, mais uma boa obra de Allen.

    ResponderEliminar
  6. Concordo que o personagem Boris poderia ser o alter ego de Allen. Quem é fã da linha de pensamento do diretor vai adorar o filme.

    ResponderEliminar