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quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Crítica - Her (2013)

Realizado por Spike Jonze
Com Joaquin Phoenix, Scarlett Johansson, Amy Adams, Rooney Mara

Numa altura em que começamos a questionar-nos seriamente sobre o tipo de indivíduos em que estamos a transformar-nos com toda esta tecnologia que nos rodeia, “Her” torna-se um filme extremamente pertinente. De certa forma, não estamos a falar de um filme futurista. Estamos, muito pelo contrário, a falar de um filme bastante atual, pois já lidamos com muitos dos automatismos que ele nos apresenta, embora estejamos ainda um pouco longe de dar vida a inteligência artificial e a sistemas operativos capazes de se questionar sobre aquilo que os rodeia. Uma coisa é certa: o ser humano está a ficar cada vez mais dependente da tecnologia e, como consequência, está a fechar-se sobre si próprio e a desenvolver uma tremenda (e preocupante) falta de capacidade para se relacionar devidamente com os seus pares. Por muito que muitos se recusem a ver a realidade desta forma, a prova disto mesmo é que vivemos numa era em que pessoas são despedidas do emprego por e-mail e em que um casal de namorados prefere falar pelo Facebook do que dar as mãos e sentir o calor da sua cara-metade. Ainda que de uma forma leve e divertida, “Her” expõe estas tendências da sociedade e reflete sobre a dificuldade do ser humano em estabelecer laços sólidos com quem quer que seja, escondendo a sua inaptidão social por detrás de tecnologias frias e frívolas. Mas que não se julgue que “Her” é um filme que se limita a criticar esta nova face da sociedade. De uma forma curiosa, o novo filme de Spike Jonze valida também esta dependência excessiva das tecnologias na medida em que mostra como a tecnologia pode ser usada como uma espécie de ferramenta de catarse em tempos de crise, ajudando o ser humano a descobrir o seu próprio caminho. Basicamente, a mensagem é esta: não há regras para alcançar a felicidade e devemos apostar naquilo que nos torna funcionais, por muito artificial e duvidosa que a ferramenta de catarse possa parecer.


Theodore (Joaquin Phoenix) é um solitário sentimental que ainda não recuperou do choque oriundo do processo de divórcio por que está a passar. Apesar de ser bem-sucedido no emprego e de ter uma amiga sólida em Amy (Amy Adams), Theodore parece meio perdido no mundo e alheado da realidade. Mas tudo isto se altera quando ele decide instalar no seu computador um sistema operativo de última geração. Um sistema operativo (com a voz sexy de Scarlett Johansson) que assume a forma de uma pessoa bastante real e que parece compreender Theodore melhor do que alguma pessoa a sério jamais o compreendeu. E assim a vida triste e monótona de Theodore sofre uma enorme reviravolta, especialmente quando ele se torna demasiado próximo da inteligência artificial que dá pelo nome de Samantha… De uma forma estranha e algo deturpada, “Her” consegue ser um dos filmes mais românticos dos últimos anos, ideal para ver no Dia dos Namorados que se aproxima a passos largos. Ao seu bom estilo, Spike Jonze apresenta-nos um filme bizarro e melancólico, mas também agradável e comovedor. Assistir a esta obra é como andar numa montanha-russa. É uma viagem emocional cheia de altos e baixos, onde tão depressa nos sentimos bem como incrivelmente pesarosos. O espectador é convidado a acompanhar de bem perto o caos afetivo de Theodore e, ao fazê-lo, torna-se ele próprio um Theodore bipolar, experimentando um humor que oscila entre o maníaco e o depressivo com a facilidade de um estalar de dedos. “Her” é introspetivo e misterioso, mas é também doce, divertido e visualmente belo, havendo um pouco de tudo para agradar a todos os gostos. O filme é praticamente suportado a solo por Joaquin Phoenix, já que grande parte da película limita-se a mostrar Phoenix a falar com uma voz sem presença física. E ainda assim, “Her” nunca se torna aborrecido, sendo de congratular a delicada realização de Jonze, o seu soberbo argumento (forte candidato a um Óscar) e a notável prestação de Phoenix, que encarna Theodore na perfeição e facilmente conquista a simpatia do espectador. Destaque ainda para as “secundárias” Amy Adams e Rooney Mara, que, apesar de pouco surgirem no ecrã, são suficientemente carismáticas para deixarem a sua marca. E depois há Scarlett Johansson, que só com os dotes vocais cria uma personagem tão real que quase a conseguimos ver em carne e osso, afirmando-se como a parceira ideal de um Phoenix definitivamente de regresso à boa forma. Não faltam então razões para ver “Her”, um dos filmes mais cativantes e deliciosos do ano, muito embora a visão de um futuro tão disfuncional cause alguns calafrios…

Classificação – 4 Estrelas em 5

2 comentários:

  1. Independente de eu comprender o objectivo do filme acho bastante maçador longo,e a mensagem que o Spike Jonze não é suficientemente forte para cgegar a maioria das pessoas que adoram Blocbuster ,é a nossa realidade

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  2. Eu gostei bastante deste filme, é uma grande crítica à sociedade, dava 4,5 em 5. Acho que foi o melhor filme de 2013

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