Crítica - The Legend of Hercules (2014)

Realizado por Renny Harlin 
Com Kellan Lutz, Liam McIntrye, Scott Adkins 

O primeiro semestre de 2014 ainda nem acabou, mas acredito piamente que existem fortes probabilidades de “The Legend of Hercules” conquistar o dúbio título de pior filme do ano a estrear no nosso circuito comercial. É porque será muito difícil encontrar outro filme tão genericamente pobre como esta longa metragem dita épica, que de épico só tem mesmo a fraquíssima qualidade da sua componente técnica, a pobreza do seu argumento e o péssimo trabalho do seu elenco, ou seja, não há nada em “The Legend of Hercules” que não seja epicamente mau. É complicado ser assim tão brusco, mas é um facto inegável. 
A sua fraquíssima trama explora as origens da épica história de Hércules, mas fá-lo sem qualquer tipo de sentido fantasioso, histórico ou criativo, ou seja, tudo o que nos é descrito e contado por este filme não soa a um épico fantástico e cheio de misticismo, mas sim a uma fantasia romântica barata e sem brilho, que mais parece resultar de um péssimo cruzamento entre as séries “Spartacus” e “Hercules: The Legendary Journeys”. O lado mitológico de Hércules é completamente esquecido por este projeto, que também não explora os seus épicos poderes ou a sua apelativa natureza de guerreiro aventureiro e solitário, já que durante grande parte de “The Legend of Hercules”, o heróico Hércules é praticamente descrito como um gladiador pedante e arrogante que só se interessa pelos seus gostos românticos, quando na boa verdade do aspeto mitológico, a figura de Hércules é muito mais guerreira, desafiante e beligerante perante a Humanidade e, sobretudo, perante os Deuses. 



O que é triste é que Renny Harlim, o responsável máximo por este desastre de proporções épicas, conseguiu transformar uma lenda apelativa e cheia de energia, num projeto cinematográfico simplesmente detestável e extremamente aborrecido, que insulta todas as outras adaptações dessa mesma lenda, muitas das quais dotadas também de uma qualidade muito duvidosa, mas que mesmo assim, são infimamente superiores a esta pobre e desgraçada película, que pode ser utilizado no futuro próximo como um exemplo a seguir para todos os cineastas que não queiram gastar e desperdiçar ingloriamente um orçamento de cerca de setenta milhões de dólares. É porque foi esta impensável quantia que foi necessária para criar este projeto, que para além de apostar num guião terrível, que por sinal é pessimamente interpretado por um elenco frouxo e detestável, consegue também descambar no campo visual. 
É porque The Legend of Hercules” não tenta sequer compensar as falhas do guião com uma aposta mais segura numa estética apelativa, muito pelo contrário, a qualidade desta até acaba por ser ainda mais chocante que a do próprio argumento, já que é digna do pior filme independente de sempre. O que é escandaloso é que este desastre técnico e visual custou uma autêntica fortuna, que poderia ter sido direcionada de uma forma bem melhor por um realizador mais talentoso e hábil que Renny Harlin, que esteve longe de estar à altura do desafio de dirigir uma grande produção de Hollywood, porque é isto que “The Legend of Hercules” começou por ser, muito embora agora seja, no máximo, um daqueles filmes dignos de serem exibidos de madrugada sem qualquer público alvo. Ao ver o filme é difícil não encontrar um mau exemplo da sua péssima vertente técnica, porque todas as suas sequências são um exemplo disso mesmo, mas é claro que o principal relevo negativo são as sequências grandiosas, como batalhas e combates, que estão pessimamente coreografadas e ilustradas por gráficos dignos de um videojogo dos anos oitenta. É assim que vejo “The Legend of Hercules”, como um filme idiota, fraco e abominável em todos os aspetos possíveis e imaginários. É uma má aposta para qualquer um, mas parece ser o candidato ideal ao Razzie de Pior Filme de 2014, como também parece ser o filme ideal para as expetativas do realizador Brett Ratner, já que à beira deste péssimo projeto, o seu ainda inédito "Hercules" só pode ser visto como uma adaptação positiva da lenda de Hércules. 

Classificação – 0 Estrelas em 5

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