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Crítica - The Fault in Our Stars (2014)

Realizado por Josh Boone 
Com Shailene Woodley, Ansel Elgort, Willem Dafoe

É impossível fugir às evidências, “The Fault In Our Stars” é objetivamente um melodrama juvenil e trágico com uma forte percussão romântica que se pauta, por isso, por muitos exageros que não abonam muito a favor do seu realismo ou credibilidade emocional. As suas origens genericamente românticas e vulgarmente melodramáticas são, por isso, penosamente evidentes desde o início e, por vezes, roçam sem piedade o exagero excruciante da fantasia amorosa, levando assim este produto juvenil para caminhos demasiado sonhadores e irrealistas que, claramente, obrigarão até o mais puro dos românticos a pensar um pouco nos excessos que percorrem a apaixonante e inspiradora história de Hazel e Augustus, dois jovens com cancro que se apaixonam um pelo outro e vivem, lado a lado, uma bela história de amor que os prepara, mentalmente e emocionalmente, para o trágico mas já esperado final das suas respetivas vidas. Os adjetivos “inspiradora” e “apaixonante” que utilizo para classificar esta intriga não são aplicados à toa, porque apesar de todos os exageros e estereótipos que a marcam, não há dúvidas que tem um enorme apelo e vontade de inspirar e ajudar os espetadores. É por isso que considero “The Fault In Our Stars” um daqueles filmes com um grande coração, ou seja, por muito idealismo romântico que domine a sua intriga, o espírito amoroso e fantasioso que está presente na sua génese é inspirador, especialmente quando tem como cenário uma forte sequência de condicionantes que valorizam o amor, mas sobretudo a luta pela sobrevivência e a ideia de prevalência humana.

   

Se está disposto a ignorar ou aguentar a sua componente mais pirosa, então “The Fault In Our Stars” poderá ser uma bela surpresa, como também pode servir como um daqueles filmes trágicos mas inspiradores sobre as potencialidades humanas. E isto porque para além de um romance juvenil, esta obra também explora as consequências melodramáticas da luta contra o cancro que, já agora, pode-se aplicar a qualquer outro tipo de doença com um fim inevitavelmente degenerativo e trágico. É neste ponto mais subjetivo que se pode encontrar a principal beleza e calor deste projeto, já que a forma como os dois protagonistas, e outros intervenientes secundários, lidam com a grande doença e as suas consequências é bastante simpática e, neste ponto, há histórias para todos os gostos. Para além dos dois jovens apaixonados que, por entre os altos e baixos da sua doença, conseguem arranjar forças, um no outro, para superar e aguentar as dificuldades sem menosprezar os sentimentos da outra parte, “The Fault In Our Stars” mostra também a forma como a doença afeta a vida familiar, quer por intermédio dos pais de Hazel e Augustus , quer por intermédio da grande depressão exemplificada pelo escritor Peter van Houten. É também interessante acompanhar, de uma forma mais tímida, o segmento secundário relativo a Isaac, o amigo de Augusts, cuja namorada abandona-o friamente antes de um dos momentos mais delicados da sua vida, porque não aguenta a pressão dos efeitos emocionais da doença que o afeta. É igualmente interessante acompanhar os medos particulares e as opiniões individuais de Hazel e Augustus, cujas diferentes personalidades acabam sempre por reagir, de forma diferente, à iminência do grande fim, sendo que, graças ao amor que nutrem um pelo outro, começam a encarar o inevitável com um otimismo bastante encorajador.

   

Há por aí alguns estudos e estatísticas preocupantes que dizem que há uma forte possibilidade de termos que enfrentar, durante a nossa vida, o diagnóstico de, pelo menos, um dos mil e um cancros existentes, sendo provável que esse diagnóstico tenha um prognóstico bem negativo. E quem diz cancro pode também dizer outras doenças igualmente mortais ou delicadas, que embora sejam estatisticamente menos prevalentes, não deixam de ser igualmente assustadoras. O que este filme ensina-nos, por intermédio de uma configuração narrativa um tanto ou quanto leviana mas tocante, é que devemos sempre enfrentar os tempos difíceis com otimismo e, preferivelmente, ao lado de uma ou mais pessoas que compreendam a situação e apoiem a difícil jornada que teremos que enfrentar, sejam essas pessoas amigos, familiares ou um grande amor. É claro que pode ser sempre difícil aceitar a companhia e a aproximação de terceiros graças aos medos inerentes que cada um possa ter, mas é importante valorizar quem quer estar lá para ajudar e aguentar, sem os afugentar, magoar ou ignorar, porque convém não esquecer que do outro lado estão seres humanos que também merecem um tratamento justo. É fácil falar assim, mas convém não esquecer que, por vezes, o ego tolda o juízo ou a razão e poderá levar cada um a reagir de forma arrogante nos piores momentos e a tomar péssimas decisões e atitudes, mas se há algo que a história de Hazel e Augustus nos pode ensinar é que, realmente, ter alguém no final é uma grande ajuda em tudo, e isso acaba por ser a grande mensagem de otimismo e amor deste filme, sendo que esse amor pode assumir várias formas e não necessariamente a componente romântica. 

 Classificação – 3 Estrelas em 5

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3 Comentários

  1. Pelo que percebi, o filme não está fiel ao livro. Na minha opinião o livro está mesmo muito bem conseguido e consegue tocar o leitor. Vou arriscar e ver o filme neste fim de semana, espero não me desiludir

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  2. boas noite.. Vi o filme A Culpa é das Estrelas, e a minha critica é muito possitiva.. Foi o primeiro filmes que vi que segue a Historia que está escrito no livro.. Chorei ao ver o filme.Amei..
    E eu sou uma daquelas que nao gosta muito de flmes romanticos,,

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