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sexta-feira, novembro 23, 2018

Crítica - Suspiria (2018)

Realizado por Luca Guadagnino
Com Dakota Johnson, Mia Goth, Tilda Swinton, Chloë Grace Moretz

Embora “Suspiria” seja tecnicamente um remake do homónimo clássico de culto de Dario Argento, não é justo colocar esta versão de Guadagnino no mesmo lote dos mais recentes remakes de clássicos cinematográficos produzidos por Hollywood. Estes costumam apresentar uma qualidade deficitária, já que, por norma, não passam de cópias mal feitas e mal modernizadas dos produtos originais que pouco acrescentam ao legado deixado por esses filmes. É claro que há excepções, como o recente e aclamado “A Star is Born”, que reinventou por completo a base do produto original, De certa forma, esta nova versão de “Suspiria” também fez o mesmo. É certo que não com o alcance do filme de Bradley Cooper, mas conseguiu pegar na extravagante base do produto de Argento e deu-lhe uma nova interpretação. 
O espírito do clássico está bem vivo neste remake, mas Guadagnino e a sua equipa conseguiram lidar com o peso do passado e com as tentações de cair em estereótipos ou cópias e, no final, apresentam um filme que poderá até surpreender os fãs do original. Há coisas que se mantêm inalteradas entre os dois produtos, como alguns pormenores narrativos por exemplo, mas todo o desenvolvimento, contexto e desenlace do filme apresenta uma alteração substancial que surpreende pela positiva. É claro que o tema sobrenatural é idêntica, já que é esse tema representa a alma de “Suspiria” e caso não fizesse parte deste remake poderíamos mesmo apelidá-lo de remake? Mas o que realmente prima pela diferença neste remake e, neste sentido por alguma originalidade, é a forma como Guadagnino soube adaptar o filme às exigências e às expectativas para, assim, conseguir surpreender. 



Nesta nova versão de “Suspiria”, Dakota Johnsson, que nos últimos tempos só se notabilizou pela sua mediana performance na saga “50 Shades of Grey”, interpreta uma jovem bailarina norte-americana chamada Susie Bannion que, nos Anos 70, chega a Berlim para uma audição na famosa Companhia de Dança Helena Markos. A sua audição impressiona a reconhecida coreógrafa do grupo, Madame Blanc, que fica admirada com o seu talento natural. Quando Susie passa ao lugar de bailarina principal, Olga, que ocupava essa posição, descontrola-se e acusa as diretoras da companhia de serem bruxas. À medida que os ensaios se intensificam para a performance final de uma peça reconhecida da companhia, Susie e Madame Blanc tornam-se assustadoramente próximas, sugerindo que o lugar de Susie na companhia vai além de mera dançarina. Enquanto isso, um psicoterapeuta curioso, que tenta desvendar os terríveis segredos da companhia, recruta a ajuda de outra bailarina, que investiga as profundezas dos aposentos escondidos do estúdio, onde terríveis descobertas os aguardam.
Tecnicamente, Guadagnino incute a “Suspiria” um estilo menos exuberante do que aquele que Argento incutiu no original, mas mantém, ainda assim, as bases do estilo fora do normal que tanto celebrizou o clássico. Sem apagar o legado deixado por Argento, mas ao mesmo tempo a adaptar o filme a uma realidade um pouco mais comercial, Guadagnino acabou por criar um filme à sua imagem e sem comprometer valores ou ideias. E mostrou. Assim, que foi a escolha certa para comandar este remake que, pese embora a popularidade do seu antecessor, apresenta algumas melhorias. A parte técnica é uma delas, mas sobretudo porque somos presenteados com um estilo mais moderno, estilizado e não tanto indie ou amador. Sim, porque não nos podemos esquecer que em 1977, Argento não teve à sua disposição grandes fundos ou meios para criar aquele que viria a ser uma das suas grandes obras primas. 
É injusto por isso comparar o requinte técnico deste remake, com uma versão original um pouco mais áspera. Mas um elemento que já é possível comparar com mais justiça é o elenco. No cômputo geral, o elenco do remake apresenta uma maior qualidade que o elenco do original. É claro que tenho dúvidas que Dakota Johnsson tenha sido a melhor escolha para assumir o protagonismo aparente do filme, já que são notórias as suas falhas como atriz. Mas o que serve de consolo é que é a veterana Tilda Swinton que dá um verdadeiro show e que, no fundo, acaba por sobressair como a verdadeira estrela do filme. É mais uma grande performance (dupla) de Swinton que, uma vez mais, exibe toda a sua qualidade. É sempre um prazer de a ver no grande ecrã e, realmente, o estilo de “Suspiria” assenta-lhe que nem uma luva!  Também a banda sonora deste remake tem um nível muito acima da média. Da responsabilidade do líder dos Radiohead, Thom Yorke, as sonoridades presentes adequam-se ao estilo do filme e acabam por se tornar num pormenor essencial para o impacto do filme. 
São no fundo muitos pontos positivos que saem deste filme que, confesso, surpreendeu-me pela positiva. Esperava-se um desastre ou um filme cliché, mas há boas surpresas neste remake que, como já disse, tem valências próprias! E que, no fundo, prova uma vez mais que o soberbo “Call me By Your Name” não foi uma sorte e que Guadagnino é realmente um realizador a ter em conta!

Classificação - 3,5 em Estrelas em 5

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